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“Estandarte Vermelho”, exposição de Tales Frey

O artista Tales Frey abrirá a sua nova exposição individual no dia 25 de Janeiro,…

Texto de Raquel Rodrigues

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O artista Tales Frey abrirá a sua nova exposição individual no dia 25 de Janeiro, que se encontra na Galeria Sput&Nik, no Porto, até dia 14 de Março.

As obras que estão na exposição foram criadas no contexto de uma residência artística na galeria Zsenne Art Lab, em Bruxelas, que decorreu em Setembro de 2019. “Quando cheguei ao local, me deparei com uma pedra que estava fragmentada. Era um balaústre do Palácio da Justiça quebrado em duas partes. Me propus a investigar alguma coisa nova. Não fui com nada previamente preparado para lá. Quando vi essa pedra, pensei em trabalhar a separatividade de matérias ou de corpos, a divisão de um único corpo em outros corpos ou, então, o contrário, a união de corpos num único corpo”, apresenta o autor.

O trabalho do corpo e da subjectividade, num diálogo político, é a linha principal das proposições estéticas do artista, que, nesta exposição, se apresentam sob a forma de uma performance, animada por um objecto, um vídeo e um desenho.

Estes dispositivos surgiram de forma “intuitiva”, “irracional” e Tales foi procurando sentidos a partir de uma cor, o vermelho, e de uma pedra. No interior do vermelho, o desejo. “Estou falando de corpos em relação, do desejo sexual, de sexualidade. Coloco corpos que estão em transformação, que não, necessariamente, se adequam a uma lógica binária. Então, também fala de uma transição de um género para outro, do híbrido, de uma coisa que não é feminina nem masculina.” A vídeo-instalação, intitulada “Sissyparity”, é o único trabalho que não foi realizado na residência. “Sissy” é “um nome excessivamente feminino” e “parity” permite retirar a letra “x”, que corresponde ao cromossoma masculino, substituindo por “ss”.

Imagem retirada da video-instalação “Sissyparity”

Esta transformação e fluidez também são exploradas através de uma performance, onde duas pessoas transitam entre poses e o “movimento acontece de uma forma espontânea, saindo de uma construção corpórea para outra”, activando o objecto, um vestido vermelho, com uma extensão que funciona como tapete, que não permite colocar os pés no chão, convidando, assim, a uma irracionalidade. Constitui uma analogia com o evento dos Óscars. Sobre esta carpete, encontram-se “duas divas jogadas no chão, mas ao mesmo tempo numa situação muito decadente, pois estão ornadas por um vestido que também é tapete”. Desta forma, a obra permite sinalizar o comportamento humano enquanto algo condicionado pelo vestuário e adereços e, deste modo, por uma exterioridade, um vazio, na medida que não está enraizado numa verdade anterior.

Red Carpet

A partir da relação entre os performers, o artista procura “pensar a política de um modo basilar, fundamental”, o que corresponde a “pensar pessoas dentro de uma sociedade, como elas podem viver de maneira harmónica, onde cada um tem que ceder para o outro estar bem, e vice-versa”, explica. Tendo a experiência do seu país, o Brasil, como pano de fundo, reflecte sobre a separação que os estados não democráticos exercem sobre os grupos de resistência, procurando anular a sua força e priorizar determinados corpos em detrimento de outros. “O que eu pretendo é fazer o contrário, colocar as pessoas em conexão, juntas, partilhando a mesma experiência. Quando faço esse trabalho da performance, coloco duas pessoas em convívio. Ali, naquele jogo, vão ter que descobrir a forma ideal para eles naquele instante. São duas singularidades distintas tendo que se compreender no próprio espaço”, esclarece.

O desenho de um pénis que se prolonga num dedo, o qual tem uma unha pintada de vermelho, foi traçado na parede, de modo a abri-lo ao espaço, contaminando-o, dialogando com as outras obras e, com elas, misturando-se, o que reforça o discurso que circula a exposição.

"O papel criava uma delimitação. A luz cria algo mais expandido pela parede."

Tales Frey (Catanduva – São Paulo, 1982) é artista transdisciplinar, vive e trabalha entre o Brasil e Portugal. Realiza obras amparadas tanto pelas artes visuais como cénicas, situadas no cruzamento entre a performance, o vídeo, a fotografia, o objeto, o adorno/indumento e a instrução.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues
Fotografia de Tales Frey

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