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“Aquário” mostra-nos um possível fim da humanidade, entre uma catástrofe natural e a ganância humana

O espetáculo “Aquário” sobe ao palco do Teatro Comuna no dia 12 de janeiro. A criação…

Texto de Patrícia Nogueira

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O espetáculo "Aquário" sobe ao palco do Teatro Comuna no dia 12 de janeiro. A criação de Marlene Barreto ficará em cena até dia 23 de janeiro e ruma até ao Cineteatro Louletano para assinalar o dia Mundial do Teatro.

Em 2036, uma das personagens acorda com o som ensurdecedor de um alarme de emergência. Não há nada em seu redor a não ser uma intensa névoa de fumo. Sem saber quem é, procura respostas, mas a única pessoa que as pode fornecer é a autora da sua história que vive imersa num desespero profundo com a iminente extinção da Humanidade provocada pela erupção do vulcão Yellowstone. A personagem reivindica um novo final e a autora luta pela sua sanidade mental. Será que a presença de um terceiro elemento pode provocar o colapso na relação das duas?

A criação de Marlene Barreto que conta com a interpretação de Inês Dias, Marlene Barreto e Vítor Alves da Silva, faz uso do capitalismo, das relações de poder, da opressão e contaminação, para falar sobre a perda do sentido de humanidade e de como a mesma pode resultar numa total destruição física, mental e emocional do ser humano.

O processo criativo desta peça fez-se numa espécie de laboratório, que contou com a presença de vários artistas para discutirem o fim da existência e o contacto com o processo de morte, com a questão, "O que farias no teu último minuto?" - um momento intimista que recria essa realidade durante o espetáculo, em formato projeção de vídeo.

Marlene Barreto, cofundadora do Casulo, conta que "enquanto autora e criadora quis trabalhar o conceito de iminência, não só em torno de um hipotético apocalipse, como do galopante avanço do extremismo nos dias que correm". No entanto, a atriz e criadora do espetáculo diz que mesmo depois depois de todo o processo criativo
se continua a interrogar sobre "Quais são os limites da sobrevivência humana?” e “Até que ponto o dinheiro e
o poder são os únicos capazes de determinar quem tem acesso à sobrevivência em situações
extremas?".

O espetáculo que já teve duas apresentações no Grémio Dramático Povoense – Espaço Cultural Fernando Augusto, estará no Teatro da Comuna até dia 23 - de quarta a domingo -, e ruma ao Cineteatro Louletano para assinalar o Dia Mundial do Teatro.

Texto de Patrícia Nogueira
Fotografia de Rute Leonardo

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