O mais antigo festival de arte urbana do país vai regressar à cidade da Covilhã.

O Wool Festival, que este ano celebra dez anos de existência, apresenta-se com uma nova identidade visual, feita pelo estúdio Naïf, que pretende falar “de todos os elementos que lhe dão caráter: a Covilhã, a neve, a Serra da estrela, a arte e a tinta, os lanifícios, o dinamismo, o encontro e a partilha", segundo comunicado enviado ao Gerador.

Criado em 2011, fruto da iniciativa de Lara Seixo Rodrigues, Pedro Seixo Rodrigues e Elisabet Carceller, o Wool nasceu com o objetivo de prestar tributo à história da cidade e de despertar o interesse da população para a arte contemporânea. Até à data, já foram realizadas 43 iniciativas e 122 intervenções artísticas, realizadas por 46 artistas portugueses e 23 artistas estrangeiros.

Além das ações desenvolvidas a nível local, existem outras atividades paralelas, que são desenvolvidas "em novas geografias e formatos, dirigidos a distintas (e inclusivamente inusitadas) faixas etárias, confirmando o valor da arte urbana enquanto instrumento de construção, reabilitação e valorização dos valores fundamentais da cidadania", de acordo com os promotores.

Este ano, o Wool Festival vai abranger cerca de 40 ações, que serão realizadas entre os dias 26 de junho e 04 de julho.

Como forma de assinalar uma década de festival, será lançado o livro “Wool 2011-2021”, que inclui elementos da história do evento, bem como textos científicos redigidos por personalidades das áreas da arte, arquitetura e turismo e testemunhos dos artistas.

A programação inclui ainda residências artísticas de fotografia e desenho - que já estão a decorrer -, a sonorização do filme centenário "Covilhã Industrial, Pitoresca e seus arredores", pelos First Breath After Coma e uma intervenção mural pela dupla de artistas do Uruguai Colectivo Licuado. Esta última visa celebrar os 140 anos da 1.ª Expedição Científica à Serra da Estrela, que foi realizada em 1881 pela Sociedade de Geografia de Lisboa.

Após uma década a promover a cultura e a arte urbana, os promotores do Wool destacam o papel do festival na promoção da arte portuguesa “dentro e fora de portas”, sublinhando que “ foi este o projeto responsável pela curadoria das comitivas de artistas portugueses que pela primeira vez integraram reconhecidos projetos internacionais como o Tour Paris 13 (Paris, 2013) e Djerbahood (Tunísia, 2014). Foi, também, o Wool o projeto nacional convidado pela Google para ilustrar e engrandecer o lançamento do Google Art Project / Google Arts & Culture para todo o território português (2015)", afirmam.

No comunicado, é ainda destacada a obtenção do selo de qualidade EFFE (Europe for Festivals, Festivals for Europe), bem como a recente parceria estabelecida com o NEST/Centro de Inovação do Turismo para o desenvolvimento da Talk2me Platform, para permitir visitas "guiadas" aos murais da Covilhã, com base tecnologia ‘bot Messenger’ e leitura de um QR Code.

Para a organização do festival esta é “assumidamente uma nova forma de descoberta do Wool, que permite levar a cabo uma “actualização (certeira) dos objectivos iniciais, em que ambicionava 'ocupar' as ruas da cidade da Covilhã com Arte, tornando esta acessível a todos, democratizando-a e desta forma promovendo um despertar e interesse da comunidade para a Cultura e Arte e uma desejável ocupação e transformação de toda esta região”.

Fotografia cedida por Wool Festival
Texto por Sofia Craveiro

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