De 14 de outubro a 7 de novembro, Temps d'Images apresenta o seu Momento II. A segunda parte da 19.ª edição conta com quatro estreias absolutas e aborda o cruzamento entre arte ao vivo e imagem.

A resposta é clara, "tudo muda", mas Temps d'Images decidiu dividir esta certeza e pensar sobre ela em dois momentos. Em 2021, no conjunto dos dois momentos de exibição, o Temps d'Images traz um total de 14 obras, entre estreias absolutas e primeiras apresentações em Lisboa, que abrangem o teatro, a dança, a instalação e a performance.

Entre 12 de maio e 6 de junho, Lisboa recebeu o primeiro momento composto por diversas obras como Ghost, de Luís Marrafa, Mappa Mundi, de Joana de Verona e Eduardo Breda, Andrómeda, de Luciana Fina, Perfect Match, e YOLO, de Sara Inês Gigante. Num segundo momento, Temps d'Images continua a levar as artes a lugares relevantes e que, de alguma forma, se harmonizam com as obras, com datas marcadas entre 14 de outubro e 7 de novembro.

No dia 14 e 15 de outubro estreia, na Casa do Capitão - Fábrica do Pão, A Importância de ser Alan Turing, onde Miguel Bonneville continua o seu projeto de uma série de espetáculos sobre as vidas e obras de artistas e pensadores cuja importância tem sido vital no seu percurso artístico. A 23 e 24, o coreógrafo Gustavo Ciríaco apresenta-nos a performance duracional Cobertos pelo Céu / Paisagem em Linha, uma estreia absoluta que se apresenta na Galeria Avenida da Índia. Este projeto une as artes performativas às visuais na relação entre arte e paisagem, entre discurso poético e experiência de mundo, com vista à criação de uma coleção de instalações e performances concebidas pelo coreógrafo em colaboração e diálogo com artistas de Portugal, Alemanha, Brasil, Argentina, Reino Unido e Chile.

Cobertos pelo Céu / Paisagem em Linha | Fotografia de João Grama

Nas mesmas datas e local apresenta-se a estreia em Lisboa de Salão para o Século XXI, de Isabel Costa, uma peça, onde seres humanos habitam um salão de arte gastando o seu tempo a refinar a sua forma de falar e de conversar. De 25 a 29 de Outubro a estrutura Terceira Pessoa traz QR Code, à Rua das Gaivotas, 6. Terceira Pessoa apresenta-nos assim uma instalação multimédia e performativa que explora a visualização gráfica de códigos bidimensionais — Quick Response Code — como via de criação, com outras linguagens artísticas, para a conceção e pesquisa do conceito de “Media as Extensions” de Marshall McLuhan, na capacidade de os meios de comunicação serem extensões das faculdades humanas, podendo transferir para o espaço presente a realidade global e a sua consequente contaminação.

A 28 e 29, na Blackbox do CCB, Cláudia Gaiolas, Paula Diogo, Alexander Kelly e Chris Thorpe apresentam a quarta estreia absoluta deste Momento II do Temps d'Images 2021A Estação de Outono - Ciclo Sobre Lembrar e Esquecer III, para nos falar sobre o modo como a memória opera nas nossas vidas.

A Importância de ser Alan Turing | Fotografia de Margarida Ribeiro

O último fim de semana do festival - 6 e 7 de novembro - traz-nos Missed-en-Abîme, de Rogério Nuno Costa, no Museu Coleção Berardo, onde o performer, investigador, professor e escritor, reflete sobre um gesto (centenário) de Duchamp, que pode ser lido enquanto destruição, revelação, ou simplesmente ostracismo auto-imposto, como se fosse impossível fazer seja o que for depois de se ter obliterado (quase) tudo. O festival fecha com Dobra, de Romain Beltrão Teule, no Museu Nacional do Teatro e da Dança, uma performance dentro da qual o conferencista começa por contar uma viagem onde teve a sensação de ser perseguido pelo seu duplo maléfico, "o seu doppelgänger", ao mesmo tempo a que assistia a filmes franceses dobrados em japonês e se apaixonou por um designer de móveis desempregado que ganhava sua vida trabalhando em filmes de ação enquanto duplo de um famoso ator.

O programa pode ser consultado, aqui.

Texto de Patrícia Nogueira
Fotografia de Leonor Fonseca

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