Quando o período de confinamento começou, Luís Belo e Carlos Salvador viram o seu trabalho no Shortcutz Viseu a parar, inevitavelmente. Juntos criaram short/age, um diretório de curtas metragens online que vai hoje para a sala de cinema. 

Tudo começou quando ambos identificaram “uma lacuna”: ser “difícil ver curtas portuguesas online”, como partilhou Luís com o Gerador. “Eu e o Carlos já programámos sessões suficientes para saber que o talento existe. As curtas estão até disponíveis, mas espalham-se por todo o lado. Então decidimos começar a fazer essa procura e facilitar o caminho para quem pretende o mesmo: um diretório de trabalhos portugueses, compreensível.” 

Ainda assim, o programador explica que “era importante não ficar por aqui”. Tendo o apoio financeiro do Município de Viseu para realizar sessões e que “neste ano seria muito difícil realizar todas” as que previam, Luís e Carlos optaram por redirecionar parte das verbas para a encomenda de novos argumentos. “Primeiro porque podemos apoiar os autores, e depois porque a história, o argumento, é um ponto fulcral de qualquer curta-metragem. Ao disponibilizar este texto, com todas as suas características técnicas, revela-se um pouco do processo de criação, ao mesmo tempo que exploramos as ideias destes autores. Abrir espaço para essa conversa é o fundamento do projeto”, conta o programador.

Neste projeto pensado a dois existe uma lógica colaborativa. Primeiro um autor escreve o argumento, que depois resultará numa obra sonorizada por um compositor e ilustrada por Susa Monteiro. “O Primeiro Acto da Tranquilidade” é a primeira resposta ao convite de Luís e Carlos, neste caso recebido por Guilherme Gomes  e com uma trilha sonora de Samuel Martins Coelho. 

Confessa ao Gerador que sente que “parece que tudo será diferente depois da pandemia” e que essa mudança terá, naturalmente, consequências no cinema. “It’s a New Age. O argumento escrito por Luís Campos, “Novo Normal”, sairá no final deste mês e é já um reflexo desta mudança porque passamos. Comenta o estado da nossa sociedade e a rapidez com que pode definhar. Não sei ao certo como o cinema curto pode mudar estes novos tempos, mas como reflexo de uma sociedade e pensamento, estes tempos irão mudar o cinema, a começar pela forma como o vemos. Num ecrã lá de casa. Com o short/age essa transição pode, pelo menos, ser menos dolorosa.”

Hoje, 19 de junho, voltam à sala de cinema de que tiveram de se despir à pressa. Ainda que com uma lotação muito reduzida, e seguindo as recomendações da Direção Geral de Saúde (DGS), não só será possível ver novos filmes, mas também ouvir os seus realizadores. Entre os nomes confirmados está já Paulo Furtado, mais conhecido enquanto The Legendary Tigerman, para apresentar a sua curta “Amor Quântico”. 

Este regresso à sala, ainda que comedido, é visto por Luís Belo com entusiasmo: “o cinema, numa sala, torna-se uma experiência mais envolvente, de comunidade. É insubstituível rir e ouvir o riso de quem nos rodeia, ou comover-nos e sentir o silêncio de todos. Voltar a uma sala é poder partilhar essa experiência novamente, ainda que agora a distância exigida possa dar resultados diferentes. Para o short/age significa mais conteúdos.”  

“A nossa intenção é, a curto prazo, partilhar parte dessas conversas com o público do short/age, que esperamos, é muito maior que aquele que teve lugar na sala”, partilha por fim Luís. Para quem não se pode deslocar até à sala, o mergulho neste projeto pode ser dado aqui

Texto de Carolina Franco
Printscreen do site do short/age
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