A Fundação de Serralves dá inicio ao programa "Itinerâncias Nacionais 2021", no Museu da Vila Velha, em Vila Real, com uma exposição de Ângelo de Sousa, uma das figuras mais influentes da arte portuguesa da segunda metade do século XX.

"Ângelo de Sousa: Quase tudo o que sou capaz", é o nome da exposição inaugurada no dia 7 de abril, no Museu da Vila Velha, em Vila Real, deu início ao programa de itinerâncias nacionais da Fundação Serralves, em 2021, e pode ser vista até ao dia 20 de junho deste ano. A inauguração, que contou com a presença do Presidente do Município de Vila Real, Rui Santos, da Presidente da Fundação de Serralvez, Ana Pinho, e da Vereadora da Cultura, Eugénia Almeida, é o início de uma série de exposições que fazem parte de uma iniciativa que tem como objetivo, tornar a Fundação acessível a vários públicos, em diversas regiões do país. Este programa percorre o país, apresentando diferentes exposições e obras em mais de trinta municípios, cumprindo a missão da Fundação de Serralves, que quer descentralizar a oferta cultural.

Ângelo de Sousa, Pintura, 1967. Col. Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea, Porto. Aquisição em 2002. Foto: Filipe Braga

Depois do Município de Vila Real ter estabelecido um acordo de integração como Fundador de Serralves, a obra escolhida para levar a Vila Real, foi a de uma das figuras mais influentes da arte portuguesa na segunda metade do século XX, Ângelo de Sousa, que nasceu na antiga Lourenço Marques, Moçambique, e acabou por morrer em 2011 no Porto. É um dos artistas mais bem representados na Coleção de Serralves com trabalhos realizados entre 1961 e 2002, e que espelham vários meios artísticos aos quais o artista se dedicou ao longo da sua carreira, desde desenho, pintura, escultura, instalação, filme e fotografia.

A exposição "Ângelo de Sousa: Quase tudo sou capaz", reúne uma seleção de desenhos, pinturas e esculturas do artista que "sublinham a importância da contaminação entre disciplinas para a evolução da sua prática artística ao longo da sua carreira", como se pode ler no site da Fundação Serralves. A exposição refuta ainda a imagem do pintor, demonstrando que o desenho e a escultura não são apenas facetas fundamentais da sua obra, mas aquelas em que é mais evidente o seu espírito experimentalista.

Ângelo de Sousa é caracterizado pela sua simplicidade, manifesta nas suas palavras, onde tenta obter "o máximo de efeitos com o mínimo de recursos, o máximo de eficácia com o mínimo de esforço, e o máximo de presença com o mínimo de gritos". Também os desenhos, pinturas e esculturas do artista não ilustram apenas conceitos, nem partem de ideias, mas da sua ânsia de fazer e pensar com as mãos. "Ângelo de Sousa: Quase tudo sou capaz", sublinha a vontade de trabalhar com elementos simples - ao apresentar algumas das primeiras obras, ainda figurativas - , mas apontado já, para a depuração que viria a caracterizar o artista, lado a lado com os exercícios abstrato-geométricos que lhe deram o título de um dos maiores estudiosos da cor e da luz.

Texto de Patrícia Nogueira
Fotografia de Shaun Donnelly via Unsplash
Se queres ler mais notícias sobre a cultura em Portugal, clica aqui.
Serralves