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2º edição do Festival Desdobra-te aos Poucos: “continuar até ser possível, acreditando que será sempre possível”

A segunda edição do Festival Desdobra-te aos Poucos já está a caminho. Entre os dias…

Texto de Bárbara Dixe Ramos

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A segunda edição do Festival Desdobra-te aos Poucos já está a caminho. Entre os dias 26 e 29 de novembro, o Festival, levado a cabo pela Associação PédeXumbo, vai decorrer no Espaço Celeiros, em Évora.

Têm sido inúmeros os desafios da organização para conseguir manter esta edição de pé. A programação do Festival Desdobra-te foi assim repensada, tendo dado origem a mais um dia do que o incialmente previsto. As restrições de horários aos fins de semana, impostas pelo Governo, levaram ainda a que os bailes-concerto de sábado e domingo passem a acontecer de manhã, e o passeio e as oficinas tenham sido cancelados.

Agora, a apenas quatro dias do arranque, a nova programação apresenta ao todo 10 atividades. Por forma a garantir que o número máximo de espectadores é cumprido - 30 por sessão - esta edição traz uma novidade: "Desdobra-te aos poucos em casa". Este novo conceito permite a quem comprar o Passe Baile em Streaming assistir aos Bailes-concerto sem sair de casa.

Em entrevista ao Gerador, a Associação PédeXumbo, responsável pela organização do Festival, fala-nos sobre como foi proceder a todos os reajustes para que o Festival se mantive-se de pé, incluíndo a alteração de espaço, destacando como se desdobra a programação do Festival este ano.

Gerador (G.) - Como é que toda a organização do Festival está a viver estas alterações de última hora na programação?

PédeXumbo (PdX) -
Apesar de não ser uma tarefa fácil adaptar o festival aos dias que vivemos, sobretudo porque recebemos novas normas semanalmente que nos exigem uma readaptação constante deste novo formato, a PédeXumbo tem uma grande missão que é fazer seguir o baile. Consideramos que a cultura, a dança e a música em particular, nos dão força para o nosso dia-a-dia, por isso o nosso objetivo é continuar. Vamos continuar a dançar, mas terminamos as atividades mais cedo. Vamos continuar a dançar, mas com menos pessoas e enviando ainda os bailes até à casa dos que querem vê-los online. Vamos continuar a dançar, mas com menos espaços de programação. Apesar de todo o esforço que esta realidade nos impõe, temos que continuar!

G. - Este ano a vossa mensagem é então “Vamos continuar”, independentemente dos obstáculos que possam surgir. Como é que têm feito para continuar a chegar ao público e captar a confiança do mesmo?

PdX - Ninguém disse que ia ser fácil e não é. É como se estivessemos todos a aprender a caminhar outra vez, para quem organiza e para quem participa no festival. Temos que nos reinventar a cada semana, à medida que saem novas medidas de prevenção e segurança. Na mesma medida oscilam também as vontades e os medos, mas o nosso lema continua: continuar até ser possível, acreditando que será sempre possível. A PédeXumbo tem um público fiel, que nos acompanha em quase todas as atividades e temos ainda recebido muitas mensagens de força e coragem para aguentar firme a nossa intenção de fazer seguir o baile. Estamos a pensar em tudo, a estudar o modelo há vários meses. Sabemos que, pelas características das áreas que promovemos - a música e a dança -, que promove por sua vez o contato físico, a forma como nos reinventamos é cada vez mais exigente, mas somos criativos, temos vontade e acreditamos. Em relação à preparação do espaço temos sido criteriosos e criámos ainda a campanha #desdobrateporumaculturasegura através da adaptação do espaço às novas regras de segurança e da criação de um Guia do Participante - disponível no nosso site - para facilitar a vida de todos na hora de dançar e de circular pelo recinto do festival. O Espaço Celeiros foi transformado num grande Bairro que irá abraçar todas as áreas onde se desdobra o festival, como por exemplo a Vila Joio e a Vila Trigo, os salões de bailes e espetáculos. Todo este espaço, bem como as suas diferentes áreas, está a ser pensado para receber os participantes com as regras de segurança, higiene e distanciamento a que devemos obedecer, proporcionando-lhes ao mesmo tempo bem-estar e conforto. 

G- A que se deveu a alteração do espaço para a realização do Desdobra-te?

PdX - Na edição anterior o Desdobra-te, como o próprio nome indica, foi desenhado para convidar os participantes a desdobrarem-se entre dois lados da programação - um lado A e um lado B - e ainda para se desdobrarem por vários espaços da cidade de Évora onde aconteciam as atividades da programação. Este ano, devido ao contexto que atravessamos, a proposta é um Desdobra-te aos poucos, que nos leva a reduzir os espaços de programação e por tal a concentrar a programação na casa da PédeXumbo - o Espaço Celeiros - para um número reduzido de participantes que querem participar de forma presencial. 

G. - E o que destacariam destes 4 dias de Festival?

PdX - Serão 4 dias de festival e 10 atividades. Vamos abrir a programação na quinta-feira, dia 26 de novembro, com 3 espetáculos: duas performances de dança com o bailarino Pedro Sampaio e a Madrasta Dance, aqui representada pelo Luis Fernandes e a Clara Marchana. Sexta, sábado e domingo serão dias para ir aos bailes-concerto. Sexta-feira abrimos o salão com "Granel", o Novo Baile PX com músicos de Évora que têm estado em residência a convite da PédeXumbo para a criação deste baile, e depois seguem-se Correcaminhos, com a Ana Santos e Stela Silva. No sábado e no domingo os bailes-concerto serão de manhã, para começarmos bem o dia, e vamos estar com Parmenter-Delafuente* (PT/ES), um duo composto por Eva Parmenter e Juan de La Fuente - este baile vai estar ainda em direto na Diana FM para que todos possam ouvir em Évora e arredores ou online, na página da rádio; os DOS (ES), os espanhóis Pedro Bartolomé e Esther Sánchez; os irmãos italianos Duo Bottasso (IT); e Dahu (PT), com Pedro Prata na guitarra e Inês Lopes na concertina.
No Desdobra-te os bailes-concerto são para todos: para os querem dançar, para os que querem simplesmente ficar sentados a ouvir, para os que querem vir para o espaço do festival e para os que querem ficar nas suas próprias casas. A PédeXumbo abre a possibilidade de se adquirir Passes Baile em Streaming para levar os bailes a várias casas, através da plataforma Zoom, permitindo que todos bailem, desde Évora ao resto do país. Serão 4 dias para ver, ouvir, dançar e reinventar os encontros à volta da música e da dança.

G. - De que forma vai funcionar o “Desdobra-te aos poucos em casa”? Como vai ser a interação com o público que está em casa?

PdX - Depois do Festival #SigóBaile que a PédeXumbo fez acontecer online, no mês de abril, percebemos que as pessoas sentem muita necessidade de continuar a dançar, mesmo que isso implique transformar as suas próprias salas em salões de bailes. Não queremos deixar de abrir essa possibilidade aos que, por qualquer motivo, não se podem deslocar ao Festival Desdobra-te. Quem compra o Passe Baile em Streaming recebe um link por baile para assistir em direto no Zoom e aquilo a que vai assistir é ao baile em direto "junto" as músicos, que não vão perder a oportunidade de enviar uma mensagem lá para casa. Os músicos vão apresentando as músicas que vão tocar para as respetivas danças para que todos possam dançar em casa.

Os bilhetes para o Festival Desdobra-te aos poucos devem ser adquiridos através do seguinte formulário. Todas as informações e programação podem ser encontradas aqui.

Texto de Bárbara Dixe Ramos
Fotografia Dahu, cedida pela organização do Festival

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