As galerias de arte portuguesas Pedro Cera e Cristina Guerra Contemporary Art viajam até à Basileia, na Suíça, para mais uma edição da Art Basel, uma das feiras de arte com mais história e projeção. No total são 290 galerias de arte de 34 países que se juntam entre 13 e 16 de junho para mostrar o trabalho de mais de quatro mil artistas, “do início do século XX aos mais contemporâneos”.

Nas 290 galerias presentes na edição deste ano da Art Basel encontram-se 19 estreantes, entre as quais a Barro Arte Contemporáneo, da Argentina, a SpazioA, de Itália, a Vadehra Art Gallery, da Índia, a Marfa, do Líbano, e a David Lewis Gallery, dos Estados Unidos da América. “Embora as galerias europeias continuem a estar fortemente representadas, a feira inclui regressos e novos participantes de todo o mundo, incluindo Ásia, Américas do Norte e do Sul, Médio Oriente e África”, pode ler-se na página da organização.

Pedro Cera e Cristina Guerra: de Lisboa para Basel 

Tanto a galeria Pedro Cera como a Cristina Guerra fazem parte do circuito galeristico lisboeta. Ambas surgiram com o nome dos seus fundadores — como é comum acontecer entre as galerias de arte — e mantêm-se lideradas por estes atualmente. 

A galeria Pedro Cera surgiu em 1998, dedicando-se nos primeiros tempos a artistas portugueses emergentes e em meio de carreira. Foi apostando na internacionalização dos artistas portugueses, mas também começou a incluir artistas estrangeiros no seu grupo. Hoje representa artistas da Europa, da América Latina e dos Estados Unidos da América. A presença de Pedro Cera em Basel não é uma estreia. 

Três anos mais tarde, em 2001, abria a galeria Cristina Guerra na zona Estrela, também em Lisboa. Filha de colecionador, Cristina Guerra mergulhou num universo do qual já fazia parte desde cedo. A participação na Art Basel deste ano também não é uma estreia; Cristina Guerra já integrou a feira tanto na Basileia como em Miami. 

Basel — entre a Suíça e os Estados Unidos da América

Foi no ano de 1970 que os galeristas Ernst Beyeler, Trudl Bruckner e Balz Hilt decidiram juntar-se para organizar uma feira de arte que acabou por se revelar surpreendentemente bem sucedida. Conseguiram juntar 90 galerias e 30 editores de 10 países diferentes, e tiveram 16 000 visitantes a circular na feira inaugural. 

Nos anos 80 a feira celebrou os 150 anos de fotografia e recebeu 16 galerias da International Association of Photography Art Dealers, que levaram para Basel uma seleção de fotografias que falavam pela história e evolução do meio, organizadas em cinco exposições temáticas. Já nos anos 90 dedicou-se ao cinema com filmes feitos por e sobre artistas. 

Com a viragem do milénio a Art Basel decidiu criar a plataforma Art Unlimited, com o intuito de receber arte contemporânea em diferentes meios. Graças ao sucesso da feira na Suíça, a organização decidiu levá-la também para Miami, conseguindo uma primeira edição igualmente bem sucedida — com 160 galerias de 23 países, e um total de 30 000 visitantes. À feira associou-se um painel de conversas — Art Basel Conversations —, no qual se foi juntando colecionadores de arte, diretores de museus, curadores de bienais, artistas, críticos de arte e arquitetos, tendo em vista uma reflexão acerca da arte contemporânea. 

A plataforma Art Unlimited surgiu nos anos 2000 em Basel

Em 2010 a Art Basel passou a estar não só na Basileia e em Miami, mas também em Hong Kong. Os visitantes da primeira feira foram o dobro dos que tinham ido à inauguração da Art Basel em Miami: 60 000. Cinco anos depois a feira juntou-se à BMW para uma iniciativa que pretende reconhecer e apoiar artistas emergentes pelo mundo fora. 

De 13 a 16 de junho a Art Basel volta à sua cidade natal, com duas galerias portuguesas a levar a arte contemporânea do nosso país além fronteiras. Sabe mais sobre a Art Basel e descobre as galerias que participam nesta edição, aqui

Texto de Carolina Franco e Lusa
Fotografia de Art Basel disponível via Facebook

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