África grita, aliás o continente, os países, os povos já gritam há muitos anos mas ninguém ouve, ou melhor, como aquela vizinha que de vez em quando é espancada pelo marido, não nos queremos meter porque não nos afeta, mas afeta, e afeta muito diretamente, porque falhamos como indivíduos, como sociedade e acima de tudo como ser humanos.
A utopia que seria o ocidente a trazer a organização, a paz e as bases de uma nação justa, já ficaram muito lá atrás, e são agora os Africanos que começam a conhecer o seu potencial, a sua força e a querer mudar.
Não tem de ser nenhum país europeu a vir criar as bases de uma sociedade com princípios de educação e de igualdade, somos nós, porque isso já havia em África antes.
A ideia sempre foi a contrária, possivelmente falando com alguns indivíduos sobre a história de África devem dizer-me, que era só selva, mato, e pessoas nas árvores, e que o resto do mundo está, desde essa altura, a querer fazer algo com África e não consegue, mas não, isso é tudo MENTIRA.
A história de África começa a ser contada de forma correta e com o avanço das redes sociais já se torna fácil no Facebook, TikTok ou Instagram encontrar várias informações sobre a grande e verdadeira história de África, os antigos impérios, os grandes feitos, o antigo Egipto que era conhecido por KEMET e como os gregos, tais como elefantes cheios de sede depois de uma longa caminhada mergulham nos lagos para beber água, mergulharam naquela cultura e sugaram uma história que não era deles, e venderam-na para o mundo.
São muitas as histórias que iriam dar mais força, mais alegria e acima de tudo mais orgulho a jovens Negros como eu que cresceram a pensar que no passado só foram escravos.

“God bless Africa, Guard her people, Guide her leaders, And give her peace.”
Trevor Huddleston

Esta frase foi dita por um Bispo Anglicano Inglês, é engraçado porque foi muito através da religião que África virou refém de um sistema cruel que dividiu e explorou o continente até hoje.

Mas está tudo a mudar, parece que há uma nova vibe e uma nova esperança.
A influência da moda, da música, dos criativos, dos inteligentes, do poder e das economias está a ter o seu peso.
Fala-se de cidades inteligentes, a Silicon Valley Africana, moeda única, investimentos no turismo e uma nova cara ao mundo, vemos muitos mais filhos da terra do Sol a voltar às suas origens não para o turismo normal, mas para investir na terra, criar postos de trabalho e ajudar a levantar África.
Tenho lido muitas notícias e documentos sobre projetos que vão acontecer em África e fico muito entusiasmado com a dimensão, o atrevimento e o desafio de algumas coisas, e tenho a dizer que Wakanda não é uma Utopia, pode não ser nos próximos 10 anos, mas vai acontecer. Com o avançar das coisas hoje em dia pode ser em menos tempo, o continente tem tudo, inteligência, recursos naturais, e dinheiro que começa em alguns casos a ser bem gerido.
São muitos os nomes que se destacam na frente de tudo isto, mas gostava de fazer referência ao artista Akon que é do Senegal, há muito que o mundo tem visto o trabalho do músico em África, começando pelo projeto que leva luz a zonas onde nunca existiu luz ou a linha de crédito que o próprio tem da China que ultrapassa o 1 Bilião de Euros para investir no continente.
Sabe-se que está a construir uma cidade inteligente chamada “Akon city” no Uganda e já lançou no mercado uma criptomoeda chamada “AKOIN”, acredito e espero que não fique por aí, porque se mais Akon´s houvesse estaríamos muito melhor.
É, de facto, inspirador ver estas movimentações, com toda a certeza que isto se irá espalhar por outros países e desta forma criar uma maior união entre todos os países, as nações e os povos que em tempos estavam todos juntos e misturados.

Sem sentimentos de vingança, rancor, mas sim com vontade, ambição e esperança de poder criar uma ÁFRICA melhor que não servirá só para Africanos, mas para qualquer cidadão do mundo porque não nos podemos esquecer, foi em África que tudo começou, por isso somos todos filhos de ÁFRICA.

Bob Marley:

-Sobre Nuno Varela-

Nuno Varela, 36 anos, casado, pai de 2 filhos, criou em 2006 a Hip Hop Sou Eu, que é uma das mais antigas e maiores plataformas de divulgação de Hip Hop em Portugal. Da Hip Hop Sou Eu, nasceram projetos como a Liga Knockout, uma das primeiras ligas de batalhas escritas da lusofonia, a We Deep agência de artistas e criação musical e a Associação GURU que está envolvida em vários projetos sociais no desenvolvimento de skills e competências em jovens de zonas carenciadas.Varela é um jovem empreendedor e autodidata, amante da tecnologia e sempre pronto para causas sociais. Destaca sempre 3 ou 4 projetos, mas está envolvido em mais de 10.

Texto de Nuno Varela
Fotografia de Pedro Vaccaro
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