No dia 13 de Junho foi anunciada a distinção do escritor, sacerdote, teólogo e professor universitário José Tolentino Mendonça com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural.

Tolentino Mendonça tornou-se uma figura incontornável na cultura portuguesa, que se tem ampliado ao mundo. “Na atribuição do prémio, os membros do júri, presidido por Maria Calado, presidente do Centro Nacional de Cultura, “declararam ter ficado “’impressionados com a capacidade que Tolentino Mendonça demonstra ao divulgar a Beleza e a Poesia como parte do património cultural intangível da Europa e do mundo’”, lê-se na agência Lusa.

“’Queremos homenagear a sua arte de comunicar não apenas através da sua notável poesia, mas também dos seus artigos de opinião publicados na imprensa portuguesa e italiana. Também destacamos a sua forte convicção de que a Igreja não é apenas uma guardiã de seu longo passado, mas que deve estabelecer um diálogo aberto e construir pontes com o mundo da cultura, da arte e do pensamento contemporâneos’”, cita a agência. O júri sinalizou a importância da presença dos artistas e intelectuais, neste contexto, enquanto orientadores e inspiradores de “‘esforços coletivos para construir uma sociedade mais justa e mais inclusiva, para a Europa e para todo o planeta’”, continua.

No seu discurso de agradecimento, Tolentino refere que a “‘cidadania europeia é também uma cidadania cultural'”, a qual passa pelo reconhecimento de uma Europa diversa, constituída por uma “‘pluralidade das tradições e raízes'”. O poeta convida a olhar a memória como um lugar aberto e comunicante, essencial para pensar o presente e para a existência de futuro. Sinalizou ainda o nome do prémio, reconhecendo o seu poder simbólico, que o torna “’como que um suplemento de alegria e de responsabilidade, pois o seu legado representa uma preciosa inspiração para todos’.”

Também foi neste sentido que Tolentino presidiu, este ano, as comemorações do Dia de Portugal, atentando nos mais frágeis e esquecidos, os mais velhos, os jovens, cujos projectos vão surgindo, os migrantes e todos que se encontram na escuridão do olhar. “O desafio da integração é imenso, porque se trata de ajudar a construir raízes. E essas não se improvisam: são lentas, requerem tempo, políticas apropriadas e uma participação do conjunto da sociedade. Lembro-me de um diálogo do filme do cineasta Pedro Costa, «Vitalina Varela», onde se diz a alguém que chega ao nosso país: «chegaste atrasada, aqui em Portugal não há nada para ti». Sem compaixão e fraternidade fortalecem-se apenas os muros e aliena-se a possibilidade de lançar raízes”, lê-se no discurso realizado neste dia. É também por este gesto de cuidado comunitário e de defesa das expressões da diversidade humana que Tolentino é conhecido enquanto “intelectual católico”, reconhecendo a cultura como caminho de libertação. Foi o primeiro director do Secretariado Nacional de Cultura e membro do Conselho Pontifício da Cultura. É um dos grandes nomes da literatura portuguesa contemporânea, destacando-se na poesia, no ensaio, na dramaturgia, tradução e organização de obras. Com um vasto percurso académico, assumiu o lugar de reitor, professor e investigador em universidades nacionais e internacionais.

A data da cerimónia de atribuição do prémio ainda não foi anunciada. Esta realizar-se-á na Fundação Calouste Gulbenkian, que, com o Ministério da Cultura e o Turismo de Portugal, apoia a iniciativa.

“O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a Europa Nostra, a principal organização europeia de defesa do património representada em Portugal pelo CNC, e com o Clube Português de Imprensa” e destina-se a distinguir um(a) cidadão/ã europeu/europeia, cuja carreira se tenha destacado pela “difusão, defesa e promoção do património cultural da Europa” informa a Lusa.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues

Fotografia disponível na página de Facebook do CNC