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Acabou o champô ou o detergente? Há lojas em que pode voltar a encher a embalagem

Com os olhos postos nos milhares de milhões de embalagens que todos os anos vão…

Texto de Isabel Patrício

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Com os olhos postos nos milhares de milhões de embalagens que todos os anos vão parar aos aterros, há lojas e marcas que estão a apostar num sistema diferente: o recarregamento do mesmo recipiente. Basta levar a embalagem vazia e voltar a enchê-la com o produto desejado, dos champôs aos detergentes para a roupa, passando pelos géis de banho.

Num inquérito elaborado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa em 2018 (com base numa amostra representativa da população residente em Portugal), concluiu-se que mais de 70 % dos inquiridos estavam disponíveis para reutilizar as embalagens de produtos, como champôs, géis de banho e detergentes, de modo a reduzir a poluição por plásticos. 

Para dar resposta a essa disponibilidade, e numa altura em que a necessidade de as indústrias reduzirem o seu impacto ambiental tem conquistado maior destaque, há lojas e marcas que estão a apostar no sistema de refill, isto é, declarando guerra às embalagens de utilização única, permitem que os seus consumidores tragam os recipientes vazios e voltem a enchê-los com os produtos desejados.

É o caso da EcoXperince, marca portuguesa que transforma óleos alimentares usados em detergentes ecológicos e biodegradáveis. “O refill torna-se mais prático e simples, uma vez que basta a pessoa levar a sua própria embalagem, que é adquirida apenas na primeira compra, e encher sempre com a mesma quantidade”, explica fonte desta empresa, cujos produtos estão hoje disponíveis em mais de 180 pontos de venda, no território nacional, sendo que a maioria destes disponibiliza o referido sistema de recarregamento. 

EcoXperience conta com quase duas centenas de pontos de venda. Fotografia de EcoXperience via Facebook.

Na opinião da EcoXperience, o refill é um “modelo que vai ser o futuro da compra de vários produtos”, à boleia nomeadamente da necessidade de reduzir as embalagens, apostando na reutilização das já existentes. Esta empresa portuguesa conta hoje com 14 referências de produtos líquidos para o setor doméstico, entre detergentes para a roupa, para a loiça e para o chão, e adianta que tem já 20 novos produtos “desenvolvidos e prontos para serem lançados”. “Esperamos ainda disponibilizá-los até ao final de 2022”, revela fonte da marca.

Também na indústria da cosmética e dos cuidados pessoais, estão disponíveis soluções de recarregamento. Por exemplo, a portuguesa Benamôr estreou em meados de 2017, na sua loja na LX Factory, o sistema de refill (foto no topo): o cliente tem apenas de comprar a garrafa de alumínio reutilizável, que poderá devolver quando estiver vazia. Na próxima compra, ser-lhe-á entregue um novo recipiente, já que o usado é desinfetado e reintroduzido, depois, no sistema, num modelo circular. Hoje, segundo Pierre Stark, este sistema já está disponível em metade das lojas da Benamôr e há planos para continuar a expandir esta rede. Podem ser adquiridos por esta via o gel de banho e a loção corporal da marca, sendo que este sistema só é possível porque a Benamôr conta com uma fábrica a 25 quilómetros de Lisboa, o que assegura a qualidade e frescura dos produtos, assegura o mesmo responsável.

“Sempre tivemos a sustentabilidade na nossa história, porque a maioria dos produtos são embalados em bisnagas de alumínio. Pensámos que tínhamos de ir mais longe e propor o sistema de refill, que já existia noutros países, mas não em Portugal”, explica Pierre Stark, que revela que, no início, a adesão, em termos de consumo, era residual, mas foi crescendo. “As marcas têm também de educar os clientes”, frisa.

Entre as marcas de cuidados pessoais com presença no mercado português, a Benamôr foi pioneira na adoção do sistema de refill, assegura Pierre Stark. Fotografia de Benamôr via Facebook.

Também a The Body Shop está a seguir este caminho. “Vamos melhorar o nosso comportamento para melhorar também o planeta. E isso começa com uma revolução do refill”, salienta a empresa britânica, no seu site. Em Portugal, há sete estações de recarregamento: no Centro Colombo, em Lisboa, no Mar Shopping, no Porto, no Almada Fórum, em Lisboa, no Norteshopping, no Porto, no Centro Vasco da Gama, em Lisboa, no Alegre Alfragide, em Lisboa, e no Coimbra Fórum, em Coimbra. “Esta é a nossa nova aposta para permitir que mais pessoas possam adotar uma alternativa mais ecológica. Queremos que o serviço de refill seja algo comum e que esteja ao alcance de qualquer pessoa”, enfatiza a marca.

Também neste caso, o sistema é simples: basta comprar uma garrafa de alumínio reutilizável e reabastecê-la sempre que precisar. Um modelo que não é apenas “compensador para o planeta”, mas também é mais económico para o cliente, já que o recarregamento sai mais barato, indica a The Body Shop, que a aquisição de um produto numa embalagem nova.

A The Body Shop estreou o sistema de refill lá fora, mas já o disponibiliza numa seleção das suas lojas em Portugal. Fotografia de The Body Shop via Facebook.

Perante estas vantagens, um conjunto de associações nacionais – entre as quais, a DECO e a Associação Sistema Terrestre Sustentável (ZERO) – lançaram em 2021 uma petição pela disponibilização de produtos de limpeza e higiene pessoal em sistema de refill. Foram recolhidas mais de 2.700 assinaturas. “Pareceu-nos que havia uma oportunidade para chamar a atenção dos retalhistas para esta possibilidade, que vemos já a acontecer noutros países”, explica Susana Fonseca, membro da direção da ZERO.

A responsável enfatiza que, em Portugal, as opções de recarregamento ainda não são comuns, isto é, embora já estejam disponíveis em certas lojas mais especializadas, não são oferecidas nos grandes supermercados. “O desafio é passar para a grande distribuição”, observa Susana Fonseca, defendendo que é preciso dar um “salto significativo” até porque o refill é uma “forma simples e rápida de reduzir as embalagens que andam a ser produzidas”.

A responsável da ZERO avisa, por outro lado, que tem de haver um incentivo no preço para o consumidor, ou seja, reutilizar a embalagem tem de significar alguma poupança para o cliente. E agora que a recolha de assinaturas já terminou, as associações que se juntaram para lançar a referida petição vão estar atentas, adianta Susana Fonseca, na esperança de que haja algum passo rumo a um futuro com menos recipientes e mais recarregamentos.

Texto por Isabel Patrício
Fotografia cortesia de Benamôr

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