O envolvimento da comunidade artística local, a atração de nomes nacionais e internacionais e a partilha de experiências na produção cultural são linhas orientadoras da programação que o Cine-teatro Louletano leva à cena até dezembro, disse a organização.

A diretora municipal de Cultural da Câmara de Loulé, responsável pela programação do Cine-teatro Louletano, explicou à agência Lusa que a estratégia desenhada para esta temporada “segue as linhas de atuação que se têm vindo a construir nos últimos anos” e que apostam numa “programação diversificada, para vários tipos de público, que consiga ligar e inquietar”.

“São as duas palavras-chave da nossa programação: ligar público e artistas, ligar artistas com artistas, e desafiar esses artistas a fazer coisas diferentes, com encomendas, também com uma programação muito marcada por coproduções, o que para nós é muito interessante, porque num espaço destes também o primeiro foco deve ser o apoio à criação”, justificou a diretora municipal de Cultura de Loulé, Dália Paulo.

A programação não esquece também uma linha que tem sido trabalhada “com alguma consistência e continuadamente, que é a arte para a infância” e que “coloca a sala do Cine-teatro Louletano em contextos e dimensões nacionais e internacionais”, precisou Dália Paulo.

“E trazer nomes que estão nessas cenas internacional, como o Tim Bernardes [18 de setembro] ou o Jack Broadbent [23 de novembro], que vêm pela primeira vez ao sul do país, é colocar essa sala também nesse mapa um bocadinho mais internacional e colocar o Algarve, acima de tudo, nessas rotas internacionais também”, sustentou.

Estas linhas gerais vão-se depois “especificando em cada área artística, desde a dança, ao teatro, à música e à performance”, mas “sobretudo nos cruzamentos artísticos”, exemplificou, apontando uma colaboração que qualificou como “improvável”, na qual o pianista Mário Laginha “vai fazer uma peça de teatro musical ao vivo, com a companhia João Garcia Miguel, logo no primeiro mês desta segunda temporada, em setembro, que é a “Medeia”, de Eurípedes [27 de setembro]”.

“Dou-lhe o exemplo de um espetáculo desta temporada que reflete um bocadinho isso, numa encomenda que foi feita e que liga o Grupo Coral Infantil de Loulé a um coletivo que eu diria ‘de luxo’, com Sérgio Godinho, Ana Bacalhau, Vitorino e Jorge Benvinda, que vão reinventar e celebrar as canções tradicionais ligadas ao nosso imaginário infantil [22 de setembro]”, acrescentou Dália Paulo, referindo-se ao projeto Canções de Roda.

Dália Paulo destacou também a coprodução entre “duas companhias profissionais sediadas no concelho” do distrito de Faro, como “a Mákina de Cena e a Folha de Medronho”, que vai estrear um espetáculo chamado “encanecer”, num “diálogo com quem está a criar no concelho”, disse.

Entre as parcerias, destaque também para uma colaboração com o Festival de Marionetas e Outros Comeres (FOMe), que leva espetáculos a “espaços não convencionais, na rua e em cafés”, e que representa um “complemento” ao que se vai “desenvolvendo com arte para a infância e de aproximação aos públicos mais novos”, salientou.

Questionada sobre o investimento que a autarquia faz com esta programação, Dália Paulo cifrou-o em dois milhões de euros anuais, mas frisou que esta verba “inclui o apoio às associações culturais do concelho” e considerou que o montante “não é pesado”, tendo em conta o retorno e que permite que a “área cultura seja um foco de atração ao concelho”.

Texto de Lusa
Fotografia de Cine-Teatro Louletano disponível via Facebook

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