Num ano atípico, pautado pelo cancelamento dos principais festivais europeus e mundiais, Lisboa arranca com um novo festival de ópera,  o Operafest, que acontece de 21 de agosto a 11 de setembro.

Subordinado ao mote ‘Quanto pior, melhor’, evocando-se a essência trágica da ópera, o arranque do festival “faz-se sob o tema unificador da traição e do engano, como instigadores da tragédia”, que se materializa na apresentação de uma das maiores óperas de sempre, a Tosca de Puccini, que vai estar nos dias 21, 22, 24, 26 e 28 de agosto (21h30), no Jardim do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA).

No mesmo local, o Operafest realiza ainda a Maratona Ópera XXI, nos dias 30 e 31 de agosto e 3 e 4 de aetembro, onde sete jovens compositores portugueses vão apresentar óperas inéditas. A concurso estão Esta Ítaca que não encontro, de Diogo da Costa Ferreira; Nunca fomos tão novos como agora, de Fábio Cachão; Eco/Arquipélago, de João Ricardo; O Tesouro, de Miguel Jesus; Contos da criação: Adão, de Pedro Finisterra; Margarida, de Sara Ross; e Não sei quantas Almas tenho, de Tiago Videira. 

As obras, apresentadas na sua forma final de espectáculo, serão avaliadas por um júri misto, sendo no fim atribuído o prémio Carlos de Pontes Leça à ópera vencedora, sob forma de uma nova comissão. 

Num festival que pretende cruzar a tradição e a vanguarda, no Jardim do MNAA, recebe ainda uma Rave operática , a 5 de setembro, pelas 22h,  fundindo a música pop com a ópera,  com misturas líricas empolgantes, happenings operáticos e  ainda a estreia absoluta da micro-ópera “orgásmica” Prazer de Ana Seara, compositora em residência desta 1.ª edição.

Através desta iniciativa pretende-se homenagear estrelas que cruzaram os dois campos, como Nina Hagen, Klaus Nomi, Marias Callas ou Mirella Freni. Para isso o espetáculo irá contar com com DJs, cantores líricos, compositores e músicos de vários quadrantes nesta encenação interactiva com o público, que é convidado também a seguir um dress code barroco-futurista.

Cine-ópera e conferências nas Carpintarias de São Lázaro
Numa programação alternativa aos espetáculos, as Carpintarias de São Lázaro, junto ao Martim Moniz serão palco para conferências  que exploram o tema central da programação desta primeira edição: a traição e o engano por Maria Filomena Molder, no dia 9 de setembro (18h00) ou das grandes heroínas operáticas por Rui Vieira Nery, no dia 7 (18h00) e um debate sobre a construção dramatúrgica em ópera (6 SET, 15h00).

O espaço acolhe ainda o Ciclo “Cine-òpera”, em parceria com a distribuidora alemã Unitel, onde serão projetadas  algumas das mais icónicas versões cinematográficas de grandes óperas, com intérpretes estratosféricos que vão de Plácido Domingo a Gwyneth Jones, em filmes como: Tosca de Puccini, realizada por Gianfranco di Bosio (7 e 11 de setembro, 21h30), Cavalleria rusticana de Mascagni, realizada por Franco Zeffirelli (8 e 10 de setembro, 21h30) e ainda, a assinalar os 250 anos do nascimento de Beethoven, e a sua única ópera, Fidélio, realizada por Ernst Wild (9 de setembro, 21h30).

Destaque ainda para o último dia de festival, a 11 de Setembro, a partir das 21.30, haverá uma gala de ópera surpresa no Jardim do MNAA. Será o público que, online, vai poder escolher o alinhamento da gala, inspirado nos discos pedidos dos programas de rádio.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Cartaz do Operafest 2020

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