O Chef Hugo Brito nasceu em Lisboa, em 1974. Estou Sociologia na Universidade Nova de Lisboa, mas cedo sentiu que o seu caminho não seria por ali. Através de uma namorada, que era artista plástica, entrou no mundo das artes, quando visitaram a ARCOmadrid, Feira de Arte Comtemporânea, em Madrid, e a exposição de Bruce Nauman, no Museu Reina Sofia. Formou-se em Artes Plásticas no Ar.Co, área em que realizou uma pós-graduação em Amsterdão, onde, também, descobriu a cozinha. Para “arranjar uns dinheiros”, começou como copeiro, depois passou para ajudante de cozinha. Reconhecendo o seu talento, os responsáveis do restaurante ofereceram-lhe um curso de cozinha. Em part-time, manteve esta actividade com a de artista plástico. Quando regressou a Portugal, em 2003, recebeu uma bolsa de criação artística da Fundação Calouste Gulbenkian e leccionou no departamento de Vídeo do Ar.Co.

A partir de 2009, entregou-se inteiramente aos sabores. Hugo foi Sous-Chef do 100Maneiras e, em 2014, abriu, com o Chef Pedro Duarte, o restaurante Boi-Cavalo, em Alfama. “Restaurantes há muitos, mas para mim o curioso é como transformar um sítio de comida numa casa. Na nossa cultura comer tem uma ligação muito forte à família”, disse numa entrevista ao Café dos Artistas.

 

Hugo Brito aceitou a proposta Geradora e deu-nos sugestões para acalmar o rebuliço natalício:

 

Um livro

Há magia no ar nesta altura, não é? Por isso, oferecia os contos de fadas (impossivelmente enegrecidos) de A Wild Swan and Other Tales, do Michael Cunningham, mas com a advertência que não abrissem o embrulho antes de 15 ou 20 de Janeiro, para não estragar as festividades.

Um CD

O 30 Greatest Hits: Portrait of a Legend 1951-1964, do Sam Cooke. Ainda melhor se for em vinil.

Um filme

Se for para me oferecerem, é o Against all Odds, que ando a tentar rever há anos. Senão, é o Salteadores da Arca Perdida, não por ser o meu filme preferido (que é), mas porque, mal pressionem play, seja dia de natal ou outro dia qualquer, ninguém volta a desviar os olhos do ecrã (mesmo que todos o tenhamos visto uma dúzia de vezes).

Um evento cultural a não perder 

Sem dúvida nenhuma, ESPELHO, a exposição do Rui Sanches na cordoaria. Já inaugurou há algum tempo, mas está aberta ainda até 12 de Janeiro. O Rui Sanches é, para mim, o mais incontornável dos artistas portugueses das décadas de 80 e 90, e dá-me uma alegria enorme reencontrar esculturas dele, que são velhas amigas, e, mais ainda, ver que o trabalho dele continua vital, continua pertinente. E gosto muito que a curadoria do Delfim Sardo (como é, aliás, habitual), não seja uma coisa tímida ou apagada, mas um diálogo muito empenhado e pessoal.

O que não te pode faltar na mesa da ceia de Natal?

Bacalhau e as coisas todas que vêm com ele, claro! Sou muito chato com a qualidade dos produtos nestas alturas, com o bacalhau, sim, mas também com as couves, as batatas e, principalmente, muito chato com o azeite. O azeite tem que ser mesmo, mesmo, bom.

Este artigo não segue o Novo Acordo Ortográfico

Texto de Raquel Botelho Rodrigues
Fotografia de Vera Marmelo

Se queres ler mais crónicas da Pergunta da Sorte, clica aqui.