Moullinex é o alter ego de Luís Clara Gomes, referência nacional da música disco. Trabalha como produtor, DJ e é também músico multi-instrumentista. Juntamente com Xinobi, fundou a Discotexas (DTX), plataforma dedicada ao lançamento de música electrónica (mas não só) e à reunião/partilha entre músicos. Se quiseres saber mais sobre os artistas que fazem parte da família DTX clica aqui. O primeiro álbum de Moullinex, “Flora”, foi lançado em 2012. Um dos temas mais conhecidos é “Take my Pain Away”. Seguiu-se “Elsewhere” (2015), e Hypersex (2017).

Take My Pain Away, Flora, Moullinex

O álbum “Hypersex” é apresentado como uma carta colectiva de amor ao mundo da noite, à azáfama das discotecas e das suas pistas de dança. Neste trabalho, para além de Moullinex, estão implicados os artistas Ghetthoven, Gui Salgueiro, Diogo Sousa e Gui Ribeiro. “Acreditamos que podemos dançar para um mundo melhor. Um mundo com espaço para todos, independentemente da origem, ideias políticas, raça, religião, género e sexualidade”, diz-nos a descrição oficial de “Hypersex”. O discurso é pró-inclusão.

Luís Clara Gomes nasceu em Viseu e tem 35 anos. Antes de se dedicar à música a tempo inteiro, era investigador nas áreas da Neurologia e Astronomia. “Estudei Engenharia de Computadores e Telemática na Universidade de Aveiro, onde também concluí um Mestrado na área dos Brain-Computer Interfaces, o que me levou a Munique, para iniciar um doutoramento”. Contudo, a música esteve sempre presente. Foi crescendo a necessidade de lhe dedicar cada vez mais tempo e, a determinada altura, Luís deixou a investigação. “Não excluo a possibilidade de voltar!”, acrescenta. Quando questionado sobre novos projetos, Luís Clara Gomes revela que está a preparar o seu quarto álbum. “Espero começar a desvendá-lo no ano que vem”, conclui.

Moullinex aceitou a proposta Geradora e deu-nos sugestões para acalmar o rebuliço natalício:

Um livro

Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa

Um CD

Carlos Bica & Azul: Azul, de Carlos Bica

Um filme

Escolher um é difícil. Por isso, dois: “Verdes Anos” (1963) de Paulo Rocha, pela incrível banda sonora, e “O Filme do Desassossego” (2010) de João Botelho, pela audácia.

Um evento cultural a não perder

DTX Marks the Spot, no Lux Frágil (Lisboa), dia 6 de dezembro.

O que não te pode faltar na mesa de Natal?

Polvo frito. E couves cozidas em panela de ferro. Um clássico na minha família.

Ainda sobre a época natalícia, Moullinex acrescenta “Choca-me a quantidade de desperdício, de ansiedade e de stress que são gerados todos os anos por construirmos, enquanto sociedade, muitas expectativas à volta do Natal. Na verdade, o que mais valorizo nesta altura do ano é o facto do mundo inteiro parar. É uma altura perfeita para nos dedicarmos, seja à nossa família ou aos amigos, seja àquela mesa de doces, seja à introspecção que esta quadra permite. As minhas sugestões são válidas para todo o ano. Talvez sejam boas para aproveitar estes dias também.”

Texto de Maria Costa
Fotografia de Nash Does Work

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