Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

OS SENTIDOS DA MÚSICA #9

Tiago Sousa Para se evocar um sentimento ou uma emoção através da música, o lado…

Texto de Margarida Marques

Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Tiago Sousa

Para se evocar um sentimento ou uma emoção através da música, o lado racional pode atrapalhar ou, pelo contrário, ajudar?

Foi pela música que o homem, primeiro, se apercebeu das relações numéricas presentes no universo, reveladas pela aritmética e geometria, a um nível sensorial e acústico. Ao mesmo tempo que a música se manifesta a um nível abstracto e sensível, está intimamente ligada ao desenvolvimento das capacidades cognitivas humanas. O seu aprofundamento resulta do investimento nessas capacidades, como a memória ou a lógica, ao mesmo tempo que há um lado indizível na música que alude muito mais a aspectos intuitivos e subjectivos da existência. Portanto, acho que não podemos menosprezar a lógica em prole da intuição nem o contrário. Acho que a grande mestria se encontra quando se somam estes diferentes aspectos.

Qual é ou quais são as músicas que fazem o teu corpo mexer?

Praticamente toda a música faz o corpo mexer.

E aquelas que te conduzem a um estado de espírito imediato?

A música ajuda-me a praticar o estado de espírito imediato, a praticar instantes.

Achas que o facto da música ser invisível, não palpável, ajuda-a a ser mais intuitiva e, por conseguinte, ter uma outra relação com a nossa consciência?

Sem dúvida. A música, desde tempos idos, está muito ligada à expressão do inconsciente e, de facto, é difícil prever o que uma determinada música pode provocar em cada indivíduo. Mas claro que há algumas balizas teóricas sobre isso -- a forma como determinados acordes ou escalas contribuem para um estado de espírito específico. Acho que essa relação instintiva e inconsciente está sempre à espreita na música e o seu efeito consegue ser, verdadeiramente, indutor de transcendência.

Já te aconteceu pensares numa imagem, num ambiente específico ou espaços enquanto compões?

Normalmente, trabalho a minha música a partir de conceitos mas nem sempre posso dizer que seja uma coisa inteiramente controlada ou induzida. A mim, a música revela mais do que seja o resultado de uma intencionalidade, pelo facto de estarmos a falar da construção de um micro-cosmos, certos aspectos da psique e do modo como o indivíduo lida com o cosmos.

Se pudesses desenhar e pintar a tua música, como seria e que cores teria?

Não sei se vou dizer isto por causa de estar tão visualmente ligado ao cromatismo do teclado mas, para mim, a minha música seria a tons de preto e branco.

Como é que imaginarias o sabor da música mais especial para ti? Doce, amargo, salgado como o mar, agridoce?

A volúpia dos sons, para mim, é suficiente. Nunca associei muito a sabores ou cores.

Pensa no cheiro mais importante para ti, aquele que ficou na tua memória. Que música lhe associarias?

O cheiro da casa da minha avó. Lembrar-me-ia de uma sonata de Beethoven, pode ser a Pathétique.

Achas que a música pode ser um bom veículo para fixar e guardar memórias?

Para mim é o melhor veículo. Se eu quero memorizar alguma coisa, a musicalidade é logo o primeiro nível de associação que procuro. Seja pela musicalidade de um discurso ou inventar uma cantiga que me ajude a memorizar.

Como artista como é, para ti, deslindar sentimentos e emoções através de notas musicais?

É insondável e uma constante surpresa. É perturbador e conflituante a maior parte do tempo, mas revelador e mágico umas poucas vezes. É com esse fim em vista que me aplico na sua prática, que se apresenta a maior parte das vezes como uma frustração. Mas acho que isso tem algo de muito importante sobre a existência. O modo como temos de saber ser pacientes e como precisamos confiar na expressão do que de mais íntimo e particular se expressa na existência de cada um.

Entrevista por Ana Isabel Fernandes

Foto de Vera Marmelo

Se este artigo te interessou vale a pena espreitares estes também

29 Maio 2026

Tempos livres. Iniciativas culturais pelo país que vale a pena espreitar

28 Maio 2026

Dar uma volta com Marco Mendonça

28 Maio 2026

Procuramos pais de crianças até 10 anos para falarem sobre imaginação 

28 Maio 2026

B Fachada, Gisela Mabel, Carla Chambel e Raúl Pinto no FALA

27 Maio 2026

Pensar o Colonialismo em Voz Alta: descobre algumas das reflexões da última Residência Insubmissa Gerador

25 Maio 2026

Singularidades de Guimarães: que imagem tens de liberdade? Ouve aqui o podcast

25 Maio 2026

Futuro ou espaço de incerteza? A visão de Marisa Santos sobre o ensino superior

22 Maio 2026

De 27 a 29 de maio participa gratuitamente numa formação sobre liderança, participação cívica e artivismo

22 Maio 2026

Tempos livres. Iniciativas culturais pelo país que vale a pena espreitar

21 Maio 2026

Print Pause Lisboa: candidata-te a participar na feira dedicada a publicações independentes

Academia: Programa de Pensamento Crítico Gerador

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Criação e Manutenção de Associações Culturais

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo Literário: Do poder dos factos à beleza narrativa [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Curso Política e Cidadania para a Democracia

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Fundos Europeus para as Artes e Cultura I – da Ideia ao Projeto [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Imaginação para entender o Futuro

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Literacia Mediática

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Financiamento de Estruturas e Projetos Culturais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo e Crítica Musical [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Autor Leitor: um livro escrito com quem lê 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Clube de Leitura Anti-Desinformação 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Comunicação Cultural [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Desarrumar a escrita: oficina prática [online]

Duração: 15h

Formato: Online

Investigações: conhece as nossas principais reportagens, feitas de jornalismo lento

20 abril 2026

Futuro ou espaço de incerteza? A visão de Marisa Santos sobre o ensino superior

Para muitos jovens o ensino superior continua a ser o percurso natural, quase obrigatório, para garantir um futuro melhor. Apesar disso, nem todos os que escolhem seguir este caminho encontram uma realidade correspondente às expetativas. Neste projeto, procuramos perceber, através de uma reportagem aprofundada e testemunhos em vídeo, o que está realmente a em causa no ensino superior em Portugal. O que está a afastar os jovens? O que os faz ficar ou sair? E, sobretudo, que país estamos a construir quando estudar se transforma num privilégio ou num risco.

16 fevereiro 2026

Com o patrocínio do governo, a desinformação na Eslováquia está a afetar pessoas, valores e instituições

Ataques a jornalistas, descredibilização da comunicação social independente, propagação de informação falsa, desmantelamento de instituições culturais. A desinformação na Eslováquia está a crescer com o patrocínio dos responsáveis políticos, que trazem para o mainstream as narrativas das margens. Com ataques e mudanças legislativas feitas à medida, agudiza-se a polarização da sociedade que está a prejudicar a democracia e o sentimento europeísta.

Carrinho de compras0
There are no products in the cart!
Continuar na loja
0