De 1 a 4 de abril o palco virtual do Teatro São Luiz vai receber a peça Os Três Irmãos. O espetáculo é a mais recente criação de dança do coreógrafo Victor Hugo Pontes que decidiu juntar ainda um documentário, realizado por Miguel C. Tavares, e um livro com a peça original escrita por Gonçalo M. Tavares e algumas das pessoas que o têm acompanhado ao longo do seu percurso.

Ao longo de dez dias, Victor Hugo Pontes, irá apresentar todas as componentes que criou para a peça “Os Três Irmãos“, incluindo a própria peça. De 1 a 4 de abril, o coreógrafo irá apresentar o espetáculo, “Os Três Irmãos“, que estreou no final de setembro de 2020, e que agora sobe ao palco virtual do Teatro São Luiz, em Lisboa, colocando em cena três bailarinos imaginados pelo escritor Gonçalo M. Tavares, Abelard, Adler e Hadrian, os três irmãos. “Quando se encontram naquele não-lugar, procuram o rasto dos seus pais, marcam a giz a sua ausência, lavam-se, comem juntos à mesa, carregam os corpos uns dos outros em sacrifício ritualizado, carregam-se aos ombros, vivem em fuga, praticam o jogo perigoso do encontro com o passado. Abelard, Adler e Hadrian tentam fazer a sua ligação à terra e sobreviver à existência uns dos outros, mesmo se esta houver sido esburacada a berbequim, enrodilhada numa trouxa de roupa, transportada num carrinho de mão.”, a peça, que aborda o tema ‘família’ surgiu como uma ‘consequência da consciencialização da importância da família, que ficou muito visível no estado de pandemia, em que os afetos e a proximidade eram muito importantes”, contou Victor Hugo Pontes ao Gerador.

Fotografia de Estelle Valente

A necessidade de preservar o processo criativo de uma peça, imortalizando-a, levou o coreógrafo a desafiar Miguel C. Tavares, a registar da peça a peça desde a ideia lançada a Gonçalo M. Tavares, por Victor Hugo, até ao momento em que as portas do palco se abrem pela primeira vez. . “Irmãos” é um documentário que acompanha a dedicação e o esforço diário, as dúvidas e a pesquisa, algumas falhas e dificuldades, mas também as vitórias e a relação de cumplicidade criada entre todos os envolvidos. “O trabalho que fazemos é efémero, existe quando o apresentamos ao publico e, depois, quando sai de palco, passa a existir apenas na memória do espectador. Por isso, cada vez mais, quero começar a registar processos e projetos de forma a servirem, no futuro, como instrumentos de compreensão da dança nos dias de hoje.”, acrescenta Victor Hugo Pontes. O documentário estreia no dia 8 de abril e estará disponível até ao dia 11, das 19h às 24h, também no palco virtual do São Luiz.

Victor Hugo Pontes, decidiu concluir este registo com o “Caderno de Criação”, com o mesmo nome da peça, que será lançado no dia 10 de abril. A estrutura artística dirigida pelo coreógrafo, “Nome Próprio”, lança assim um livro que inclui a peça original que Gonçalo M. Tavares escreveu para o espetáculo do coreógrafo, e ainda ensaios de Madalena Alfaia, Tiago Bartolomeu Costa, Joana Gama e Patrícia Portela, bem como fotografias de José Caldeira, numa edição em português e inglês. O lançamento será online e contará com a presença dos autores do caderno de criação, numa conversa com moderação de Madalena Alfaia, transmitida em direto na página de Facebook da Nome Próprio.

Local: Online;
Horário: Das 19h às 24h;
Preço: 3€
Fotografia de Estelle Valente
Victor Hugo Pontes