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Raquel Lopes: “Ainda se discute o porquê de estarmos a falar de orientação sexual ou dos direitos da comunidade LGBTQI+”

A diversidade e a inclusão da comunidade LGBTQI+ ainda pode ser uma temática controversa no ensino, no local de trabalho e na vida quotidiana. Por este motivo, foi criado em 2021, o Nova SBE Pride Association Student Club que quis pôr fim ao estigma e aos tabus existentes em contexto universitário. Raquel Lopes, de 22 anos, é a presidente deste clube estudantil e contou-nos como é sensibilizar a comunidade académica para a existência desses mesmos preconceitos.

Texto de Mariana Moniz

Raquel Lopes. Créditos: Beatriz Ribeiro

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Raquel Lopes encontra-se a tirar um mestrado em Economia na Nova School of Business and Economics [Faculdade de Negócios e Economia da Universidade Nova], em Lisboa. A Nova SBE possui mais de 30 clubes estudantis, sendo que cada um se dedica a uma determinada área do quotidiano ou da vida académica. Um desses clubes, do qual fazem parte 20 membros, dedica-se à comunidade LGBTQI+.

O Nova SBE Pride Association Student Club assenta nos valores da diversidade, inclusão e igualdade, e tem como objetivo ajudar a integração dos estudantes LGBTQI+ na faculdade. Para tal, são fornecidas ferramentas que se direcionam para essa comunidade, mas também para os próprios docentes e staff da Nova SBE. Desta forma, procura-se combater a desigualdade e construir um ambiente em que todos são tratados sem julgamentos, independentemente do seu género ou orientação sexual.

A nossa entrevistada, Raquel Lopes, contou-nos, via online, como é gerir a presidência deste clube, falou-nos dos desafios com que se deparam e do caminho que ainda falta percorrer para que se atinjam alguns direitos, como a igualdade de género.

Conversámos sobre a importância de existirem clubes LGBTQI+ nas universidades e sobre os diversos projetos que têm vindo a desenvolver. Entre eles, destaca-se o formulário Trust in Box [caixa de confiança], que consiste na criação de um espaço seguro onde os estudantes LGBTQI+ podem partilhar as suas experiências, reportar situações de assédio ou discriminação e pedir apoio de forma anónima.

Destaca-se também o podcast Colour Coded [codificado por cores], no qual são abordados vários temas LGBTQI+ e as dificuldades da comunidade queer, e salientam-se os vários eventos que procuram congregar os diversos clubes LGBTQI+ num só espaço e promover a união da comunidade, seja em termos académicos, seja em termos sociais. Exemplos desses eventos são as festas The Euphoria Party [A Euforia], Student Pride Lisbon [Orgulho Estudantil Lisboa] e The Elite Party [A Elite].  

Por sua vez, os programas de orientação de carreira e de mentoria permitem aos estudantes LGBTQI+ da Nova SBE desenvolver certas capacidades que lhes permitam conhecer melhor o mundo do trabalho e adaptarem-se ao mesmo.

Raquel confidencia-nos que gostava que existissem mais clubes LGBTQI+ noutras faculdades do país, mas, para já, apela a que os alunos da Nova SBE, “que se interessem pela luta pelos direitos humanos”, integrem o Pride Association Student Club para que o mesmo “possa crescer e cumprir a missão de levar a diversidade e a inclusão para o ambiente universitário”.

Membros da Nova Pride Association (Outono 2022). Créditos: Nova Pride Association 

Gerador (G.) – Qual a história por detrás da criação da Nova Pride Association Student Club?

Raquel Lopes (R. L.) – Quem criou o clube foram dois antigos estudantes de mestrado da Nova SBE [Nova School of Business and Economics], o Dimi e a Chiara. Eu entrei como membro no último semestre da minha licenciatura, em 2021, assim que o clube surgiu. O Dimi e a Chiara são pessoas que fazem parte da comunidade LGBTQI+ e penso que tenham sentido a necessidade de ter um espaço seguro para outros estudantes da comunidade. Como havia essa lacuna na faculdade, eles decidiram criar este clube.

G. – E o que te levou a querer entrar no clube também?

R. L. – Eu identifico-me como uma mulher gay e, desde que entrei na faculdade, que sabia que queria fazer parte de algum clube estudantil da Nova SBE, que são imensos. Mas nunca houve um clube que me chamasse a atenção o suficiente para lhe dedicar o meu tempo. É difícil conciliar tudo com o trabalho da faculdade. Quando vi o anúncio da criação do Clube LGBTQI+, no Instagram, pensei, automaticamente, que tinha de me candidatar. Podia fazer parte de um clube estudantil e, ainda por cima, numa área com a qual me identifico e que é importante para mim. Percebi que podia ajudar outras pessoas, mas também ajudar-me a mim própria e lutar pelos meus direitos. Decidi então candidatar-me, consegui entrar e cá estou desde esse ano [2021].

G. – Que cargos foste tendo na Nova Pride Association antes de assumires a presidência do clube?

R. L. – Comecei num departamento que neste momento já não existe. Chamava-se community building [construção de comunidade]. Ainda estávamos numa fase muito inicial, a decidir como é que os departamentos iriam funcionar, o que é que cada um de nós iria fazer. Trabalhei com duas raparigas, a Theo e a Maria Inês, e, basicamente, criámos alguns workshops e alguns conteúdos educacionais de forma a ensinar a comunidade do clube. Também desenvolvemos um projeto que se intitula Club Cummunity [Clube Comunidade. Grupo na rede social WhatsApp] e que consiste em desenvolver uma ligação mais direta com um determinado grupo de pessoas, sejam elas alunos da Nova SBE, sejam alunos de outras faculdades, sejam docentes, seja qualquer pessoa que tenha interesse no nosso trabalho. Neste momento, penso que tenhamos cerca de 130 pessoas nesse grupo. Por exemplo, desenvolvemos eventos mais exclusivos, como convívios, e sempre estamos conectados com essas pessoas de uma forma mais íntima. É um contacto mais direto do que aquele que temos com as pessoas que só nos seguem no Instagram. Mas bem, foi por aí que comecei. Mais tarde, trabalhei juntamente um dos antigos Presidentes do Clube, o Emory. Aí estive mesmo mais focada em produzir conteúdo educacional. Desenvolvemos alguns workshops que se relacionavam, por exemplo, com a linguagem inclusiva. Chegámos a ter o apoio de alguns docentes e tínhamos como objetivo influenciar as políticas de inclusão que a universidade estava a começar a desenvolver. Quando comecei o mestrado, no semestre passado, tornei-me copresidente juntamente com outra aluna, a Mariana. Entretanto, ela deixou esse cargo e eu senti necessidade de ter uma responsabilidade diferente da que tinha. Tanto eu como a Mariana representávamos o clube, e a divisão de tarefas não era muito clara. Este semestre achei que deveria ter um pouco mais de autonomia, e concordámos que iria haver um presidente e um vice-presidente [Akil Mambuque]. Assim, eu trato de certos assuntos e ele de outros, sem que as tarefas se misturem. Claro que nos vamos ajudando um ao outro, mas não tenho de estar sempre a falar com o Akil de cada vez que estabeleço um contacto externo, por exemplo.

G. – E, enquanto presidente do clube, qual é a mensagem que procuras fazer chegar a quem acompanha o vosso trabalho?

R. L. – Ao ser presidente, preocupo-me bastante em representar o clube externamente. Por exemplo, em fevereiro, fui contactada pelo professor Paulo Côrte-Real [professor associado de Teoria da Microeconomia na Nova SBE] para representar o clube numa conferência do projeto Spear, que tem como principal objetivo implementar projetos e medidas que proporcionem a igualdade de género nas faculdades. Enquanto presidente, sinto que tenho de ter a capacidade para resumir qual é a missão do nosso clube e transmitir essa mensagem para fora da faculdade. É importante agarrar nessas oportunidades e aproveitá-las para que possamos levar uma outra dimensão, relativamente aos direitos LGBTQI+, para os eventos que assentam nessas ideias de inclusão e igualdade.

Conferência SPEAR. Créditos: Universidade Nova de Lisboa

G. – Qual é a importância de existir uma associação como esta em contexto universitário?

R. L. – Penso que seja muito importante para que se possa criar um sentido de comunidade. Ao entrar na faculdade, e até entrar no clube, foi difícil conectar-me com outros estudantes LGBTQI+. Não podemos assumir que uma pessoa é LGBTQI+ por alguma razão, não é? Posto isto, as ligações que criava com os meus colegas não chegavam a ter essa dimensão. Não dava para perceber se uma determinada pessoa tinha passado pelas mesmas experiências que eu, por exemplo. Havendo um Clube LGBTQI+, mesmo que não façamos parte dele ou trabalhemos nele, temos acesso a um espaço agregador. Sabemos que, se formos ali, se participarmos naquele evento, se falarmos com as pessoas que pertencem ao clube, em princípio, teremos a oportunidade de encontrar quem nos entenda e com quem nos relacionarmos. Acho que só o facto de haver um espaço seguro já é muito importante para alunos que andem numa universidade. Eu venho de uma escola secundária muito pequena e, talvez por isso, tenha tido mais facilidade em estabelecer conexões nessa altura. Na faculdade, onde existem tantos alunos, torna-se mais difícil criar essas ligações e acho que esse sentido de comunidade se perde um pouco. Desta forma, com a existência de um Clube LGBTQI+, as pessoas sabem onde podem encontrar apoio.

G. – Dirias que essa procura por conexões pessoais é um dos principais desafios da comunidade LGBTQI+ em ambiente universitário?

R. L. – Sim, é um dos desafios. Também tentamos trabalhar contra a discriminação que existe nas faculdades com base na identidade. O Clube LGBTQI+ acaba por ser, igualmente, um espaço de denúncia. Ainda não recebemos muitos testemunhos de pessoas discriminadas, na verdade. Com isto, não estou a dizer que existe ou não discriminação na Nova SBE, pois não tenho conhecimento do que acontece na conversa das pessoas. Mas já tivemos estudantes que vieram ter connosco para reportar situações de assédio ou discriminação com base na sua identidade de género e orientação sexual. Os estudantes transgénero, por exemplo, também passam por algumas dificuldades. Às vezes, um aluno ou uma aluna está em processo de transição e pede para ser tratado/a pelo novo nome, mas a faculdade nem sempre se adapta bem a esse processo. O clube também oferece apoio nessas situações. Somos um espaço seguro e tentamos fazer o nosso melhor em situações que possam ser mais graves. Temos algumas ligações com o staff da Nova SBE e, a partir daí, conseguimos pedir para que essas pessoas tenham uma influência maior perto de docentes ou outros trabalhadores da faculdade.

G. – Os membros do Clube LGBTQI+ defendem, essencialmente, que valores?

R. L. – Para fazerem parte do clube têm de estar muito abertos à diferença e têm de saber lidar com várias pessoas. Há uma linha que separa as opiniões ofensivas das opiniões de quem não tem ainda conhecimento suficiente para saber o que está a dizer. Sei que pode ser muito difícil e que acaba por ser até um pouco controverso pedir às pessoas LGBTQI+ para terem paciência a explicar certos assuntos. Mas não podemos presumir que a sociedade já está muito avançada ou que se alguém quisesse mesmo aprender, aprenderia sozinha. No clube, temos de ser pacientes e defender a nossa função educativa. Temos de estar abertos a opiniões diferentes – não no sentido da exclusão, obviamente, mas no sentido de tentarmos perceber porque é que uma pessoa considera que os casais homossexuais não deveriam adotar, por exemplo. Porque é que esta pessoa está a dizer isto e o que é que eu posso dizer para a fazer acreditar numa coisa diferente? Não podemos ser muito hostis, percebes? Claro que depende sempre do contexto. Portanto, de um modo geral, diria que os membros do clube têm de estar abertos à diferença, ser pacientes, responsáveis, ter espírito de equipa e ter respeito para com as pessoas com quem trabalham.

Library Dialogues "Gender Equality in Sports". Créditos: Nova Pride Association 

G. – Como é gerir o trabalho no clube com os outros projetos que têm de realizar para a faculdade?

R. L. – Esse é um dos desafios, mas existem outros. Sei que algumas pessoas acabaram por não entrar no clube, porque não conseguiram equilibrar todas essas funções. O grupo que temos no WhatsApp tenta colmatar um pouco isso, mas não deixa de existir uma barreira. Também sentimos, por vezes, dificuldade em concretizar projetos, como os eventos que requerem parcerias, por exemplo. Temos de fazer as coisas com antecedência, avisar a faculdade, perder o tempo a contactar pessoas e empresas, e nem sempre obtemos resposta.

G. – Para além do sentido de inclusão, também se preocupam com a orientação de carreira. Porque sentiram essa necessidade e que ideias consideras necessário desmistificar acerca da comunidade LGBTQI+ e a procura de emprego?

R. L. – A nossa faculdade preocupa-se bastante em ajudar-nos nesse aspeto, explicando como funciona o mercado de trabalho, que empresas são mais atrativas, entre outros. Achámos que seria importante inserir a dimensão LGBTQI+ nessa procura por trabalho e ajudar os estudantes que se encontram nesse estágio da vida, pois as pessoas da comunidade ainda se deparam com imensas dificuldades e obstáculos no mundo do trabalho. Se uma pessoa LGBTQI+ estiver numa empresa, onde haja trabalhadores heterossexuais que partilhem alguns momentos da sua vida pessoal entre si, essa pessoa acaba por se questionar e ter medo que os seus colegas a julguem por ter uma vida conjugal com alguém do mesmo sexo, por exemplo. Não sabe se esses colegas estão recetivos a essa ideia. Assim, achámos que era importante organizar eventos onde abordássemos estes temas e decidimos também estabelecer contacto com algumas empresas que possuem políticas de inclusão e diversidade ou departamentos de denúncia. A discriminação acontece numa entrevista, por exemplo. Uma pessoa não falará da sua vida pessoal, mas, tendo em conta os vários estereótipos, um recrutador pode olhar para essa pessoa e decidir, por alguma razão, que a orientação sexual dela é esta e não a contratar. É importante alertar para estas questões. Ajudamos os estudantes a lidar com situações mais desagradáveis que podem ocorrer, mas também os motivamos a criar núcleos de apoio que ainda não existam dentro das empresas, por exemplo.

G. – Vocês organizam imensas atividades. Quais gostarias de destacar?

R. L. – Os workshops que fazemos são muito importantes para a dimensão educacional. As nossas aulas são, maioritariamente, em inglês. A linguagem inclusiva, para o inglês, requer poucas alterações, portanto, tentamos que os docentes passem a adotar esse tipo de linguagem. Mas não quero enviesar só para esse campo. O nosso programa de mentoria, por exemplo, também é muito importante, pois as pessoas que já tenham experiência no mercado de trabalho podem ajudar os alunos da Nova SBE a preparem-se melhor para o futuro. No que diz respeito à questão social, penso que o maior evento que organizámos foi o Student Pride Lisbon [Orgulho Estudantil Lisboa] no ano passado. Conseguimos agregar alunos LGBTQI+ de várias faculdades e isso ajuda a criar sinergias. As pessoas podem conhecer-se num ambiente social e desenvolver projetos juntas posteriormente. Ou então podem conhecer membros de outros Clubes LGBTQI+ de outras faculdades. Acho que assim conseguimos tocar em diversos campos.

Membros da Nova Pride Association. Créditos: Nova Pride Association 

G. – Que figuras de referência tendem a convidar para os vossos eventos?

R. L. – Na área educacional costumam ser só os membros do clube a estar presentes. Às vezes, convidamos pessoas para participarem no nosso podcast e tentamos trazer experiências de pessoas diferentes. O último que lançámos teve que ver com saúde sexual e contámos com a participação da sexóloga Rita Torres. Foi discutida a importância da educação para uma boa saúde sexual. O que estamos a tentar fazer agora é desenvolver um evento sobre diversidade e inclusão no mundo académico e gostaríamos de contar com a presença, por exemplo, do professor Paulo Côrte-Real ou da professora Susana Peralta [Professora de Economia na Nova SBE], pois são figuras que já são reconhecidas pelo seu ativismo. Também já considerámos trazer algumas figuras políticas para esta discussão, como a Isabel Moreira. Ainda não demos esse passo, mas considero muito relevante que essas pessoas, que têm um exercício de poder sobre a vida da comunidade LGBTQI+, também estejam presentes nos nossos eventos.

G. – O que sentes que já conquistaram com a existência do Clube LGBTQI+?

R. L. – Diria que o facto de a universidade começar a desenvolver políticas de inclusão e diversidade, e contactar-nos para saber a nossa opinião sobre este tema, já é uma grande conquista. Não só estamos a incluir os alunos neste processo de criação, como também estamos a debater o tópico dos direitos LGBTQI+. O facto de nós existirmos e de estarmos a desenvolver atividades possibilita que os assuntos LGBTQI+ ganhem cada vez mais destaque. A própria faculdade pede a nossa ajuda, e isso é algo de que nos orgulhamos muito.

G. – E em termos de desenvolvimento pessoal? O que sentiste que mudou?

R. L. – Estando num clube, tenho de trabalhar em equipa, e essa é uma capacidade que se vai desenvolvendo muito. Tenho de lidar com a gestão do tempo e, tendo agora uma posição de liderança no clube, tenho de ter a capacidade para delegar tarefas, ter sensibilidade para conseguir falar com certos membros que não estejam a fazer o trabalho a que se propuseram inicialmente. A um nível mais pessoal, diria que antes tinha algum receio de falar em público, de apresentar, expor ideias e, com o Clube, tive de o fazer obrigatoriamente e acabei por evoluir nesse aspeto.

Beach Hangout Outono 2022. Créditos: Nova Pride Association 

G. – Quais são as tuas ambições para o crescimento da Nova Pride Association Student Club?

R. L. – A nível social, gostaria que o clube conseguisse cimentar a festa Student Pride Lisbon como um evento anual. Assim, todas as outras faculdades saberiam que, todos os anos, existiria um evento específico para a comunidade, organizado por nós. Também gostaria de desenvolver uma parceria com a Nova SBE para que, semestralmente, pudéssemos organizar um workshop de linguagem inclusiva e de práticas de um bom aliado com os docentes e o staff da universidade como parte de uma formação obrigatória no âmbito da diversidade e inclusão. A nível de orientação de carreira, gostava de conseguir organizar um painel ou mesmo um pequeno evento em que traríamos um grupo de pessoas LGBTQI+ que trabalhassem em business [negócio], sociologia, política. Ou seja, agregaríamos vários especialistas em matérias LGBTQI+. Por fim, acho que seria importante conseguirmos estabelecer uma ligação mais forte com os outros clubes das outras faculdades, até mesmo em outras zonas do país.

 G. – E com a concretização de todas essas tarefas, o que esperas que mude realmente para os estudantes LGBTQI+?

R. L. – Gostava que não fosse tão tabu falar de certos assuntos. Às vezes é difícil definir quando é que há inclusão ou não. Por exemplo, se a Nova SBE adotar políticas para a inclusão e para a diversidade, não significa que isso se traduza logo num melhor ambiente para os estudantes LGBTQI+. Ainda se discute o porquê de estarmos a falar de orientação sexual ou dos direitos da comunidade LGBTQI+. Gostava que esses temas estivessem tão difundidos que não seria mais necessário estarmos a falar sobre eles. E porque estamos a falar sobre eles? Porque ainda existe discriminação e obstáculos para a nossa comunidade. Temos de conseguir normalizar o assunto. Num mundo ideal, o clube passaria a estar tão cimentado e as nossas ideias seriam tão aceites, que isso deixaria de ser sequer uma questão.

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