A nova edição do Walk&Talk – Festival de Artes dos Açores, “9.5”, realizar-se-à entre 9 e 19 de Julho, entre o onsite e o online. Este novo formato foi a resposta do Festival aos desafios contemporâneos.

Evitando o cancelamento, surge esta edição intermédia, que “explorará plataformas emergentes e novos formatos de criação e apresentação artísticas”, lê-se no comunicado. Contudo, a essência mantém-se, através do onsite, dialogando com as comunidades locais e mantendo a fisicalidade, que coexistirá com o online, que permitirá uma democratização no acesso.

A “comunalidade” entrou, de forma mais acentuada, como tema de conversa. “Num contexto de pandemia, esta ideia de comunalidade ainda se tornou mais evidente e presente, esta interdependêcia que temos entre todos, a necessidade que temos de nos apoiarmos e relacionarmos uns com os outros, e o quão difícil é atingirmos isso”, diz Jesse James, que partilha a direcção com Sofia Carolina Botelho, em entrevista ao Gerador. Este tema tornou-se, primeiro que tudo, uma forma de estar, que passou, não só pelo processo de decisão, uma vez que a construção do 9.5 foi partilhado com os artistas e a equipa, desenhando-se uma lógica horizontal, assim como pela atenção em manter todos/ todas os/as envolvidos/as na 10.ª edição, com vista a apoiar a partir da “rede de afectos e proximidade”, incentivando, simultaneamente, a economia local e combatendo, na medida do possível, a fragilidade dos trabalhadores do sector cultural.

Este horizonte também ganhou forma na actuação local e virtual, que permite um envolvimento, cujo convite não conhece fronteiras. Estas dimensões unem-se a partir de uma lógica de tradução. “Assumimos que há esta lógica global e é a esta esfera a que podemos chegar, a partir de uma plataforma online e de produzir projectos para este contexto, o que é um desafio para nós e para os artistas (…), mas sem esquecer que este festival é dos Açores, serve esse lugar e quer trabalhar nesse contexto. Pensem como pode estar numa dimensão online e, ao mesmo tempo, onsite [como foi proposto aos artistas]. Foi sempre nesta lógica de tradução de uma dimensão para a outra”, continua Jesse, na entrevista. A rádio 9.5 é um exemplo desta relação, sendo transmitida em FM e online. As traduções no local também podem assumir a forma de murais, instalações ou eventos.

Apesar de “alguns artistas tomarem “o 9.5 como um ponto de situação, (…) um momento de antecipação, que lhes permite aprofundar a reflexão sobre o projecto, que já estavam a fazer,” a maioria aproveitou “essa oportunidade para desenhar e imaginar coisas que não têm nada que ver com o que vão apresentar no próximo ano. O online, se calhar, deu-lhes a oportunidade de resgatar ideias que nunca tinham executado, ou porque lhes permitiu explorar dimensões do seu trabalho, que, até então, nunca tinham feito sentido e, agora, num contexto de pandemia e distanciamento e numa plataforma online teriam essa possibilidade”, explica Jesse.

Poderás aceder aos conteúdos desta edição ao longo do festival, os quais vão permanecer disponíveis na plataforma online.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues

Fotografia disponível na página de Facebook do Festival Walk&Talk

O Gerador é parceiro do Walk&Talk