O uso de máscaras faciais, imposto no âmbito das medidas de prevenção contra a Covid-19, fez aumentar o número de patologias da voz, desde março de 2020, sobretudo nos aparelhos vocais dos artistas. A conclusão é da otorrinolaringologista Clara Capucho, especializada na voz artística, que nos últimos meses tem atendido cada vez mais cantores e atores com problemas de disfonia – dificuldade para emitir a voz, rouquidão, falta de volume e projeção, etc. 

"O número de pacientes diagnosticados com disfonia por tensão muscular tem aumentado desde março de 2020, quando as autoridades de saúde recomendaram o uso de máscaras como medida essencial para reduzir os riscos de contágio por Covid-19", diz a especialista conhecida na comunidade artística como "Dra. Voz", citada numa nota de imprensa.

"O aumento do esforço para a emissão vocal – provocado pelas máscaras, pela ansiedade e pela postura em frente ao computador – conduz a uma tensão muscular na zona cervical, dos ombros e do próprio aparelho vocal, resultando muitas vezes numa disfonia por tensão muscular. Essa tensão é tão intensa que, em certos casos, acarreta graves prejuízos vocais", de acordo com Clara Capucho.

Também a ansiedade provocada pelo confinamento e a incorreta postura corporal em frente ao computador são outros dos fatores que contribuíram para o agravamento da saúde vocal, de acordo com a mesma fonte.

No seguimento destas informações, a Unidade de Voz do Hospital Egas Moniz, que esta médica coordena, e a Fundação GDA – Gestão dos Direitos dos Artistas irão lançar um inquérito para avaliar o impacto da Covid-19 no desempenho da voz de atores e cantores, que irá incidir precisamente na influência do "uso de máscaras, à postura em frente ao computador e ao stress causado pelo confinamento". Além disso, irão também promover, nos dias 14 e 15 de abril, rastreios da voz dirigidos à comunidade artística, mas também abertos a toda a população de forma gratuita. A iniciativa irá decorrer na Unidade de Voz do Hospital Egas Moniz entre as 9h e as 16h.

“Os rastreios servem precisamente para perceber se existe algum desconforto vocal e ajudar preservar a voz”, afirma a coordenadora da unidade, Clara Capucho. “Estes atendimentos serão também ocasião para dar conselhos sobre os cuidados que os artistas deverão manter para preservarem uma boa saúde vocal, principalmente enquanto durar a obrigatoriedade de uso de máscara e houver confinamentos”, acrescenta a especialista.

Face às restrições impostas pela pandemia os artistas interessados devem inscrever-se previamente, preenchendo um formulário no site da Fundação GDA. A restante população deverá contactar a Unidade da Voz do CHLO. Todos os participantes no rastreio serão previamente convocados pelo Hospital Egas Moniz para realizarem o teste à Covid-19.


Texto por Sofia Craveiro
Fotografia via Unsplash

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