As artistas portuguesas Vera Mantero e Cristina Ataíde estão entre 31 criadores que participam este mês num programa que explora a relação entre a arte e a natureza na floresta Amazónica, no Brasil.

De acordo com o site do programa brasileiro Labverde, o objetivo é, ao longo de dez dias, a realização de "uma intensa experiência na floresta amazónica que explore a relação entre ciência, arte e o ambiente natural".

O programa — promovido e organizado pelo Instituo Nacional da Pesquisa da Amazónia (INPA) e pela produtora cultural Manifesta Arte e Cultura, com parcerias internacionais — levará os artistas e cientistas à Reserva Florestal Adolpho Ducke, onde desenvolverão os seus projetos.

Segundo informação que consta online, o propósito não é criar obras físicas, mas promover a pesquisa, reflexão, discussão e partilha da informação, através de projetos que serão apresentados em grupo e publicados depois num catálogo digital.

Os artistas irão ser orientados por um comité científico composto por especialistas em ornitologia, aquecimento global, paisagem, ecologia, artes visuais, entre outras áreas.

"O centro da pesquisa artística vai estar nas questões ambientais particulares da Amazónia, e o seu papel no equilíbrio ecológico do planeta", salienta a apresentação do programa que decorre desde 2013.

Os criadores deverão usar a sua experiência prática adquirida no programa para se inspirarem em projetos futuros e contextualizar o seu discurso criativo, "de forma a intensificar a consciência coletiva sobre a relação entre a natureza e a Humanidade". Os artistas e cientistas vão andar de barco para percorrer a região e também estarão instalados na reserva, administrada pelo INPA.

A dança e as artes plásticas caminham com a natureza, pelas mãos de Vera e Cristina

Tanto a coreógrafa Vera Mantero como a artista plástica Cristina Ataíde têm vindo a ver a natureza um ponto fulcral da sua pesquisa e trabalho.

Vera Mantero, 53 anos, nascida em Lisboa, estudou dança clássica e fez parte do Ballet Gulbenkian entre 1984 e 1989, tendo começado a coreografar os seus trabalhos em 1987, apresentando-os pela Europa, mas também fora, nomeadamente na Argentina, Uruguai, Brasil, Canadá, Singapura, Coreia do Sul e Estados Unidos.

Muitas das suas obras da última década têm sido focadas nas questões do ambiente, sustentabilidade, coesão social e cidadania, nomeadamente "Vamos Sentir Falta de Tudo Aquilo de que não Precisamos" (2010), "Oferecem-se Sombras" (2013), "Uma Horta em Cada Esquina - Ciclo Mais Pra Menos Que Pra Mais" (2014), "Os Serrenhos do Caldeirão - Exercícios em Antropologia Ficcional” (2016), e "O Limpo e o Sujo - Ciclo As Três Ecologias" (2016).

Em 1999, a Culturgest, em Lisboa, realizou uma retrospetiva da sua obra, e em 2004 representou Portugal na 26.ª Bienal de Arte de São Paulo, no Brasil, com a peça, cocriada com o escultor Rui Chafes, “Comer o Coração". O seu trabalho foi distinguido com o Prémio Gulbenkian Arte de carreira (2009).

Cristina Ataíde, 68 anos, nascida em Viseu, licenciada em escultura e design pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, expõe com regularidade desde 1984, com as grandes instalações e o ´site-specific´ a ocuparem um importante lugar nas suas mostras.

A sua obra, feita muitas vezes em viagem, transita entre a escultura e o desenho, passando pela fotografia e vídeo, e as preocupações com natureza e sua preservação são uma das constantes do seu trabalho e pesquisa.

O Labverde é aberto a cientistas e artistas de várias áreas, desde a dança, artes visuais e música, dando preferência a projetos artísticos na natureza. Podes saber mais sobre este programa, aqui.

Texto de Lusa e Carolina Franco
Fotografia de Nathalia Segato disponível via Unsplash

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