Entre os dias 27 de agosto e 1 de setembro o FUSO – Anual de Videoarte Internacional de Lisboa regressa para a sua 11ª edição. Antoni Muntadas e Pedro Barateiro são os dois artistas convidados no evento que terá projeção de vídeo ao ar livre durante seis noites, com sessões gratuitas nos jardins e claustros de alguns museus da cidade.

O tema desta edição é a sustentabilidade, caminhando os diferentes programas curatoriais neste sentido. Sandra Vieira Jürgens ficou responsável pelos quatro vídeos de artistas contemporâneos portugueses, que levantam questões como a emergência ambiental no tempo de transformação que se vive, indo das causas passadas às consequências futuras. Futuro Presente, o programa pensado pela curadora, é composto por trabalhos de Francisco Pinheiro & Paulo Morais, Marcelo Felix, Nikolai Nekh e Nuno Barroso & Veronika Spierenburg.

Além do programa de Sandra Vieira Jürgens, o festival conta ainda com A obra de Floris Kaayk, com seis vídeos do artista holandês, curado por Tom Van Vliet; três trabalhos reunidos pelo brasileiro Moacir dos Anjos que refletem “as suas inquietações perante a violência e o racismo no Brasil e que contribuem para uma mudança, indicando que a sustentabilidade – social, ética, política e cultural – de uma comunidade também depende do combate ao racismo”, conforme indica o comunicado de imprensa.

Margarida Mendes, curadora e investigadora portuguesa, preparou Hidrológicas, um programa composto por 4 vídeos de artistas da Áustria, Colômbia e Qatar/EUA, “que exploram as diferentes multiplicações de natureza, perspectivando a noção de escala e a nossa própria posição, numa permanente equação de fluxo.” Já Lori Zippay, curadora norte-americana, apresenta o trabalho de Jacolby Satterwhite e Nam June Paik com “Global Groove” Revisitado, uma sessão criada a partir dos arquivos da Electronic Arts Intermix que põe lado a lado uma obra digital e uma analógica, separadas por quarentas anos mas muito próximas na temática. 

Antoni Muntadas e Pedro Barateiro são os dois artistas convidados a apresentar trabalho no FUSO. Pedro Barateiro, o artista convidado português, leva A Viagem Invertida (Espelho), para abrir a 11ª edição do FUSO na Travessa da Ermida, a 27 de agosto. A obra que parte de uma investigação sobre a extracção de lítio em Portugal, bem como o seu uso — quer na indústria tecnológica, quer na medicina — foi criado para a BoCA – Biennial of Contemporary Arts e apresentado pela primeira vez no Teatro Nacional D. Maria II

No dia 29 de agosto serão apresentadas as obras dos artistas portugueses ou estrangeiros a residir em Portugal, que se candidataram através da Open Call aos prémios FUSO | EDP / MAAT Aquisição e FUSO | RESTART Incentivo, selecionados por Jean-François Chougnet, o diretor artístico do festival. 

Paralelamente à programação do FUSO e com “o objetivo de promover e incentivar os novos artistas”, a parceria com a Ar.Co – Escola de Arte e Comunicação Visual e com o Turismo de Lisboa foi renovada, permitindo a exibição de trabalhos de alunos do curso de Imagem em Movimento nos 18 ecrãs do Canal Lisboa, espalhados pela cidade durante a semana em que decorre o festival. 

Criado em 2009, o FUSO assume-se como “o único festival de videoarte que decorre ao ar livre em Lisboa”. Durante seis noites recebe artistas, curadores, instituições e o público que se quiser juntar para ver e pensar videoarte em conjunto. 

O FUSO – Anual de Videoarte International de Lisboa insere-se no programa Lisboa na Rua, promovido pela EGEAC. Ocupa espaços como a Travessa da Ermida, a Praça do Carvão Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), Jardim do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Jardim do Museu Nacional de Arte Antiga, Claustro do Museu Nacional de História Natural e da Ciência e Claustro do Museu da Marioneta. A entrada é livre e o programa completo pode ser consultado aqui

Texto de Carolina Franco
Still de Video is Television de Antonio Muntadas

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