Cartaxo, Minde e Alcanena recebem, de 5 a 17 de outubro, a 11ª edição do Festival Materiais Diversos. Este ano o festival é voltado para o encontro e a reflexão de ideias e pensamentos, e põe em primeiro lugar as conversas e a caminhada como espaços de partilha, em relação com as artes performativas.

Em 2021, o Festival Materiais Diversos dá a conhecer uma nova fase de trabalho que se explana na sua programação. Através de 26 atividades e cerca 50 artistas e participantes – 12 conversas, 7 espetáculos nacionais e 2 internacionais, 4 em estreia e 1 em antestreia, o festival é focado na desaceleração, inscrição, pluralidade e acessibilidade, procurando colocar no centro as pessoas e as relações.

Nesta edição, o Festival fomenta a proximidade e agita as formas de pensar fazendo das ideias e experiências um lugar de encontro. "Que paisagens pode um festival criar?", é a conversa que abre o festival no dia 5 de outubro, trazendo 'para a mesa', o desenvolvimento deste festival e de outras atividades fora dos grandes centros urbanos - uma conversa que surge do livro "Paisagens Imprevistas – Outros lugares para as artes performativas" e conta com a participação de Tiago Bartolomeu Costa e Cátia Terrinca. Também a forma como as atividades culturais é disseminada será discutida na conversa "Como comunicamos quando queremos falar de cultura?", tendo como inspiração a Long Table, da artista Lois Weaver. As inquietações, os medos, as vontades e os sonhos para um futuro melhor, as questões ecológicas e as responsabilidades da humanidade são o mote para três conversas com a participação de jovens de diferentes contextos: "Que futuros tenho eu aqui?", "E depois do Paraíso?" e "Outra cidadania é possível?". 

Tal como é hábito acontecer nas outras edições, o cartaz faz-se, também, de projetos internacionais. Nesta edição, Marcelo Evelin foi convidado a criar um objeto artístico de raíz – Filme –, em colaboração com Fernanda Silva e Danilo Carvalho.  O resultado é "uma aventura imagética e sonora, a partir da figura emblemática da onça-pintada: um mamífero em extinção que vive nas matas brasileiras, animal selvagem de força e beleza exuberantes, um mito que incorpora os xamãs nos seus rituais de cura, central nas cosmologias Ameríndias". Alina Ruiz Folini traz a sua nova criação Ruído Rosa, propondo uma experiência corporal de tensão entre pólos não opostos, onde os sentidos não são binários, para observar as várias formas de colaboração, dissociação e ressonância entre oralidade, som e movimento. A peça questiona a escuta, não só do som, mas também das sensibilidades lésbicas e queer, como preocupação com outras formas de pesquisa e criação que questionam as metodologias normativas de criação. Outra das convidadas é a artista chilena Carolina Cifras - que conta com a colaboração de Ana Trincão -, para apresentar Caminhantes, uma jornada em espaço aberto que mobiliza um grupo de pessoas convidadas das áreas da criação, da programação e da produção, para uma experiência imersiva.

Este ano, o festival apresenta quatro estreias e uma antestreia. Para além de Ruído Rosa, Bruno Caracol traz a instalação  "Subterrâneo", a ação "Paraíso Bruto" explora o jardim junto ao Centro de Convívio do Cartaxo, "Palmira", de Anabela Almeida e Sara Duarte, misturam o teatro com a música ao vivo e "O Estado do Mundo (Quando Acordas), de Inês Barahona e Miguel Fragata, leva-nos a pensar o estado natural, político, geográfico, social, histórico, económico e humano do mundo.

O festival encerra no dia 17 de outubro, em Minde, com um Piquenique Comunitário e um concerto de Surma, às 18h30, no Coreto de Minde.

Programa disponível, aqui.

Texto por Patrícia Nogueira
Fotografia de Christine Roy

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