A partir de 1 de maio, o ARQUIPÉLAGO - Centro de Artes Contemporâneas, na ilha de S. Miguel, nos Açores, apresenta “O Olhar Divergente - As Residências do Pico do Refúgio como património prospetivo”, exposição sob a curadoria de Miguel von Hafe Pérez, patente até 30 de junho.

Focando-se essencialmente no incentivo de residências artísticas e no intercâmbio destas com a região, o ARQUIPÉLAGO - Centro de Artes Contemporâneas, juntou-se ao Pico do Refúgio para a difusão de diversas obras de artistas, que desde 2015 passaram pela região e que dela tiraram proveito criativo. O resultado compõe a exposição “O Olhar Divergente - As Residências do Pico do Refúgio como património prospetivo” sob a curadoria do crítico e historiador Miguel von Hafe Pérez.

O Pico do Refúgio surge pelas mãos de Luís Bernardo Brito e Abreu. Uma quinta do século XVII, antiga residência da escultora Luísa Constantina e hoje, perpetuando o seu passado artístico, para além de casas de campo, é também refúgio para Residências Artísticas.

As Residências surgem da vontade de apoiar não só artistas nacionais e internacionais, como satisfazer o desejo artístico para o desenvolvimento de projetos pessoais nos Açores e de tal modo contribuir para o enriquecimento criativo da região. 

Durante quatro semanas ou quatro meses, os artistas, em simbiose com a comunidade local, desfrutam não só do refúgio da ilha, como de tempo para reflexão, pesquisa e produção em total liberdade. Em comunicado de imprensa, Luís Bernardo Brito e Abreu, insiste que durante as mais de vinte residências, “apenas se esperava uma resposta ao lugar”. 

Na mesma linha de pensamento emerge o ARQUIPÉLAGO - Centro de Artes Contemporâneas, cujo passado fabril de tabaco e álcool, deu lugar a um espaço transdisciplinar que pretende promover a observação, o estímulo, a difusão e a produção artística. 

“Ambos, Pico do Refúgio e ARQUIPÉLAGO trabalhamos as Residências Artísticas, ambos situamo-nos como uma plataforma de criação e produção artísticas no mesmo território, onde os artistas podem desenvolver o seu trabalho como assim o entenderem e em total liberdade”, afirma em comunicado de imprensa, Fátima Marques Pereira, diretora do ARQUIPÉLAGO. 

A importância do lugar inscreve-se sobretudo nas 65 obras que serão expostas. Segundo o curador Miguel von Hafe Pérez, essas mesmas obras traduzem “a clara inscrição da realidade açoriana nos distintos e pessoais trajetos criativos dos artistas escolhidos. A ilha vê-se assim material e concetualmente perscrutada em processos de investigação formal, de pensamento e discursividade, sem que isso represente qualquer tipo de desvio às linhas de ação estética a nível individual”, atestou o curado em comunicado de imprensa.

Os artistas que passaram pelo programa desde 2015 e cujas obras serão expostas são: Ana Catarina Fragoso, Ana Catarina Pinho, Andrea Santolaya, António Júlio Duarte, Atelier de Lisboa, Carla Cabanas, Cláudia Varejão, Daniel Blaufuks, Duarte Amaral Netto, Graham Gussin, Gustavo Ciríaco, Hun Chung Lee, José Pedro Cortes, João Paulo Serafim, João Valente, Maria Pita Guerreiro e Dion Soethoudt, Miguel Palma, Márcio Vilela, Pedro Vaz, Thurston Moore, Tito Mouraz e Valter Ventura, aos quais se acrescentam os nomes de Luís Bernardo Leite de Ataíde e de Luisa Constantina.

Texto de Rita Matias dos Santos
Fotografia de capa de Miguel Palma

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