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Abacate: uma moda que desertifica o Algarve

No Algarve, a agricultura intensiva de abacate tem vindo a substituir as culturas regionais por…

Texto de Redação

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No Algarve, a agricultura intensiva de abacate tem vindo a substituir as culturas regionais por culturas tropicais de regadio intenso, prática que está a assolar a paisagem algarvia, paulatinamente. Estas novas práticas estão a provocar a transformação do horizonte português num horizonte tropical de monoculturas, o que causou um movimento de protesto na população contra a produção intensiva deste fruto.

As plantações de abacates dispararam nos últimos anos na Europa devido ao recente aumento da procura e consumo do abacate por ser associado a grandes benefícios para a saúde humana. As culturas de abacateiro, que já se fixaram no Algarve, ocupam cerca de 7% da área frutícola da zona, com alterações às típicas paisagens locais. Em 2019, a região algarvia estava a ser assolada pela seca e a plantação deste fruto tropical triplicou, começando a levantar dúvidas em relação à escassez da água e à possibilidade de não existirem recursos hídricos locais para poder sustentar esta monocultura e a população. Consequentemente, esta nova cultura, apesar de ser considerada mais rentável para a economia, está a ser alvo de discussões devido à pressão exercida nos aquíferos, segundo as declarações da AgroGes-Sociedade de Estudos e Projetos, Lda., “são usados, em média, 6.500 m3/ha por ano”, ou seja, a mesma quantidade média gasta pelas culturas dominantes.

A agricultura intensiva altera a paisagem algarvia.

O Ministério da Agricultura divulgou, em nota à população, que “não há grande diferença nas necessidades hídricas entre os citrinos e os abacateiros”. Apesar desta certeza dada pelo ministério, em 2020, o especialista Pedro Cunha Serra afirmou que é “uma situação preocupante nas albufeiras do Algarve e nos aquíferos que já davam sinais de estar esgotados, devido em parte à explosão do regadio no Algarve”. O facto de a cultura não exigir tratamentos químicos, ser muito rentável e de não implicar o aumento da pegada ecológica, são argumentos usados em defesa pelos produtores de abacate. “Porque gasta água? Bom, nós temos de ter a intenção de saber qual é o rendimento efetivo do abacate e realmente quais os seus efeitos secundários, mas o que constatamos é que não há nenhuma produção agrícola do Algarve mais rentável que o abacate” remata José Vitorino, da associação AlgFUTURO – União Empresarial do Algarve.

Filomena Carmo, membro da associação Regenerarte, afirma que “estão a substituir-se as culturas tradicionais de sequeiro por floresta tropical que consome toda a água”, acrescentando que “o Algarve tem calor, mas não tem chuva, portanto os frutos tropicais aqui, não.”, criticando assim o gasto ambiental que esta cultura traz e ainda a destruição de ecossistemas e de paisagens.

A monocultura no Algarve.

Apoiando esta opinião vêm também várias outras associações e partidos políticos como o Partido socialista, o Bloco de Esquerda e ainda o Partido Pessoas-Animais-Natureza. De modo a combater as dificuldades que esta nova cultura traz, os partidos políticos e as associações ambientais estão a promover iniciativas para se criarem mais restrições na produção do abacate e para consciencializar a população portuguesa da desertificação e do excesso de consumo da água já escassa.

Texto de Luís Martins (Jovens Repórteres para o Ambiente)
Fotografias de Luís Martins (Jovens Repórteres para o Ambiente)
Esta reportagem do programa Jovens Repórteres para o Ambiente está a ser publicada no Gerador no âmbito de uma parceria com a Associação Bandeira Azul da Europa.

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