Nos dias 30 de setembro e 1 de outubro, pelas 20h00, o músico Gabriel Ferrandini faz do anfiteatro ao ar livre da Fundação Champalimaud a sua casa de experimentação. “Anjo Solidão” é uma performance onde o acústico e os sons amplificados se encontram com a escultura de Vasco Futscher, que assume um papel central.

Em 2019, a BoCA - Biennial of Contemporary Arts fez-lhe um convite que propôs que saísse da sua zona de conforto. Estreou, assim, a sua primeira criação de palco, “Rosa. Espinho. Dureza”, uma dramaturgia cénica em três atos — Trabalho, Sexo e Amor. Desde então, Ferrandini tem continuado a estabelecer diálogos com artistas das mais diversas áreas. Desta vez, na altura em que lança “Hair of the Dog”, o seu mais recente álbum e também a sua estreia a solo, agrega a multidisciplinariedade que tem composto a sua carreira jazzística.

Neste “Anjo Solidão”, além da escultura de Vasco Futscher conta com o trabalho de Miguel Abras — responsável pelo material de síntese digital, e com quem já havia colaborado na produção de “Hair of the Dog” — e com Hélder Nelson no desenho de som. A estes momentos magistrais de performance juntam-se ainda coristas do Coro Gulbenkian, que esticam os limites do canto lírico. 

Gabriel Ferrandini integra um grupo de mais de 40 artistas contemporâneos que fazem esta edição da BoCA, cujo mote Prove You Are Human pretende “ativar uma empatia radical com a história, reescrevendo e reinscrevendo narrativas coletivas no presente que, por um lado, proponham a abertura da história a uma coexistência biodiversa a múltiplas vozes e, por outro, respondam às urgências de um mundo contemporâneo em crise, provocado sobretudo pelas alterações climáticas”.Descobre a programação completa da BoCA e destaques desta semana — como a performance de Miles Greenberg, “Water in Heatwave”, em Lisboa, e o encontro de António Poppe com La Familia Gitana, em Faro —, aqui

Fotografia de Carolina Pimenta
O Gerador e a BoCA são parceiros