Têm sido várias as cartas abertas escritas e endereçadas ao Ministério da Cultura, apelando ao apoio do estado ao setor cultural neste tempo de pandemia. Desta vez três responsáveis por direitos de autores e artistas - a SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), a GDA (Gestão dos Direitos dos Artistas) e a AUDIOGEST (Associação de Gestão de Direitos de Produções Fonográficas) - juntam-se a 1600 desses autores e artistas.

“É um contrassenso acreditar que todos estes profissionais do espetáculo podem exercer a sua atividade sem que o espetáculo exista”, pode ler-se na carta redigida, citada no comunicado de imprensa. Relembram ainda os “milhares de técnicos (de som, de luz, de palco, cenógrafos, produtores, assistentes de produção, roadies e tantos outros) que se encontram sem qualquer rendimento.”

A carta endereçada ao Primeiro Ministro, António Costa, à Ministra da Cultura, Graça Fonseca, e aos deputados da Assembleia da República, propõe  “a criação de um verdadeiro fundo de emergência e apoio ao sector da cultura e, em particular das artes performativas, que contemple também os autores e os profissionais ‘independentes’ dos espetáculo”, pede que a garantia de que “as entidades públicas contratantes, procederão a pagamentos, nos casos de cancelamento, ou adiamentos de preços acordados (cachets), nos casos de reagendamento, no momento de cancelamento ou adiamento”,  que seja estabelecido "um prazo imperativo para o reagendamento”, e  a garantia de "que os valores entretanto pagos são equitativamente distribuídos pela cadeira de valor e chegam, efetivamente, aos agentes culturais e profissionais de espetáculos”. 

“Não cancelem a cultura” - ou "adiem-nos, mas não nos cancelem" - é o mote para a carta assinada por quase duas mil pessoas, e a base de um vídeo que tem sido partilhado pelas redes sociais, no qual se vê o rosto de algumas pessoas que dão a cara por esta carta aberta e mencionam o número de membros da sua família.

Entre atores/atrizes e músicos, vários artistas partilharam o vídeo nas redes sociais

Entre alguns dos nomes que assinam a carta estão Boss AC, Camané, Capicua, Carlão, David Fonseca, Dino D’Santiago, Fingertips, Filipe Sambado, Olga Roriz, Isaura, Papillon, Lena D’Água, Luís Represas, Mafalda Veiga, Rita Redshoes, Rodrigo Leão, Sérgio Godinho, Moullinex e Salvador Sobral.

Texto de Carolina Franco
Fotografia de stefano stacchini disponível via Unsplash
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