Na próxima segunda-feira, dia 19 de outubro, arranca em Castelo Branco, a 1.ª edição do Singular, um ciclo de criação artística pluridisciplinar, organizado pela Terceira Pessoa, estrutura local que desenvolve projetos caracterizados pelos cruzamentos disciplinares.

Através de um programação que se estende até ao dia 12 de dezembro e por onde vão passar, entre outros, o artista plástico João Dias ou o coletivo Os Espacialistas, pretende-se “provocar o questionamento” através do “novo”, materializado em propostas híbridas, que passam pela performance, pelo teatro ou pela instalação.

Em entrevista ao Gerador, Ana Gil e Nuno Leão, a dupla responsável pela Terceira Pessoa, explicam a importância de se ter criado uma Fábrica da Criatividade na cidade, que contribui decisivamente para a realização deste ciclo e que tem igualmente contribuído para a criação de sinergias entre artistas da região. A par disso, passamos em revista o trabalho desta estrutura que tem primado por um conjunto de propostas artísticas, que nem sempre são fáceis de comunicar ou de dar a conhecer, sobretudo em regiões muitas vezes marcadas pela falta de acesso ou de oferta cultural.

Gerador (G.) – Como é que surgiu este Singular e que objetivos tem?
Nuno Leão (N.) – O Singular surge, em primeiro lugar, quando a Terceira Pessoa passa a ter uma Fábrica da Criatividade na sua cidade. De repente nós passamos de sete anos sem um espaço regular de trabalho, mas  fazendo inúmeros projetos para, finalmente, ao oitavo ano de vida termos em Castelo Branco um espaço regular de trabalho, não só para nós mas para todo o tecido cultural e criativo da cidade e da região. Então começamos a olhar para este espaço que é novo mas sabendo que o que nos interessa, mais do que o edifício, é a dinâmica entre os projetos e entre as pessoas, a dinâmica social e cultural da cidade onde vivemos. Neste sentido começámos a procura do novo. Ou seja: o que é que nós enquanto Terceira Pessoa podemos propor para arriscar esse “novo” em Castelo Branco? Esse novo tem que ver com uma dinâmica social e cultural e o Singular surgiu como uma tentativa de o provocar. Ou seja, é uma proposta que a Terceira Pessoa faz para a Fábrica da Criatividade num primeiro sentido para torná-la mais pública, mais frequentada e mais conhecida pelas pessoas da região. E num segundo lugar com propostas que são singulares. O nome vem do tipo de propostas dos artistas e dos projetos que compõem a programação; as quais, acreditamos nós, são propostas difíceis de categorizar. Não sabemos muito bem se aquilo que estamos a ver é uma performance ou uma instalação. Se é teatro, se é música, se é fotografia. Interessa-nos a ideia de provocar um questionamento com as propostas deste Singular.

Ana Gil (A.) – Sim. Algo mais híbrido, que se situa entre a performance e a instalação e que cruza algumas algumas disciplinas artísticas. É óbvio que há trabalhos que são assumidamente mais da área performativa ou mais da área do teatro. É o caso do coletivo LAMA, por exemplo, com o espetáculo Romeu e Romeu. Nas instalações, por exemplo na Phobos, da Sonoscopia, ou na instalação Freezing Mass, do artista plástico João Dias, a coisa já se vai misturando um bocadinho mais e, de certa forma, a escolha e a seleção destes projetos para esta programação tem que ver também com esse lado meio híbrido, difícil de categorizar e algo que, de alguma forma, não costumamos ver na nossa cidade ou que pelo menos não foi programado cá. Permitir às pessoas o acesso a outras coisas que, por exemplo,  ainda não tiveram a oportunidade de ver na cidade.

G. – Este ciclo já estava de alguma forma no forno?
N. – Sim. Ele começou a estar no forno em 2016, quando nós desenvolvemos, durante esse ano, oficinas de expressão artística pluridisciplinar com grupos informais em Castelo Branco. Desenvolvemos essas oficinas com várias idades e o projeto final era o de se programar um evento pluridisciplinar, mais ou menos com estas características, onde as pessoas caminham entre o teatro, a performance e a instalação. Ou seja, uma experiência quase de derivação e de divagação por entre objetos, tentando esbater as fronteiras à medida que passas de um para o outro.

G. – Mas precisava dessa maturação até do próprio coletivo para poder consolidar as suas ideias?
A. – Precisava de uma maturação e eu acho que isto foi a consequência também dos diferentes desafios que nós íamos lançando aos participantes dessa oficina, que também partiam de referências das artes visuais, da literatura ou fotografia. Ou seja, os participantes de alguma forma também estavam abertos à experimentação, ao conhecimento e curiosos em relação a outras coisas. De certa forma este Singular é, se quisermos ser bastante honestos, o fruto dessa oficina de criação.

N. – O fruto brotou agora porquê? Porque na altura não havia uma Fábrica de Criatividade, ou seja não havia um espaço tão potencial como este e não haviam recursos financeiros para isso. Na altura a Terceira Pessoa não era uma estrutura com o apoio sustentado da Direção-Geral das Artes, como é hoje. Não era uma estrutura com apoio para um projeto específico da Fundação Calouste Gulbenkian, como é hoje.

G. – Já falaram de alguns nomes que compõem esta programação mas como é que ela foi desenhada?
N. – Há nomes que vêm de uma convivência do trabalho artístico que já dura há algum tempo, nomeadamente alguns coletivos com quem temos tido sempre uma relação constante e porque têm os seus projetos também, digamos assim, descentralizados de Lisboa ou Porto. O LAMA é um coletivo de Faro, do Algarve e o Um Coletivo está em Elvas. Nestes casos, existem muitos pontos de contato e existem muitas experiências que vemos uns dos outros, falando sobre elas no sentido de perceber o que corre melhor ou o que corre pior. Há uma afinidade desta vivência em territórios de baixa densidade populacional, mas ainda assim que têm uma criação regular e que propõem projetos de índole assumidamente contemporânea, de pensamento e de experimentação. Depois existem casos, como por exemplo Os Espacialistas, que são para nós um caso paradigmático deste carácter híbrido da criação. São um coletivo que nós acompanhamos há imenso tempo, cujo trabalho nos inspira até no nosso modo de criar e que tinham estado em Castelo Branco há cinco anos atrás, em 2015; na altura disseram-nos que ficaram fascinados com o Jardim do Paço. Por isso é que, em 2019, quando estávamos a cozinhar o Singular nos lembramos de os convidar, sendo que vamos ter uma vertente para artistas que ficam mais tempo em residência para criarem um projeto específico na cidade. É o caso d’Os Espacialistas que vão fazer um projeto no Jardim do Paço intitulado “O espaço cura tudo”, que é um inédito.

A. – No caso do Freezing Mass, Phobos e Ensaios para Livro-Caractere, a seleção destes artistas para este ciclo teve precisamente que ver com a questão da disciplina artística que é cruzada e atravessada por outras coisas. Ou seja, o Ensaios para livro-caractere é uma performance que resulta numa instalação final. A própria instalação sonora Phobos é permeável à interação com o espectador, provocando-o à ação e imersão. Já no caso da instalação Freezing Mass, que resultará numa intervenção que o João Dias vai fazer na fachada exterior da Fábrica, o que resulta é um objeto sui generis, que de repente ocupa aquela fachada e pode captar pelo menos a atenção de quem por ali passar estes meses. Acho que é sobretudo isto. Se por um lado há afinidade com estruturas que estão fora dos grandes centros, há por outro o cruzamento das disciplinas e de não se ser capaz de categorizar uma coisa única e exclusivamente como instalação sonora, como performance ou como outra coisa qualquer.

G. – Grande parte dessas propostas acontecem na Fábrica da Criatividade mas de alguma forma elas também estão viradas para o tecido urbano. Essa ligação tem a ver com essa ideia de abertura perante a cidade?
N. – Eu acho muito simbólico e na verdade é também muito político, no sentido de um olhar sobre a cidade. Esta abertura ao exterior de um espaço como o da fábrica, em que nós programamos este ciclo precisamente para o abrir. E o facto do Frreezing Mass do João Dias inaugurar, de certa forma, este ciclo, acaba por ser um gesto simbólico de desconfinamento da própria fábrica. E depois há o caso d’Os Espacialistas, que estarão a trabalhar no Jardim do Paço e na cidade, e por isso acabam por estar em constante performance; se quisermos ser rigorosos Os Espacialistas vão estar em performance de 8 a 12 de dezembro. Porque, na verdade, são figuras que vão habitar a cidade e vão provocá-la. E isso interessa-nos imenso, esse lado de provocação da própria cidade e do seu dia-a-dia.

G. – Esta conjuntura que estamos a viver de pandemia teve impacto nestas propostas?
A. – O tempo que vivemos é tão fora daquilo que poderíamos ter imaginado, que a forma como vamos olhar para as coisas terá provavelmente esse filtro, porque é a realidade que estamos a viver no momento. É impossível não olharmos a instalação do João Dias como um corpo estranho que sai da Fábrica e relacionar isto com o tempo que estamos a viver. Porque estamos a falar de artistas contemporâneos. Portanto há esta visão do agora, do presente, e de cruzar isso com a realidade que estamos a vivenciar. Acho que essa leitura que fazes destes artistas em particular, neste tempo em particular, é completamente válida. Na verdade, quando pensámos nestes artistas para este ciclo não havia pandemia, portanto não havia essa ideia do espaço exterior ou interior, mas podemos fazer uma leitura a partir daí.

G. – Mas sentem que este tempo muda de alguma forma a perspetiva do que é que significam certos objetos artísticos, sobretudo no espaço que ocupam ou no tempo em que se criam.
N. – Sim, absolutamente. A forma como nós começamos a pensar o que tínhamos planeado para acontecer durante o período da pandemia, em que foi tudo adiado ou cancelado, começou obviamente a lidar com isso. Por exemplo, um dos aspectos que caracteriza muito o trabalho da Terceira Pessoa é uma proximidade e um contacto regular e íntimo com as pessoas que participam nos nossos projetos.

A. – Ou que já se cruzaram connosco noutro projeto que aconteceu em 2015, mas que mantêm um contacto connosco.

N. – E a pandemia foi um acidente muito grande para nós. Íamos fazer um espetáculo em maio na Escócia e não vamos fazer. Mais do que esse dano colateral, o maior dano que nós sentimos foi precisamente a privação da continuação do trabalho e da relação com estas pessoas que têm estado sempre próximas do trabalho. Uma das formas de continuarmos esta relação foi lançar, por exemplo, na altura do confinamento, o “Cria em Casa” – que foi um projeto em que a Terceira Pessoa lançava propostas de criação muito simples e lúdicas, para as pessoas poderem fazê-las em casa. E essa foi uma forma de continuar a relação com as pessoas, que nos enviavam os resultados que faziam em casa, a partir dos nossos desafios. Obviamente que uma pandemia destas nos vira a vida do avesso, e que não podemos assobiar para o lado e fazer de conta que não está acontecer nada disto. E no fundo este Singular é talvez uma ótima oportunidade para voltarmos a estar novamente todos juntos em presença.

G. – Tendo em conta que vocês já existem há praticamente uma década, pergunto-vos como é que é trabalhar com este tipo de propostas artísticas numa cidade como Castelo Branco? Quais é que são os principais desafios?
A. – Para já, aquilo que tentamos sempre fazer no nosso trabalho, ao pensar em qualquer projeto, é esta questão da relação com a comunidade; que impacto é que aquilo pode ter na vida daquela pessoa, que habitualmente não pensaria na área artística no seu quotidiano e de que forma é que podemos tocá-la. De alguma forma como é que as pessoas vão sentindo que isto pode fazer parte das suas vidas.

N. – Mas eu acho que isso surge como uma relação. Pelo menos é uma das possíveis conclusões a que penso que temos chegado mutuamente e até com outras pessoas têm colaborado. Ou há relação – e uma relação implica uma emoção, um compromisso, uma intimidade – ou este contato regular das pessoas com os projetos não acontece. Ou seja, as pessoas não vêm ver um espetáculo da Terceira Pessoa porque, de repente, lhes apetece ver uma coisa que tem um nome estranhíssimo, que não é teatro, mas também não é performance…

A. – Tens que ir por outro caminho, para fazer com que essa pessoa venha ver algo que, à partida, não iria ver. Implica esse contacto permanente, porque de outra forma é difícil criar lastro. E falo disto em relação ao trabalho da Terceira Pessoa, como em relação a qualquer trabalho artístico e experimental.

N. – Ou seja, tentando responder à tua pergunta: um dos desafios é como criar uma relação com o público. E isso tem sido uma das grandes aprendizagens. É uma aprendizagem que até nos vai sendo referida por quem recebemos de fora. Por exemplo, nós convidamos o João Fiadeiro para vir cá em 2016, fazer um workshop com vários grupos com quem estávamos a trabalhar na altura e trazer o espetáculo O que fazer daqui para trás, que ele fez em Castelo Branco numa versão expandida pela cidade. E o João quando chega e vê 40 pessoas para trabalhar com ele, que a Terceira Pessoa conseguiu juntar, caiu-lhe o queixo. Ele disse «mas eu nem em Lisboa tenho 40 pessoas a querer fazer um workshop de composição em tempo real».

A. – Nós tínhamos uma turma de crianças, uma turma de jovens, entre os 20 e os 35, e uma turma de adultos, na faixa entre os 50 e os 60 anos. E se perguntasses a essas pessoas quem era o João Fiadeiro, elas não sabiam. Isto para explicar que se ele ou qualquer outra pessoa tivesse vindo sem qualquer trabalho de mediação ou de contextualização não havia hipótese.

G. – Nos últimos anos tem-se falado cada vez mais na importância da mediação cultural que, neste caso, está bastante ligada também ao vosso trabalho.
A. – É fundamental, porque de outra forma fazes o trabalho para ti ou para os teus colegas que te vão ver e que são da tua área. Porque chegar à dona Gracinda é um trabalho que exige tempo e exige relação. E falo na dona Gracinda porque nós tivemos um projeto que foi o Há Festa no Campo/Aldeias Artísticas, que aconteceu em aldeias aqui do concelho de Castelo Branco, entre 2014 e 2016. No primeiro ano desse projeto nós quase não levámos artistas à aldeia. Fomos apenas nós a habitar aqueles lugares e a conversar com as pessoas.

N. – E abrir a escola primária que estava fechada há anos para ser o centro comunitário das atividades. Lá está mais uma vez a questão da relação.

A. – Era sempre esta questão da relação. E íamos promovendo a oficina do jornal das aldeias, a oficina de costura criativa. Íamos beber uma jeropiga à taberna, íamos ao Clube de Caça e Pesca, íamos ao jogo de futebol da associação recreativa e cultural do Juncal do Campo. Era isto, mas a verdade é que de outra forma nós não conseguiríamos ter as pessoas connosco a receber um Vhils para picar uma parede.

G. – Não falando exclusivamente de Castelo Branco, mas sentem que ainda há obstáculos por parte dos municípios no momento em que se propõe uma programação mais disruptiva?
N. – Existe de parte a parte, porque isto é uma questão de linguagem. Como é que nos entendemos? Eu estou a falar disto, está a fazer todo o sentido para mim, mas será que está a fazer para a outra pessoa? Na verdade, nesta relação com os municípios, existe esta necessidade também de trabalharmos uma linguagem comum, entre as entidades artísticas e os municípios que nem sempre, como sabemos, têm à frente das áreas culturais, pessoas com formação artística ou com essa abertura e experiência. Não estou com isto a dizer que acho que tem que ser alguém que estudou música ou escultura ou literatura a estar à frente da questão cultural no município. Mas tem certamente que ser alguém que consegue dialogar e ter um olhar crítico sobre aquilo que lhe estão a apresentar.

G. – Mas sentem que a cultura é uma área em que as autarquias deveriam ter mais autonomia e preponderância?
N. – É um pau de dois bicos, porque na verdade a questão dos municípios terem mais autonomia à partida garante que há um trabalho de proximidade que é feito. Ou seja, temos este ponto positivo, mas só o será caso haja uma clareza muito grande nos critérios de escolha, de decisão e até de regulamentação e também de formação das pessoas que estão à frente e a tomar essas decisões. E aí há muito trabalho a fazer. Não quero de todo generalizar, nem quero de todo dizer que não há pessoas com experiência e com formação. Mas a verdade é que muitas vezes as decisões ficam difíceis porque há notoriamente um desconhecimento deste tipo de trabalho, como por exemplo aquele que a Terceira Pessoa desenvolve. Ainda continua a ser difícil perceber o porquê de ser importante estamos três anos a trabalhar naquelas aldeias e não estarmos lá só um mês. E é importante, é fundamental porque só assim poderá criar-se uma relação. A cultura não é, como nós a vemos, um passatempo. A cultura é algo que faz parte das nossas vidas e é uma dimensão tão importante como a económica ou a social. Aliás, ela também é social e económica. E ainda não há uma visão estratégica em que a cultura é um eixo para o desenvolvimento. Acho que isso falta, tanto localmente, como a nível nacional.

G. – Isso reflete-se também na falta de apoios financeiros e não só?
A. – Sim, reflete, porque eu não vou apoiar aquilo que eu não entendo ou que eu acho que não é essencial ao dia a dia das pessoas, mesmo que a estrutura consiga ter projetos apoiados por entidades de referência como a Fundação Calouste Gulbenkian ou a Direção-Geral das Artes.

N. – Até em termos estatais o peso da Cultura no Orçamento de Estado continua a ser uma desgraça. É ridículo. Percebe-se aí que, no pensamento do Estado para o país, a cultura não conta. A cultura é vista como um acessório, um brinde. Não se assume, verdadeiramente, a cultura como um eixo para o desenvolvimento. E é por essa razão que não chegamos ao bendito 1 por cento (que devia ser pelo menos 10 por cento). Localmente, por exemplo, raramente se assume que um investimento num projeto cultural é um investimento no desenvolvimento da região, ao invés da promoção de um passatempo para as pessoas.

G. – O que até pode criar a situação em que tens mais privados a investir na cultura do que o Estado, propriamente dito.  
A. – E isso até devia ser claro para um município. Se há marcas que apostam em atividades culturais é porque aquilo tem algum impacto ou tem algum retorno. Isto devia fazer sentido para um município até para chegar a mais pessoas e a verdade é que, na maioria das vezes, não faz.

G. – O que é que este ciclo e esta Fábrica da Criatividade, criando essas sinergias, pode representar numa cidade como Castelo Branco?
N. – Em primeiro lugar, acredito que esta Fábrica pode representar uma redescoberta e um questionamento daquilo que são os traços identitários desta região. Depois é um espaço que nos possibilita a coabitação e isso é muito importante numa zona que sofre, em muitas áereas, com despovoamento. Então esta coabitação é importantíssima para nós percebermos que nos temos uns aos outros e conseguirmos dialogar e pensarmos juntos, com diversos lugares de fala. Acho que isso são dois pontos importantes na existência da Fábrica e na existência de um Singular, que é mais uma oportunidade para estarmos juntos e também provocar a forma como estamos juntos. Acho que estes artistas que recebemos no Singular nos trazem dados novos para falarmos uns com os outros.

G. – É vosso objetivo que este ciclo se realize anualmente?
N. – Sim, a ideia é essa.

A. – Ele estava programado para abril, maio e junho,  mas que pelas razões que sabemos, irá acontecer agora no último trimestre do ano. Mas sim, para o ano teremos a segunda edição do Singular.

N. – A ideia é que seja um ciclo com continuidade, que crie raízes e que, esperamos nós, também consiga chamar algumas pessoas que venham de fora para conhecer o trabalho que temos feito.

G. – Para além este ciclo o que é que já têm planeado para os próximos tempos?
A. – Nós vamos ter o lançamento dos livros de ensaio e fotografia criados no contexto do projeto “Rastro, Margem, Clarão”, em torno do universo literário do Rui Nunes. Esse lançamento vai acontecer já em novembro, no dia 6. E vamos também ter uma exposição de fotografia na Casa Amarela – Galeria Municipal em Castelo Branco, com novos trabalhos do Valter Vinagre, da Susana Paiva e do  Rui Dias Monteiro. Depois vamos andar a circular com as performances que foram criadas no contexto do mesmo projeto.

N. – Ainda vamos estrear a terceira performance, que é do Miguel Moreira e da Maria Fonseca.

A. – E em fevereiro também estamos a tentar que as três performances sejam apresentadas em Castelo Branco em três fins-de-semana diferentes. Temos também o projeto “Manifesta-te” que é dirigido a jovens entre os 13 e os 16 anos para trabalhar competências de criatividade, comunicação e pensamento crítico através de processos artísticos. É um projeto apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e que nós tivemos de suspender porque acontece no agrupamento Afonso de Paiva, aqui em Castelo Branco, e acontecia também com turmas aqui na fábrica. Estamos suspensos para já mas é um projeto que terá continuidade, bem como um outro com o Estabelecimento Prisional da Guarda, que devemos iniciar 2021, e em que fomos desafiados a dinamizar um projeto de teatro na prisão.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia da cortesia da Terceira Pessoa

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