No dia 27 de Outubro, a ministra da Cultura anunciou Vítor Aguiar e Silva como vencedor do Prémio Camões, instituído, em 1988, por Portugal e pelo Brasil, “com o objetivo de distinguir um autor ‘cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento do património literário e cultural da língua comum’, cita a agência Lusa.

O júri atribuiu o prémio ao professor e ensaísta, tendo em conta a “importância transversal da sua obra ensaística, e o seu papel activo relativamente às questões da política da língua portuguesa e ao cânone das literaturas de língua portuguesa”, lê-se no comunicado divulgado no seguimento da reunião do júri da 32.ª edição do Prémio Camões, lê-se no artigo da agência.

“No âmbito da teoria literária, a sua obra reconfigurou a fisionomia dos estudos literários em todos os países de língua portuguesa. Objecto de sucessivas reformulações, a Teoria da Literatura constitui-se como exemplo emblemático de um pensamento sistematizador que continuamente se revisita. Releve-se igualmente o importante contributo dos seus estudos sobre Camões”, continua.

No seu discurso, a ministra destacou o papel de Vítor Aguiar e Silva, enquanto professor, na transmissão dos valores humanistas. Na sua carreira académica, passou pela Universidade de Coimbra, Faculdade de Letras e Universidade do Minho, onde fundou o Centro de Estudos Humanísticos e a revista Diacrítica e foi vice-reitor até à sua aposentação. Para além da Teoria da Literatura, a sua investigação atravessa a Literatura Portuguesa do Maneirismo, do Barroco e do Modernismo.

Coordenou a Comissão Nacional de Língua Portuguesa (CNALP) e foi membro do Conselho Nacional de Cultura. Tem sido homenageado com vários prémios, como o Prémio Vergílio Ferreira de 2002, atribuído pela Universidade de Évora, o Prémio Vida Literária, em 2007, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores e pela Caixa Geral de Depósitos, e o Prémio Vasco Graça Moura de Cidadania Cultural, em 2018. Vítor Aguiar e Silva também tem sido conhecido pela sua posição vincada contra o Novo Acordo Ortográfico.

Miguel Torga foi o primeiro escritor a receber o Prémio Camões e, em 2019, este foi atribuído ao músico e escritor Chico Buarque.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues

Fotografia de Syd Wachs, via Unsplash