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Criar por necessidade: jovens artistas entre liberdade, pressão e resistência

Num mundo que exige produtividade constante e respostas rápidas, criar continua a ser um dos poucos gestos tendencialmente livres. Para muitos jovens artistas, a arte não nasce apenas da vontade, mas de uma necessidade profunda de expressão, resistência e intervenção no mundo. Entre liberdade criativa, pressão social e desafios do mercado, quatro jovens criadores partilham como transformar inquietações pessoais em arte.

Texto de Beatriz Mendonça e Leonor Almeida

Edição de Eva Guedes e Mariana Ranha (ESCS) e Tiago Sigorelho (Gerador)

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Num mundo movido pela produtividade constante, criar continua a ser um dos poucos gestos tendencialmente livres.

O meio artístico é muitas vezes visto como um espaço sem objetivos claros, mas, na realidade, é onde muitos jovens encontram formas de se expressar e de agir sobre o mundo. Cada vez mais as pessoas sentem a necessidade de serem ouvidas, mesmo num contexto em que a liberdade, apesar de prometida, acaba por ser limitada por tendências, expectativas e pressões externas.

É a resposta a esse contexto que move os jovens artistas: um sentimento de inquietação, de urgência e vontade de mudar o mundo à sua volta. Criar torna-se mais do que uma forma de expressão pessoal - é um meio de experimentação que rompe fronteiras e promove o desenvolvimento de uma voz artística.

No âmbito da parceria entre a ESCS Magazine e o Gerador, estivemos à conversa com quatro jovens artistas de áreas diversas: dois músicos, uma designer e um cineasta, que partilham como a arte se tornou, para si, uma ferramenta de expressão e de intervenção no mundo contemporâneo.

Margo Matviychuk, designer e ilustradora de 21 anos, que atualmente trabalha como UX/UI designer, sobretudo na área web. Margo tem vindo a consolidar um percurso versátil através da exploração de diferentes linguagens visuais e formatos criativos, cruzando o design digital e a ilustração.

O músico independente de 20 anos, Óscar Correia, lançou recentemente o seu primeiro EP de indie pop,laranja, que marca a sua estreia na produção musical. Sem qualquer formação na área, e a tocar guitarra há cerca de um ano, este projeto foi o seu primeiro contacto com a criação e produção de música original. Atualmente, encontra-se já a trabalhar num segundo EP, que será assumidamente o oposto do primeiro.

Juliana Anjo, cantora e compositora madeirense de 20 anos, começou o seu percurso na música aos 14 anos, tendo dado um passo decisivo em 2022, quando decidiu mudar-se para Lisboa para participar no programa Ídolos. Desde então, Juliana tem-se dedicado à escrita e ao desenvolvimento do seu projeto musical. Atualmente, acaba de lançar “Beija-Flor”, um dueto com o baterista e compositor Mauro Ramos e encontra-se a trabalhar num disco em colaboração com o pianista e arranjador Valter Rolo.

Gonçalo Rego, de 21 anos, desenvolve o seu percurso na área do audiovisual, com o objetivo de migrar para o cinema no futuro. Apesar de não estar a trabalhar num projeto específico, Gonçalo encontra-se em fase de construção e definição do seu caminho artístico, etapa que encara como um período de aprendizagem e preparação para desafios futuros.

Criar não por escolha, mas por necessidade

Para muitos jovens artistas, criar não é uma escolha consciente, mas antes uma necessidade. A criação surge como uma resposta a inquietações internas, seja através da música, do design, do cinema e de tantas outras artes e formas de expressão. O ato criativo torna-se um impulso, que precede qualquer ambição profissional ou reconhecimento.

Há quem encare a criação como uma opção: algo que se faz quando há tempo, inspiração ou oportunidade, mas, para muitos criadores, criar não é uma decisão consciente, e sim um imperativo. Uma pulsão que surge antes de haver sequer nome para ela e que se impõe como uma forma de estar no mundo.

A criatividade não deve ser vista apenas como uma competência técnica ou profissional, mas também como uma dimensão essencial ao desenvolvimento pessoal e à construção da identidade. Criar é uma resposta à necessidade de expressão, de organização do pensamento e de afirmação do “eu”. É neste ponto que a criação deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade.

Muitos criadores começaram cedo, ainda em criança, quase sem saber explicar porquê. Não havia um plano, um objetivo ou uma ideia de futuro, apenas uma necessidade espontânea de o fazer. Desenhavam, cantavam, escreviam, porque lhes fazia sentido naquele momento. Só mais tarde perceberam que esse impulso inicial, aparentemente inexplicável, já fazia parte de quem eram.

Pensar em desistir faz parte do processo criativo. A instabilidade, a falta de reconhecimento, o desgaste emocional e a pressão são alguns dos fatores mencionados.

A paixão não garante estabilidade financeira, e a dedicação à sua arte implica, frequentemente, abdicar de uma compensação monetária justa ou de oportunidades de carreira mais convencionais. Ainda assim, o que impede a desistência não é, na maioria das vezes, a esperança de sucesso, mas a impossibilidade de conter o impulso criativo. Mesmo quando se tenta parar, a criação encontra outras formas de regressar. O que os faz continuar é, muitas vezes, o mesmo que os fez começar: a necessidade.

Quando percebeste que precisavas de criar?

Para Margo, a necessidade de criar surgiu em pequena: “A minha mãe trabalhava numa fábrica. Ela trazia uns plásticos e eu fazia com eles uma maquete, porque não tinha nada para fazer e tinha de aproveitar o tempo, então, foi sempre a criar ou a desenhar”.

A experiência de Óscar com o mundo criativo teve um início diferente: “Quando tinha mais ou menos 13 anos, tinha um teclado, que era do meu avô, e ele estava lá em casa e, como ninguém o usava, decidi colocá-lo no meu quarto”. Por nunca ter tido formação musical, Óscar começou a experimentar, a tocar nas teclas que lhe soavam bem e a divertir-se: “aprendi e percebi que fazia parte de mim”, sublinha o músico.

Juliana conta que começou “a sentir essa necessidade sem perceber que era uma necessidade quando era muito pequenina, porque a maneira de me expressar ou de tirar algumas dores sempre foi a cantar”.

Gonçalo acrescenta ainda que, desde criança, sempre se sentiu mais ligado a uma vertente criativa, começando por desenhar, embora mais tarde viesse a perceber que não tinha muito jeito: “Depois comecei a gostar mais de música e sempre vi filmes. Durante a COVID-19, quando aprendi mesmo a editar, percebi que isto era «fazível». Comecei a desenvolver projetos para a escola e, no 12.º ano, decidi que era o cinema que queria seguir”.

Já pensaste em desistir?

Tanto Margo como Gonçalo admitem que já pensaram várias vezes em desistir.

Margo confessa questionar várias vezes "será que eu não sou suficiente? Será que o que eu faço não é suficiente? Será que o que eu faço não traz nada?". Ainda assim, a artista reconhece que: “só o criarmos ou só fazermos e trazermos ao mundo já acrescenta alguma coisa. E essa pressão que nós pomos e como nós avaliamos o nosso trabalho, [como] bom ou mau... é tudo muito abstrato”. Nas suas palavras, “o que importa é só criar”.

Gonçalo refere que, na área do audiovisual, a resiliência é o que os torna mais fortes: “pensas todos os dias em desistir, mas no final do dia não desistes”.

O que te move hoje a continuar?

Segundo Juliana, “a necessidade de falar de coisas de que eu preciso para mim e também coisas que eu sinto que é necessário falar para o mundo” são os fatores que a movem a continuar. A artista acrescenta ainda que gosta muito de arte de intervenção, vertente que procura nos artistas que ouve, capazes de fazer alguém sentir que não está sozinho: “Se os artistas que eu admiro têm o poder de fazer isso comigo, sentir que eu o posso fazer por mim e talvez por uma pessoa, mesmo que seja só uma”.

Óscar confessa que o seu motivo é um pouco mais egoísta: é algo que simplesmente não consegue parar de fazer e que lhe traz verdadeiro prazer. Ao lançar os seus projetos, questiona-se sobre como serão recebidos, se as pessoas vão perceber a mensagem que quer transmitir ou se irão gostar do que fez. Essa incerteza, porém, não o desencoraja; pelo contrário, diverte-o e motiva-o a continuar. O que mais o impulsiona é alcançar aquele ponto em que a sua intenção e a perceção do público se alinham “porque acho que é para isso que serve a arte”, conclui.

A contradição: liberdade vs. pressão

Se criar nasce da liberdade de expressão, também traz consigo uma contradição: a criação pode ser tanto um espaço de libertação como uma fonte de pressão.

Para estes jovens artistas, o ato de criar oscila entre o prazer de experimentar e o peso das expectativas, sejam estas pessoais, sociais ou  de um mercado cada vez mais exigente.

A liberdade de criar traz consigo uma pressão constante: equilibrar aquilo que  querem expressar com a necessidade de permanecer originais. Assim, o que deveria ser um espaço de liberdade transforma-se muitas vezes num lugar de stress, onde a vontade de criar convive com o medo de estagnar, repetir ou desaparecer.

Nesta tensão, criar torna-se uma contradição produtiva, onde a necessidade de expressão e a pressão para produzir coexistem e se influenciam mutuamente. É neste espaço ambíguo que muitos descobrem a própria identidade artística. A pressão pode funcionar como catalisador, levando-os a explorar novas ideias e a desafiar os seus limites, mas também pode ameaçar apagar o prazer de criar. Encontrar equilíbrio torna-se, assim, um exercício constante.

Para alguns, essa tensão é até inspiradora: é na contradição entre liberdade e pressão que surgem soluções inesperadas, abordagens originais e a coragem de assumir riscos.

No final, é essa complexidade que torna o ato de criar tão vital e humano: simultaneamente libertador e desafiador, prazeroso e exigente. Para os jovens artistas de hoje, reconhecer e abraçar essa contradição é essencial para continuar a criar com sentido e propósito.

Criar é mais prazer ou mais pressão? Porquê?

Quando questionados sobre se o ato de criar representa mais prazer ou mais pressão, as respostas revelam perspetivas distintas.

À medida que o reconhecimento cresce, Margo refere que surge também a pressão associada aos rótulos profissionais. A designer e ilustradora admite sentir o peso das expectativas, que, por sua vez, transformam o processo de criação numa obrigação. Atualmente, procura afastar-se dessa lógica, defendendo uma prática mais livre e pessoal: “nesta temporada estou a tentar afastar-me e estar mais num sentido de criar por mim, criar pelo bem da arte. Isto é super snob da minha parte, mas acho que é essa a base de criar, criar por criar, criar para trazer algo novo e não da pressão de «tu tens um título e tens de fazer.»”

Óscar encara a criação como um equilíbrio constante entre o entusiasmo e a pressão. Se, por um lado, o início de um projeto é motivador e estimulante, por outro, pode tornar-se emocionalmente mais exigente: “eu passei muito mal quando queria acabar o EP: eu não conseguia acabar o EP, à procura do que é que faltava, qual é a peça que eu não estou a encontrar, e é mesmo, lá está, por estar tão ligado a mim”. Para o músico, lançar um projeto só faz sentido quando é possível refletir, de forma honesta, a sua visão e experiência, tornando o percurso mais intenso e, por vezes, mais angustiante.

Por sua vez, Juliana associa a criação ao prazer, mas também a uma necessidade vital. Para a cantora e compositora, escrever e cantar funcionam como uma forma de libertação emocional: “há muita coisa que eu preciso de escrever e que preciso de cantar. Sempre que me dói alguma coisa é cantando que sai daqui. Portanto, é claramente por prazer e necessidade, mas uma boa necessidade”.

Entre o “Eu” e a Obra

Para muitos criadores, a arte expressa aquilo que não é facilmente verbalizado. Não se trata de contar a própria história de forma literal, mas de deixar a sua marca. A questão fundamental não é tanto sobre se a arte revela quem somos, mas até que ponto estamos conscientes disso. O maior objetivo pode não ser o sucesso, mas a coerência: continuar a criar sem se afastar de si próprio.

A obra regista um determinado momento do “eu” e acompanha a sua evolução, refletindo dúvidas, descobertas e mudanças, ao mesmo tempo que se dá a conhecer aos outros. Neste sentido, o objetivo nem sempre é “chegar a mais pessoas”, mas chegar às pessoas “certas”: tocar, provocar, fazer rir... Criar algo que faça sentido, primeiro para quem cria e depois para quem recebe.

A receção da obra é sempre imprevisível. Depois de partilhada, deixa de pertencer apenas ao seu criador e passa a ser reinterpretada por quem a vê, lê ou escuta. Ainda assim, mantém-se um desejo subjacente: a intenção de que algo aconteça do outro lado. O maior desejo de quem cria é que alguém se sinta menos sozinho e mais feliz ao entrar em contacto com a sua obra.

Entre o “eu” e a obra existe um percurso solitário, mas entre a obra e quem a recebe cria-se uma ponte. É aí que a criação se completa.

Sentes que a tua arte reflete quem és?

Para Margo, criar é uma forma de imprimir a própria visão e personalidade no trabalho. Embora os projetos possam responder a pedidos externos, a sua abordagem reflete sempre aquilo que a distingue, combinando humor e elementos da infância: “Então sim, eu acho que reflete muito a minha personalidade”, refere.

Juliana vê a criação como algo intimamente ligado às suas experiências pessoais. Prefere escrever sobre o que sente e vivencia, em vez de inventar histórias, dado que acredita que a autenticidade surge precisamente dessa ligação com o próprio mundo: “Eu acho que sou muito melhor a escrever sobre mim e sobre coisas que mexem comigo do que propriamente a inventar algo”, considera.

Gonçalo reforça esta perspetiva, apontando a ideia de que a criatividade funciona como uma forma única de expressar a individualidade e o caráter de cada pessoa, permitindo que cada obra revele traços da personalidade de quem a criou.

Qual é o teu maior objetivo?

Para Margo, o principal objetivo é impactar positivamente as pessoas, seja alegrando o dia de alguém, ou trazendo novas ideias.“Se puder influenciar alguém da melhor maneira, espero eu, gostava de fazê-lo”, explica. Afirma ainda que não procura ganhos monetários e que prefere criar sem pressão externa, separando o trabalho e a remuneração da expressão artística e da mensagem que quer transmitir.

Óscar encara o objetivo de forma mais pessoal e criativa: quer chegar a um ponto em que se sinta plenamente satisfeito com o que faz e também quer continuar a explorar diferentes estilos musicais. Como diz, “não quero parar mesmo”, destacando o prazer de descobrir e experimentar novas possibilidades.

Juliana vê o objetivo como um compromisso consigo própria e com a sua essência: pretende fazer a “Juliana pequenina” feliz e orgulhosa, mantendo-se fiel às suas convicções e ao que sabe que a deixaria satisfeita. Nas suas palavras, quer continuar a criar “aquilo que [a Juliana mais nova] ficaria orgulhosa de saber que eu estou a conseguir fazer”.

Para Gonçalo, o objetivo está ligado à liberdade e à autonomia criativa. “O meu maior objetivo é conseguir criar de forma pura e independente, sem estar à espera de que alguém me diga o que posso fazer ou como o fazer. Em termos práticos, é criar a minha própria empresa, ser o meu próprio chefe”, afirma.

O que gostavas que as pessoas sentissem ao ver/ouvir o teu trabalho?

Para Margo, o impacto do seu trabalho mede-se pela identificação do público:  “muito sinceramente, que rissem. Acho que isso é mesmo o suficiente, que ficassem assim, «ah, totalmente percebo esta situação». E eu gostava de conectar-me com as pessoas através disso, ou seja, as pessoas verem e ficarem, «ah, não sabia que as outras pessoas também sentiam isto».

Já Óscar encara a criação como um espaço de múltiplas sensações, tanto para quem cria como para quem escuta. Mais do que transmitir uma mensagem única, o artista deseja que o público o conheça através das suas escolhas criativas: “quero que as pessoas me conheçam, quero que as pessoas percebam porque é que eu quis meter aquela música, ou escrever aquela letra, ou tocar um piano daquela forma”. Para o músico, a possibilidade de ser compreendido é também o que sustenta a sua motivação para continuar a criar: “pensar dessa forma é o que me ajuda também a continuar, porque eu quero que as pessoas cheguem a esse ponto de me conhecer”, explica.

Para Juliana, a criação musical assume também uma dimensão de partilha e empatia: “Eu gostava que as pessoas sentissem que não estão sozinhas, que ouvissem naquilo que eu faço uma voz que é delas também”.

Um ato de resistência

O mundo artístico é cada vez mais marcado por dinâmicas rápidas, tendências e uma constante pressão para produzir. Neste cenário, o processo de criação pode assumir a forma de um ato de resistência. Para muitos jovens artistas, insistir numa criação demorada, elaborada e, de certo modo, imperfeita, é uma maneira de contrariar expectativas e desafiar narrativas dominantes. Criar torna-se, assim, um gesto consciente de oposição à indiferença, ao consumo rápido e ao silêncio.

A resistência não se limita à forma ou ao ritmo da criação, mas estende-se à própria escolha dos temas, das linguagens e das plataformas. Optar por contar histórias que desafiam normas, abordar questões sociais ou experimentar estilos pouco comerciais é, por si só, um ato de coragem. É a recusa em ceder à pressão por likes, tendências ou sucesso imediato.

Criar como resistência é também preservar a autenticidade face a um mundo que recompensa a viralidade e a conformidade.

Óscar refere que “é muito mais fácil fazermos tudo com Inteligência Artificial (IA), ou não fazer simplesmente, porque há tantos artistas e tanta arte, há tanta coisa que já foi feita, está-se basicamente, a replicar coisas sem saber”. Aborda também o facto de plataformas de streaming, como o Spotify, terem tendência a privilegiar conteúdos facilmente consumíveis, muitas vezes produzidos com recurso a inteligência artificial. A crescente presença de artistas gerados por IA levanta questões sobre visibilidade, remuneração e reconhecimento dos artistas humanos, que vêem o seu trabalho competir com este tipo de produções, muitas vezes não identificadas.

Neste cenário, criar torna-se um ato de resistência: insistir na imperfeição, na experimentação e na identidade própria surge como uma forma de contrariar a homogeneização promovida pelo mercado digital. Cada obra é uma afirmação de que o valor da arte não está apenas no consumo rápido, mas na capacidade de provocar reflexão, emoção ou mudança.

Para estes jovens, a arte é um território onde a individualidade e a consciência crítica podem florescer, mesmo em tempos acelerados e incertos. Juliana acrescenta que “a arte é sempre um ato de resistência”.

Criar é…

O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa  define criar como o ato de “dar existência a, gerar, produzir, originar, inventar, fomentar ou estabelecer” e, no uso pronominal, “nascer, produzir-se, crescer, passar à juventude”.

Para os jovens de hoje, criar transcende a simples produção artística: é uma necessidade de existir, de ser ouvido e de interagir com o mundo à sua volta. É através da criação que se experimenta, questiona, resiste, e, muitas vezes, se transforma a própria realidade.

Para Margo, criar “é só trazer algo novo ao mundo”; para Óscar “é a minha história”; para Juliana “é sobreviver” e para Gonçalo “é pensar. Cada vez que crio alguma coisa, isso revela algo sobre mim próprio que eu não sabia.”.

Entre trazer algo novo ao mundo, contar a própria história, sobreviver ou pensar-se a si mesmo, criar revela-se um espaço onde estes jovens encontram sentido, expressão e a possibilidade de existir para além das imposições do exterior.

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