A EMAP lançou uma open call para o programa de residências artísticas de 2027. Com candidaturas abertas até ao dia 6 de novembro, a iniciativa procura apoiar a criação de novas obras que relacionem arte, tecnologia e ciência. Podem candidatar-se residentes de qualquer Estado-Membro da União Europeia, independentemente da idade ou formação académica. Os vencedores vão receber apoio financeiro, oferta formativa e momentos de partilha entre artistas. Os trabalhos são apresentados na instituição de residência onde foram desenvolvidos, de onde partem para alimentar as exposições dos países pertencentes à rede da EMAP e circular por outras entidades internacionais em parceria.
Esta rede é constituída por um conjunto de 15 instituições, provenientes de diferentes países da União Europeia. A participação portuguesa tem o dedo do gnration, residência cultural localizada em Braga. Luís Fernandes, diretor artístico da Faz Cultura, empresa que gere os equipamentos municipais de Braga, identifica a EMAP como uma entidade financiadora da área dos novos media, aplicados à arte. Explica ainda que os seus objetivos são promover a colaboração entre artistas europeus e reforçar a visibilidade internacional dos trabalhos desenvolvidos.
Os apoios concedidos aos vencedores desta edição contemplam uma bolsa de 4.000 euros, um orçamento de produção no mesmo valor, os custos de deslocação assegurados e as despesas de um parceiro colaborador garantidas por uma bolsa adicional de 2.000 euros. De acordo com Luís Fernandes, os artistas selecionados contam também com a realização de “uma série de atividades paralelas, de cariz formativo”. Através de workshops de capacitação pretendem contribuir para a aprendizagem dos participantes, comenta.
Segundo o responsável, existe ainda uma conferência, que abre espaço para um encontro entre todos os membros do projeto. Em 2027, o LABoral, em Gijón, nas Astúrias, vai receber este momento de intercâmbio. Luís Fernandes, apresenta este evento como “um ponto de convergência onde os artistas selecionados apresentam de forma mais detalhada os seus trabalhos e ficam a conhecer os outros participantes”.
Mudam-se os espaços, mudam-se as vontades
Os candidatos podem propor mais do que um projeto artístico, nos domínios da arte digital, media arts, arte robótica e bioarte. O desenvolvimento das obras deve ser realizado através de uma residência de dois meses, em qualquer instituição-membro da rede, antes de percorrer as restantes residências. De acordo com o representante português, as candidaturas abrangem ainda um ranking ordenado das entidades com quem os artistas querem trabalhar.
Luís Fernandes partilha algumas pistas do que pode ser uma candidatura de sucesso à open call da EMAP. Apresenta a robustez das propostas como um denominador comum das preocupações das instituições no concurso, do ponto de vista conceptual, prático e artístico. Alerta que o projeto deve ser adequado aos perfis e interesses das entidades, que podem ser “bastante diferentes”. Há residências mais focadas “em questões da política relacionada com a arte, outros na bioarte ou ainda numa vertente performativa”, ilustra.
O responsável da Faz Cultura dá o exemplo da gnration, residência conotada com o universo da arte contemporânea e, em particular, na produção de obras sonoras. Esta vocação pode ser atrativa para os artistas que desenvolvem trabalhos relacionados com a acústica e que se envolvem em temas contemporâneos ou políticos.
Uma porta aberta para colaborações futuras
Nos seis anos de participação do gnration na rede de instituições da EMAP, Luís Fernandes sublinha a existência de um espólio de propostas que fica ao longo desses anos. Comenta que existe um legado de participantes com backgrounds e práticas distintas, bem como prémios internacionais que partiram de obras produzidas na rede, “o que contribui para o reconhecimento do trabalho desenvolvido”. Mesmo após alguns artistas vencerem ou integrarem a rede, continuam a fazer parte das dinâmicas de programação das estruturas. “Descobrimos o trabalho deles a partir desta oportunidade e, por vezes, é o início de uma relação mais longa e profunda”, revela o representante português da iniciativa.
É possível consultar os artistas e projetos que fazem parte da história da EMAP em https://emare.eu/.
Informação para as candidaturas
As candidaturas para a edição de 2027 do programa da EMAP abriram no dia 3 de setembro, em call.emare.eu. Até ao dia 6 de novembro, às 13 horas, podem-se candidatar residentes num Estado-Membro da União Europeia, ou de uma lista de países elegíveis fora da UE.
A iniciativa procura apoiar a criação de novas obras que relacionem arte, tecnologia e ciência. Cada candidatura deve incluir um CV, documentação audiovisual de trabalhos anteriores e um esboço preliminar do projeto. Os candidatos podem apresentar vários projetos e continuar a editá-los até ao prazo limite.
As diretrizes do projeto mantêm-se estanques e similares para o ciclo de 2026-2028. Em 2029 não haverá uma chamada a novos projetos, mas sim outro tipo de ações.