De 11 a 13 de Setembro, realizar-se-á a VI edição do Portingaloise - Festival de Dança e Músicas Antigas, no Armazém 22, em Vila Nova de Gaia. Este é promovido pela Kale Companhia de Dança, em parceria com Portingaloise Associação Cultural e Artística.

Com direcção artistica de Catarina Costa e Silva, "o Festival possui três componentes: criação original do Ensemble Portingaloise, investigação/encontro académico e formação em dança histórica," lê-se no comunicado de imprensa.

O Festival apresenta-se como uma oportunidade de "divulgação da Dança e da sua estreita relação com a Música, designadas Antigas, porque pertencentes a um contexto sociocultural anterior à Era Contemporânea." Tem "como premissa fundamental a aproximação ao património escrito mas de natureza efémera – a música, a dança, o teatro – daquele período compreendendo a sua influência na nossa prática ainda hoje, questionando sempre a sua função coeva mas também a sua função na contemporaneidade, abrangendo os seus espaços e agentes desde a prática erudita à popular."

Devido ao contexto de pandemia, a edição deste ano será um Ciclo de Verão, com actividades presenciais e online. Poder-se-á assistir ao espectáculo Le Voyage Imaginaire, de Le Chá no Arrrr, uma vertente do Ensemble Portingaloise dedicada ao público infanto-juvenil, "onde dança, música e teatro se encontram à volta da estória de duas crianças que, num dia de chuva, descobrem o velho e escuro sótão da casa dos avós, onde uma série de objetos levam-nos a fazer uma viagem no tempo. A realidade desses dois personagens é então transformada num mundo de sonho e fantasia onde a dança e a música de outras épocas são, na verdade, uma divertida brincadeira." Trata-se de uma criação que, "através da música e da dança barroca", torna a dança contemporânea presente. Ainda, dentro das criações que serão partilhadas, teremos Balle de las Danças, "um entre vários Bailes presentes no Manuscrito 471 do Arquivo Distrital de Braga e editados criticamente pelo musicólogo Xosé Gandara Eiroa (2009)", com direção artística de Catarina Costa e Silva e interpretação do Ensemble Portingaloise. Nesta peça de teatro, "o pretexto dramático é a conciliação de música e dança" barroca, retratando personagens tipo, alegorias ou – como é o caso – danças como personagens que vão definindo os seus caracteres distintos ao longo da peça", que, mais uma vez, devido ao actual contexto, tomará o formato videográfico, um projecto de Adriana Romero, "a ser desenvolvido em diferentes residências ainda em 2020, no Armazém22 e também no Museu dos Biscaínhos em Braga." Espera-se que a sua estreia em palco se concretizará na 7ª edição do Festival Portingaloise em 2021.

No que diz respeito à vertente de investigação, serão realizadas comunicações de "investigadores de referência internacional nas áreas da coreologia e da musicologia", entre os quais Cristina Fernandes (FCSH/INET-MD), Diana Campoo (UAMadrid), Álvaro Torrente (UCMadrid), Xosé Gandara Eiroa (URioja), Luisa Morales (FIMTE), Raquel Aranha (PUC-SP), orientadas por especialistas e pelo público, em torno do tema Dança e Música para Dança na Península Ibérica na Época Moderna. Estas serão transmitidas na página de facebook do Armazém22.

Aulas de dança barroca também terão lugar neste programa, na sua componente online. "A acção formativa nesta 6ª Edição do Festival Portingaloise tem como objetivo o estudo científico (porque baseado em fontes primárias) e a experiência prática do repertório da dança europeia entre os séculos XVII e XVIII." Este tipo de dança "nasce no contexto cortesão, nomeadamente na corte do rei francês Luís XIV, o Rei Sol. Na sua corte, o rei patrocinava todas as artes e exigia espetáculos magnificentes onde conjugava a música, a dança, o teatro, a maquinaria de cena e efeitos esplendorosos. A designada Belle Danse era praticada tanto pelos bailarinos em palco quanto pelos cortesãos em suntuosos bailes de corte. Os passos, as posições e as regras da Belle Danse ficaram registados em obras escritas, sendo criada inclusivamente uma notação de dança própria que permitiu o registo de centenas de coreografias na época."

Podes consultar o programa, aqui.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues

Fotografia de Gonçalo Sérgio Limpo, disponível na página de Facebook do Festival Portingaloise