“Uma representação dramática das crises climáticas que estão a ocorrer em diferentes cantos do planeta, com comunidades devastadas pelas cheias, degelo do permafrost ártico, desertificação e incêndios”. Este é o ponto de partida para o espetáculo de circo contemporâneo weLAND, que quer sensibilizar os jovens para a ligação entre as alterações climáticas e a migração.

Realizado no âmbito da tour europeia de circo contemporâneo ao ar livre da #ClimateOfChange – a campanha pan-europeia liderada pela WeWorld, uma ONG italiana cofinanciada pela Comissão Europeia – o espetáculo interpretado pelos artistas da MagdaClan chega aos Jardins do Marquês de Pombal, em Oeiras, a 15 e 16 de outubro, com o apoio da Câmara Municipal.

De acordo com comunicado enviado ao Gerador, a trama “desenvolve-se a partir de histórias reais representando fenómenos globais para criar um momento cénico cativante, mas também testemunhar a espetacularização do drama humano, o uso e abuso de imagens das vidas destes migrantes climáticos”. Por esta razão, “os migrantes induzidos pelo clima são representados como habitantes de um lugar não-lugar, de um lugar suspenso”.

Aqui, a poética de Petr Forman, diretor artístico e realizador, é apoiada pela dramaturgia de Flavio D’Andrea e pela cenografia concebida e construída por Francesco Fassone. “O cenário recorda um porto e cada elemento é metaforicamente representado por elementos associados à navegação, ao armazenamento, ao consumo, ao mercado global”, de acordo com a nota.

“Queremos criar um contexto simbólico, no qual as pessoas reconheçam a sua vida diária e o público seja convidado a refletir sobre como aceitar, ignorar ou combater a condição pela qual tratamos tudo como se fosse uma mercadoria, organizando o nosso mundo em regras económicas impiedosas que estão a gerar grandes problemas relacionados com as alterações climáticas”, diz o cenógrafo Francesco Fassone.

O principal objetivo é envolver o público e alertar para o impacto global das ações humanas. Para isso, além do espetáculo serão realizadas atividades paralelas, na rua, organizadas pela FLIC Circus School juntamente com estudantes e artistas da Escola de Circo do Chapitô. Esta ação é parte integrante da tour #ClimateOfChange, que além do espetáculo tem por hábito realizar iniciativas paralelas em parceria com escolas locais.

 “Decidimos utilizar a arte como instrumento de comunicação porque é essencial interpretar com uma nova linguagem o que muitas vezes é muito complexo de entender. A mudança climática tem um forte impacto em todas as comunidades, especialmente naquelas que menos contribuem para ela”, explica Natalia Lupi da WeWorld.

Após a passagem por Portugal (no Jardim Municipal de Oeiras), a tour prosseguirá por França e finalmente pela Bélgica.

Este evento integra o programa do FIC.A – Festival Internacional de Ciência, que terá lugar de 12 a 17 de outubro de 2021, no Palácio e Jardins do Marquês de Pombal, em Oeiras. A entrada é gratuita, mas sujeita ao levantamento de bilhete.

Fotografia de Michele Lapini

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