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“Não podia regressar ao Sudão.” Esta é a história de Salwa, refugiada em Portugal

“Sofri muito com o racismo”, conta Salwa, que saiu do Sudão, rumo ao Egipto, com…

Texto de Flavia Brito

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"Sofri muito com o racismo", conta Salwa, que saiu do Sudão, rumo ao Egipto, com os filhos pequenos, para que pudesse acompanhar o marido, que precisava de receber tratamentos médicos no Cairo. "Algumas pessoas descriminavam-me por causa da cor da pele e, como a nossa pele é mais escura, éramos maltratados e assediados nas ruas. Uma vez fomos até atacados em casa, por um grupo de homens desconhecidos", relata, na primeira pessoa, no terceiro episódio do podcast "Travessia", que conta as histórias mulheres refugiadas e requerentes de asilo, em Portugal.

Salwa permaneceu com a família no Cairo, durante vários anos. Mas a situação do marido piorou e ele não conseguia trabalhar. "Tinha de ser eu a sustentar a nossa família", afirma. Cerca de dois anos depois de chegar ao Egipto, acabou por ficar viúva e sozinha com os três filhos, mas voltar para o Sudão, onde sofreu ameaças de raptos e onde o marido tinha sido detido e torturado, várias vezes, pelas milícias, por razões políticas, não era uma opção. "Tinha medo do que pudesse acontecer aos nossos filhos. O meu marido tinha-me pedido para manter as crianças em segurança e não voltar ao Sudão".

Esta é a sua história, até chegar a Portugal:

O projeto "Travessia", que culminará também num livro ilustrado, é resultado de três meses de um programa da Ambigular, uma organização que trabalha técnicas de storytelling com comunidades em situação de exclusão social e cultural, em parceria com a Adolescere - Associação de Apoio à Criança e ao Adolescente.

Ajor, Hiba, Wasan, Saidia, Salwa e Blessing atravessaram continentes, desertos, mares e fronteiras, até chegarem ao nosso país. Vieram do Iraque, da Nigéria, do Sudão e do Sudão do Sul. Fugiram da guerra, e não só. Em seis episódios, estas seis mulheres vão levar-nos pelos caminhos que percorreram, sempre como protagonistas e detentoras das suas narrativas.

Lê aqui a entrevista a Maria de Azevedo Brito e Rose Dekker, responsáveis pelo projeto "Travessia", o primeiro da Ambigular, em Portugal – uma organização que publica histórias, na perspetiva de quem as vive, de forma a cocriar, com as comunidades em situação de exclusão social e cultural, “uma representação mais justa”.

Todas as semanas, no Gerador, vamos dar-te a conhecer mais um episódio de "Travessia".

Conhece também as histórias de Wasan e Saidia.

Texto por Flávia Brito
Imagem da cortesia da Ambigular
O Gerador é parceiro da Ambigular

Se queres ler mais entrevistas sobre a cultura em Portugal, clica aqui.

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