O Shortcutz está cada vez mais presente nas cidades portuguesas. Em janeiro de 2020, este movimento internacional, dedicado ao cinema português, estreou-se no Atlas, em Leiria. Amanhã, dia 6 de fevereiro, decorre a terceira  sessão com novas curtas-metragens.

Em Leiria, o Shortcutz acontece duas vezes por mês com o objetivo de apresentar uma oferta cultural regular na área do cinema. Este projeto leva uma seleção cinematográfica aos cafés e aos bares, entre amigos, e com a possibilidade de se conversar com os autores no final.

Rui Pereira e Patrícia Schürmann são os responsáveis pela organização e extensão desta iniciativa até Leiria. A ideia inicial surgiu no verão de 2019, quando Rui estava a trabalhar em Lisboa e pensou: “Afinal acho que estou um bocadinho ‘farto’ da minha vida aqui, apetece-me voltar à base.” Contudo, comparativamente com a capital, “havia falta de uma oferta cultural atrativa para os jovens e entusiastas da cultura, com uma frequência constante”. Como já tinha conhecido o Shortcutz, pareceu-lhe uma mais valia procurar integrá-lo na programação de Leiria. “Surgiu-me então a ideia do Shortcutz, pois é uma plataforma de cinema e acontece com regularidade, o que iria colmatar essa falha.”

O conceito deste projeto foge um pouco à regra dos movimentos cinematográficos conhecidos: “O Shortcutz acaba por ser uma plataforma, mais do que um festival.” Consoante a cidade do mundo onde é implementado, são definidas sessões regulares. Essas sessões decorrem geralmente “num espaço descontraído (fugindo da formalidade das salas de cinema), de acesso gratuito, exibindo filmes da nacionalidade do país onde está a decorrer e trazendo os autores dos filmes para uma conversa com os espectadores”.

A programação deste movimento engloba uma competição com o foco de dar espaço de divulgação a novos autores. E, ainda, a programação convidada, um espaço de dialogo aberto sobre assuntos como o ambiente, a sociedade, os direitos humanos, a psicologia e outros:  “Aqui, temos a possibilidade (e o dever?) de, enquanto programadores culturais, apresentar trabalhos que abordem temáticas específicas, para trazer para discussão assuntos da atualidade, assuntos tabu, assuntos desconhecidos.” Em cada sessão é costume apresentarem-se os dois filmes em competição e, depois, o filme convidado.

No dia 6 de fevereiro, às 22h, decorre a terceira sessão. As projeções em competição são Mestre Bessa, de Pedro Nogueira, e Morpheu, de Bruno Madeira. O filme convidado, Pronto, Era Assim, traz as realizadoras Joana Nogueira e Patrícia Rodrigues ao evento através de Skype. Em destaque, está um documentário de animação que aborda temas como a solidão na velhice e o desmoronar de sonhos antigos.

O ambiente descontraído dos espaços que servem como salas de cinema é algo característico deste projeto internacional. Neste caso, o Atlas, em Leiria, foi o local pensado para acolher a programação do Shortcutz: “Oferecia as condições necessárias e o ambiente desejado e, sendo um espaço onde já decorrem outras atividades culturais (concertos, conversas, jantares temáticos), o Shortcutz Leiria seria uma ótima aposta na programação deles”.

A última sessão do ano acontece em dezembro, quando também se apresentarem os filmes vencedores, eleitos pelo júri e pelo público. 

Texto de Mafalda Lalanda
Imagem via Shortcutz Leiria

Se queres ler mais notícias sobre a cultura em Portugal, clica aqui.