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5.ª edição do MEXE divulga cartaz final com mais de 70 propostas artísticas

De 16 a 22 de setembro, a 5.ª edição do MEXE – Encontro Internacional de…

Texto de Ricardo Gonçalves

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De 16 a 22 de setembro, a 5.ª edição do MEXE – Encontro Internacional de Arte e Comunidade leva ao Porto mais de 70 propostas artísticas que abordam “o comum”, tema central da edição deste ano.

Ao todo, a iniciativa irá ocupar 22 salas e espaços públicos da cidade Invicta com conferências, espetáculos, paradas, oficinas e criações originais que pretendem “despertar o debate em torno da construção de espaços criação, participação e cidadania em tempos de instabilidade política e social”, explica a organização em comunicado.

Envolvendo mais de 400 pessoas, 27 grupos oriundos de 6 países, a 5º edição do MEXE reserva ainda um lugar especial para a criação artística Africana, Latino-americana e do Sul da Europa.

Tal como explicou Hugo Cruz, diretor artístico do MEXE, em entrevista ao Gerador, a programação deste ano estrutura-se em quatro eixos essenciais: Pensamento, Apresentação, Formação e Documentação.

No Teatro Carlos Alberto, estreias nacionais de Isto é um Negro?, da companhia brasileira EQuem Égosta?, uma proposta sobre o que é ser negro e negra no Brasil, e Quando Quebra Queima espetáculo da ColectivA Ocupação construído por estudantes que viveram o processo de ocupações e manifestações do “movimento secundarista”. O mesmo coletivo realizará ainda uma oficina com jovens da cidade e uma conversa em parceria com a Fundação de Serralves.

Do Uganda, o MEXE acolhe a proposta de António “Bukhar” Ssebuuma e Faizal Mostrixx Ddamba, Empty the Space, que transforma o movimento num diálogo sobre o espaço nos tempos modernos, num jogo constante entre a dança contemporânea e os ritmos mais tradicionais de África. Os artistas orientarão ainda uma oficina dedicada a explorar o diálogo entre as danças tradicionais e urbanas. A programação proveniente no hemisfério sul encerra com Children of The New World, uma performance solo de dança sobre abuso infantil coreografada e interpretada pelo bailarino tanzanês Samwel Japhet.

O programa de espetáculos do MEXE integra ainda Synectikos, a mais recente criação do espanhol Coletivo Lisarco, dedicado à dança, que trabalha nomeadamente com bailarinos com Síndrome de Down. A Orquestra Basket Beat traz ao palco os temas mais clássicos da companhia num encontro entre instrumentos musicais e bolas de basquete e Duck March, um assalto à cidade na forma de uma marcha de mulheres grávidas.

Por outro lado, esta edição traz-nos ainda as propostas nacionais de Tânia Dinis em colaboração com moradores e ex-moradores das Fontaínhas, Flávio Rodrigues num trabalho coral com a participação de alunos do Seminário Maior do Porto, o Coletivo Suspeito com intervenções nas estações de Metro da Trindade e de Comboios de Campanhã, e aos quais se juntao Atelier Ser com uma proposta participativa a ter lugar na Feira do Cerco e Praça dos Poveiros.

No campo do pensamento “o comum” concretiza-se na 3ª edição do Encontro Internacional de Reflexão sobre Práticas Artísticas Comunitárias, uma organização conjunta entre 9 entidades de ensino superior, portuguesas e estrangeiras, que contará com a participação de mais de 100 investigadores.

Na restante programação, o MEXE integra ainda uma mão cheia de oficinas, conversas, apresentações de livros e instalações que envolverão diretamente mais de 300 cidadãos do Porto. Além disso, esta edição mantém o acesso gratuito a praticamente toda a programação e interpretação em Língua Gestual Portuguesa, reforçando a preocupação com “a democratização e democracia cultural como processos ainda por concluir”.

Além disso, uma das maiores novidades deste ano será o chamado Mexe Praça, ponto de encontro e discussão aberta que servirá como espaço de contacto com a cidade e o público do encontro. Localizado no Jardim de São Lázaro, será palco de uma programação musical diversa, a produção de uma fanzine diária, conversas e aparições improváveis. Por lá passarão os concertos do Coro da Fundação Manuel António da Mota, dos OUPA CERCO, de Fado Bicha e do Projeto TumTumTum. Será também aqui que se realizará a conversa com o filósofo Vladimir Safatle e espetáculo de abertura, ilha-jardim, uma criação original da PELE que ensaia novas formas de habitar o espaço de vizinhança.

Pré-programação do MEXE com cinema e teatro
De 13 a 15 de setembro a pré-programação do MEXE arranca com um fim de semana dedicado ao cinema documental. Serão sete documentários, na sua maioria em estreia nacional, que revelam processos e práticas artísticas que se cruzam com educação e cidadania. Este programa incluí ainda a apresentação de Tu e Eu, e agora?, uma peça do Triumph’arte – Grupo de Teatro Comunitário de Esposende e #nãoénão, uma criação do Núcleo de Teatro do Oprimido do Porto / PELE. As sessões de cinema terão lugar no Cinema Trindade e Associação de Moradores da Lomba, sendo seguidas de uma conversa com os realizadores e envolvidos.

Este ano pela primeira vez, o MEXE lançou uma campanha de crowdfunding que desafia todos os cidadãos a contribuir para a organização do encontro de forma alternativa. A campanha está disponível até 23 de Agosto e destina-se a apoiar a alimentação e alojamento de um grupo de 7 participantes provenientes do Brasil.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de MEXE – Encontro Internacional de Arte e Comunidade

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