A portuguesa Susana Cereja é a artista convidada da BIEN 2023, bienal de arte têxtil que tem lugar em Kranj, na Eslovénia, até 10 de agosto. Para este evento, criou uma nova peça à qual chamou “Helia”, uma interpretação positiva, nas palavras da artista, do papel do Sol, que promete “surpreender o visitante pelos vários ângulos da obra”.
Nascida em Mafra em 1992, Susana Cereja, conta a própria ao Gerador, começou por estudar arquitetura, mas não se ficou por aí. “Estudei diversas áreas dentro do campo artístico, nomeadamente ilustração e desenho”, explica. E no que diz respeito à experiência profissional, a artista frisa que trabalhou durante cinco anos como arquiteta no atelier da artista Joana Vasconcelos.
Já em 2015, decidiu abraçar a tapeçaria em ponto de arraiolos, “técnica esquecida” e que era “apenas utilizada em tapetes e com patrões e motivos antigos”. “Desde 2015 que trabalho esta técnica e tenho vindo a ser reconhecida por todo este trabalho de desenvolvimento e renovação de um património nacional tão importante”, sublinha a artista.
Com este currículo, e sendo um dos focos da edição da BIEN deste ano o conceito de herança, Susana Cereja acabou por ser chamada para ser artista convidada da bienal que decorre até meados de agosto na Eslovénia. “Este convite incluiu uma residência artística de aproximadamente três semanas em que a ideia foi terminar a obra ‘Helia’, começada em estúdio e inspirada no tema da bienal, o Sol; Um workshop e uma exposição individual à qual chamámos ‘Icarus - A Journey in Search of the Sun’”, detalha.

Entretanto, a residência artística em questão já terminou e Susana Cereja já inaugurou a sua nova peça [na foto acima]. Ao Gerador, explica como idealizou a obra em causa: “a interpretação do Sol passa por várias fases: por um lado, o Sol sempre foi visto como algo positivamente poderoso, desde os nossos antepassados; Por outro, é visto hoje como um dos motivos para o aquecimento global e os incêndios. Decidi ver o Sol como algo positivo, não trágico, até porque os verdadeiros culpados do aquecimento global somos nós, os humanos”.
Em “Helia”, o Sol é tratado, indica Susana Cereja, como uma deusa “que nutre a terra e permite a renovação e a vida”. Na peça, domina o amarelo, “porque transmite a luz e a claridade do sol”, mas também o laranja “pelo poder”, os verdes e os castanhos “por ser a comunhão com a natureza”. “Além disso, a peça está a rodar num motor, a uma velocidade bastante lenta. Por isso, o visitante é surpreendido pelos vários ângulos da obra, vista de todos os lados”, acrescenta.
E para chegar a Kranj, a portuguesa deu preferência ao comboio, para diminuir a pegada de carbono. “O meu trabalho já é por si sustentável, porque o faço com lã que é 100% lã produzida em território nacional e aproveito todos os desperdícios da produção das minhas obras. No entanto, quis tornar este projecto o mais sustentável e único possível”, salienta.