A 3ª edição da Anozero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra tem data de início marcada para o dia 2 de Novembro, estendendo-se até 29 de Dezembro, este ano com o título “A Terceira Margem”, retirado do conto do escritor brasileiro João Guimarães Rosa, intitulado “A Terceira Margem do Rio” e publicado em 1962.

O Anozero – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra nasceu em 2015, através de uma proposta pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra e é organizada em conjunto com a Câmara Municipal de Coimbra e a Universidade de Coimbra, assumindo como “objetivo primordial promover uma reflexão quanto à circunstância da classificação da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO”. A Bienal propõe, assim, um encontro entre a arte contemporânea e o património, explorando riscos e possibilidades associadas a este património cultural que é agora património da humanidade.

A curadoria desta edição de 2019 está ao cargo de Agnaldo Farias, Lígia Afonso e Nuno de Brito Rocha, que trazem diversas iniciativas culturais a vários espaços da cidade de Coimbra, como o Convento de Santa Clara-a-Nova, o Edifício Chiado, a Sala da Cidade, o Convento de São Francisco, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, entre outros. Do conto de Guimarães Rosa são retiradas cinco frases, que servem como eixos para o desenvolvimento da Bienal e serão interpretadas por vozes de diferentes meios: na curadoria, orientam a exposição “A Terceira Margem”, que se espalha pela cidade; no caso dos autores, estruturam o catálogo; e, por fim, servem de ponto de partida para o programa de ativação a ser desenvolvido por alunos do Mestrado em Curadoria do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra. As cinco curtas passagens do conto que constituem os eixos da Bienal são, assim: “nosso pai nada não dizia”, sugerindo silêncio; “longe, no não-encontrável”, sugerindo passagem; “passadores, moradores de beira”, que sugere marginalidade; “executava a invenção”, que sugere invenção; e, por fim, “chega que um propósito”, sugerindo militância.

A exposição “A Terceira Margem”, que ocupará múltiplos espaços da cidade de Coimbra, apresentará o trabalhos de 39 artistas, como João Maria Gusmão, Pedro Paiva, Erika Verzutti, Belén Uriel, Luís Lázaro Matos, ou José Spaniol, entre muitos outros. Destaca-se também a participação do artista Tomás Cunha Ferreira, que apresenta a curadoria de “ShipShape”, uma exposição em torno da poesia visual, concreta e experimental e também a presença do realizador Steve McQueen. O programa de activação que a Bienal oferece permite também que os alunos do Mestrado em Estudos Curatoriais do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra possam ter formação em contexto profissional. Por fim, o livro a ser apresentado reúne ensaios de alguns artistas participantes especificamente seleccionados para este formato, aos quais se juntam ainda textos de Clara Rowland, Isabel Carvalho, João Paulo Borges Coelho, Peter Pál Pélbart e Samuel Titan.

A inauguração de A Terceira Margem tem data marcada para o dia 2 de Novembro e conta com performances de Luís Lázaro Matos, do artista em residência Daniel Melim e de uma “on going action”, por Alexandra Pirici.

Texto de Francisco Cambim
Fotografia de Antonio Sessa disponível via Unsplash

Se queres ler mais notícias sobre a cultura em Portugal, clica aqui.