Chama-se "Verona" por coincidência de um livro e de um mapa. Na altura em que os seus pais estavam a escolher o nome, um dos seus três irmãos estava a ler Romeu e Julieta, de William Shakespeare, e, por curiosidade, abriu, aleatoriamente, com o pai, um mapa. "Por acaso, ficou "Verona", contou numa entrevista a Fernanda Câncio.

A actriz luso-brasileira, com nome de cidade italiana, eleita por um inglês, nasceu em 1989, em São Luís do Maranhão. Filha de pais portugueses, chegou a Portugal com 9 meses e viveu em várias regiões do país, acabando por regressar ao Brasil, aos 10 anos de idade. Contudo, foi em Almodôvar, onde vivia, aos 8 anos, que actuou pela primeira vez. Tratava-se de "um espetáculo amador encenado pelo professor de Filosofia do secundário de um dos meus irmãos (seis anos mais velho, hoje músico), chamado Tribunal Ético Moral. E que era de improvisação. (...) O enredo andava à volta de uma criança que um casal lésbico queria adotar. Eu era a criança e tinha de convencer o tribunal de que devia permitir que aquelas duas mulheres me adotassem. Isto em 1998, no Alentejo", comenta Joana de Verona na mesma entrevista.

Estudou teatro no Chapitô e prosseguiu para Escola Superior de Teatro e Cinema. Entre outras formações, fez um curso de documentário nos Ateliers Varanem Paris. Aos 18 anos, quando viu o filme japonês Nobody Knows (2004), de Hirokazu Koreeda, descobriu um caminho que também queria habitar. Nesta escola, realizou o seu primeiro documentário, Chantal (2013). Para além de Paris, Portugal e Brasil, também morou e trabalhou em Berlim.

Nas margens do Atlântico, o seu trabalho tem passado por telenovelas, cinema autoral e peças de teatro, as quais, ultimamente, têm vindo a integrar a companhia de teatro de Mônica Calle, Casa Conveniente, em Portugal. Foi no Brasil, em 2001, que se estreou em televisão, com a mini-série Presença de Anita, de Ricardo Waddington e Alexandre Avancini, exibida pela Globo, mas a sua entrada no cinema foi através de Sombras - Um filme Sonâmbulo (2008), de João Trabulo. Em 2010, recebeu o Prémio de Melhor Actriz, com o filme  Como Desenhar um Círculo Perfeito (2009), de Marco Martins, no Film Festival do Rio de Janeiro, bem como com Mistérios de Lisboa (2010), de Raúl Ruiz, no Lisboa & Estoril Film Festival. No ano seguinte foi distinguida, na mesma categoria, no Cineport (Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa). Em 2012, foi nomeada pelo jornal brasileiro O Globo como uma das três novas beldades do cinema europeu, ao lado da francesa Léa Seydoux.

Neste momento, está a gravar a novela Éramos Seis, de Carlos Araújo, uma produção da TV Globo.

 

Joana de Verona aceitou a proposta Geradora e deu-nos sugestões para acalmar o rebuliço natalício:

Um livro

A Queda do Céu (A partir de relatos de Davi Kopenawa, xamã e líder dos índios yanomami)

Um CD

Amazon River, de Philip Glass e Ascensão, de Serena Assunção

Um filme

Shoplifters, de Hirokazu Koreeda

Um evento cultural a não perder

Um bom espectáculo de dança ou teatro

O que não te pode faltar na mesa de Natal?

Pessoas amadas

*Este artigo encontra-se ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1945

Texto de Raquel Botelho Rodrigues
Fotografia de Nana Moraes

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