Mao-Mao disponibiliza em todas as plataformas o vídeo performativo de “Filho”, tema de apresentação de spokenword, um projeto de recitação de poesia chinesa desenvolvido por Valério Romão (voz), Paula Cortes (voz), José Anjos (voz e guitarra) ,  Pedro Salazar (baixo) e Jorge Gonçalves (imagens).

Gravado ao vivo na Escola de Mulheres - Oficina de Teatro, e integrado no espetáculo “A lua só sabe fazer de lua” que será apresentado no início de 2021, 'Filho' é um tema composto a partir de um poema de Chen Nianxi, trabalhador mineiro nascido em 1970 na província de Xianxim, China.   

O escritor Valério Romão também é responsável pela tradução, para português, dos poemas..

Segundo os criadores, o projeto surgiu da necessidade de se mostrar a poesia escrita em condições promovidas por Deng Xiaoping, ex líder político da República Popular da China, que causaram mudanças na organização social, no século XlX. como “milhões de chineses tornam-se migrantes dentro do seu próprio país, necessitando de declarações de trabalho, para poderem permanecer nas cidades nas quais se multiplicam fábricas e dormitórios. “ou “horários de trabalho que chegam a ser de dezasseis horas” tornando insustentáveis as condições para os trabalhadores e  levando-os a refugiarem-se na escrita de poesia, publicando-as nos fóruns “onde se trocam versos amargos” e “pela primeira vez na história da China, a poesia não sai da rua para os corredores do palácio do imperador”. Uma forma de libertação do panorama da época.

A obra idealizada, pelo escritor Valério Romão e pelo poeta José Anjos, reúne poemas dos trabalhadores, retirados da edição inglesa da antologia, “Iron Moon” - An Anthology of Chinese Worker Poetry, traduzida por Eleanor Goodman, onde contém Xu Lizhi, um jovem que fazia parte do grupo de trabalhadores fabris e suicidou-se aos 24 anos deixando como herança, um conjunto de poemas, críticas cinematográficas e crónicas.

“A estes poemas contemporâneos juntam-se também outros de poetas chineses antigos, sempre dentro da mesma temática: a condição humana e a necessidade de contemplação da beleza, mesmo que terrível, apesar do sofrimento e do medo, onde até o humor surge como salvação ao lado do vinho e outros santuários de humanidade: a amizade, a natureza e o afecto” acrescentam.

Texto de Filipa Bossuet
Fotografia da Jorge Gonçalves
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