Após ter vencido o Prémio Revelação Ageas Teatro Nacional D. Maria II, Sara Barros Leitão dá a conhecer Heróides, o Clube do Livro Feminista em que já tinha dito que iria investir. Este é o primeiro projeto artístico desenvolvido pela Cassandra, a estrutura artística agora criada pela atriz. As inscrições para o Clube abrem já no dia 1 de janeiro de 2021, e a participação é gratuita e online.

Heróides inspira-se no livro homónimo de Ovídio, no qual o autor escreve diversas epístolas assinadas por heroínas da mitologia grega e romana, endereçadas aos seus amantes. De acordo com o comunicado de imprensa, “ é a partir do nome Heróides que se parte para discutir o lugar de fala e os feminismos, para contrariar a narrativa única e androcêntrica”. 

Este Clube de Leitura Feminista surge da vontade de Sara Barros Leitão de investir “o valor total do prémio num projeto que pudesse multiplicar o pensamento, a leitura, a discussão, e o empoderamento de todas, todos e todas. As sessões decorrerão via Zoom, no último sábado de cada mês, onde a comunidade de leitura se reunirá para discutir um livro que tenha lido nesse mesmo mês.

De acordo também com o comunicado de imprensa, cada sessão tem a duração aproximada de duas horas e terá sempre interpretação em Língua Gestual Portuguesa. As inscrições, que poderão ser feitas em www.cassandra.pt/heroides , serão abertas mês a mês. Uma vez que o número de vagas será limitado, será possível acompanhar o Clube através do site, onde o livro do mês será divulgado e onde será, também, aberto um fórum escrito para troca de ideias e partilhas de pensamento. 

Ao todo serão doze sessões, e os doze livros já foram escolhidos por doze convidadas e convidados, que estarão a orientar a sessão que lhes diz respeito. A sessão de janeiro, marcada para o dia 30, será orientada por Shahd Wadi, e a leitura proposta é o livro da sua autoria “Corpos na trouxa - Histórias - artísticas - de - vida de mulheres palestinianas no exílio”. 

Nos meses que se seguem serão lidos livros propostos por Sara Carinhas, Ana Catarina Correia, Mónica Assunção, Verónica Lopes, Joana Cottim, Angella Graça, Alcina Jacinto Faneca, Sofia Frade, Numa, Marco Mendonça e Paula Cardoso, de entre os quais já se podem destacar “Todos devemos ser feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie, “Medeia”, de Eurípides, “Beloved”, de Toni Morrison, “As ondas”, de Virginia Woolf, “Carta à minha filha”, de Maya Angelou, e “Trans Iberic Love”, Raquel Freire.

Cassandra, a estrutura de criação artística fundada por Sara Barros Leitão este ano, rende homenagem através do seu nome à mulher que Apolo amaldiçoou por ter recusado a sua sedução, tornando-a capaz de prever o futuro sem que ninguém acredite nela. É na senda deste “encorajamento à criação, mesmo sabendo da dificuldade de ser ouvida”, “uma característica não muito diferente da de todas as mulheres”, que se apresenta esta nova estrutura que quer das espaço a lugares de escuta e de fala. Além do Clube, Cassandra tem previsto para 2021 a estreia de um espetáculo e a criação de um podcast. Podes saber mais sobre a Cassandra, aqui.

Texto de Carolina Franco
Fotografia de Matilde Cunha

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