Foi Amália a musa que lhe deu o canto. Depois da sua morte, em 1999, debruçou-se sobre as letras das suas músicas. Com 9 anos de idade escreveu os primeiros poemas e, durante seis anos, nasceram-lhe cerca de duzentos. Aos 15 anos, publicou o seu único livro de poesia, Condensação (2005). Contudo, foi na prosa que encontrou a sua casa. Afonso Reis Cabral recebeu o Prémio Leya, com o romance O Meu Irmão, em 2014, tornando-se o vencedor mais jovem deste prémio. Trata-se de uma obra sobre a relação de dois irmãos, um dos quais, depois da morte dos pais, ficará responsável pelo outro, portador de síndrome de Down.

Passado três anos, foi-lhe atribuído o Prémio Europa David Mourão-Ferreira, na categoria de Promessa, e, em 2018, o Prémio Novos, na categoria de Literatura. Em Outubro deste ano, o Prémio Saramago deveu-se a Pão de Açúcar, uma narrativa a partir do caso de Gisberta, a transexual bresileira sem-abrigo, que foi morta por 14 rapazes no edifício conhecido como "Pão de Açúcar", no Porto, cidade natal de Afonso Reis Cabral. Considera que esta foi a obra que o constituiu como escritor.

Depois de a ter escrito, desejou escrever outro livro e viajou no camião TIR para a Alemanha, como havia feito aos 13 anos de idade. A partir das anotações que foi recolhendo, surgiu a semente de um romance por vir ou "talvez “o TIR” seja o livro necessário para escrever outros", contou ao Jornal i.

Neste Verão, o escritor percorreu a EN2, a maior estrada do país, a pé. Chegou a um livro de viagens, Leva-me Contigo, onde conta os encontros do caminho de Chaves a Faro.

Recentemente, foi-lhe atribuída, pelo Ministério da Cultura, uma bolsa de criação literária, destinada a doze autores nacionais.

Afonso Reis Cabral aceitou a proposta Geradora e deu-nos sugestões para acalmar o rebuliço natalício:

Um livro

Lisboa Chão Sagrado, de Ana Bárbara Pedrosa

Um CD

Thanks for the Dance, Leonard Cohen

Um filme

Mary and Max, de Adam Elliot

Um evento cultural a não perder

Vemo-nos ao Nascer do Dia, no Teatro Politeama

O que não te pode faltar na mesa de Natal?

Peru e paciência

 

Texto de Raquel Botelho Rodrigues
Fotografia de Marta D'Orey

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