Arranca já, na próxima terça-feira, dia 1 de junho, a oitava edição do Arquiteturas Film Festival, no Cinema São Jorge, em Lisboa. Ao todo, serão exibidos 36 filmes, entre documentários, filmes de ficção, animação e obras experimentais, sempre com a marca da arquitetura contemporânea. Há quatro películas portuguesas.

Body Buildings (2020), de Henrique Pina

Body-Buildings reúne dança, arquitetura e cinema, misturando identidades e conceitos. Seis coreografias criadas para seis obras de arquitetura, em seis locais de Portugal. Tânia Carvalho, Vera Mantero, Olga Roriz, Paulo Ribeiro, Victor Hugo Pontes e Jonas & Lander cruzam a dança com a arquitetura da Piscina das Marés, de Álvaro Siza, o Estádio Municipal de Braga, de Eduardo Souto Moura, o Centro de Convívio Irene Aleixo, de Aires Mateus, a Ponte da Carpinteira, de João Luís Carrilho da Graça, o Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas, de João Mendes Ribeiro e Menos é Mais Arquitetos, e o Mudas  — Museu de Arte Contemporânea, de Paulo David.

Lá fora as laranjas estão a nascer (2019), de Nevena Desivojević

Uma montanha enevoada. Alguns olhares desconfiados e a inquietação de um silêncio absoluto. Cantos sagrados ecoam da igreja enquanto um homem permanece só entre as paredes da sua casa escura. Errando pela natureza esplêndida, ele lamenta a sua condição de homem condenado a servir  o mundo que rejeitou.

Bela Vista — Ilha Habitada (2018), de Rui Gonçalves Rufino

Bela Vista–Ilha Habitada acompanha e regista a reabilitação da ilha municipal da Bela Vista, na cidade do Porto, entre 2015 e 2017. Através dos testemunhos e memórias de diferentes gerações de moradores, registam-se anos de convivências, dificuldades e lutas por melhores condições de vida. A par dos moradores, regista-se também o papel social da arquitetura, nesta intervenção, que procurou preservar a identidade do espaço e renovar a sua dignidade no contexto atual da cidade, através dos testemunhos do  antropólogo e dos arquitetos responsáveis pelo projecto.

Nos Jardins do Barrocal (2019), de Melanie Pereira

O Barrocal é um jardim imenso, de flores podadas e hortas cuidadas, de casas brancas e verdes, e barracas de pedra queimada. De ventos e eletricidade. Ondas e ondas de eletricidade. Sentada com quatro mulheres nos jardins de uma aldeia transmontana, a realizadora tenta reconstruir através de memórias partilhadas a aldeia do Barrocal do Douro, construída nos anos 50 em plena ditadura e denominada de aldeia ideal, cujo único objetivo era contratar operários para uma das primeiras barragens do rio Douro.

Além destes filmes, as seleções oficial e competitiva do Arquiteturas Film Festival inclui também obras de países como Itália, Israel, Alemanha, França, Bélgica, Países Baixos, Polónia, Ucrânia e Canadá.

Este ano, sob o tema “Bodies Out of Space”, a iniciativa pretende “refletir sobre a construção social do espaço conectado a um fio que circula dentro de suas próprias narrativas de dominação. Narrativas também sobre identidade que muitas vezes é retirada ou forçada a representar o nosso corpo.” Segundo a organização, esta edição "é um pedido para pensar ativamente sobre a nossa responsabilidade como espectador, enquanto percorremos este labirinto de desigualdades como descendentes diretos da exploração do espaço e dos corpos”.

Além da mostra oficial e a competitiva, o contará ainda com uma seleção de onze filmes de Angola, com a curadoria da jornalista, escritora e produtora Marta Lança.

Texto por Flávia Brito
Imagem (Still do filme Body Buildings)
O Gerador é parceiro do Arquiteturas Film Festival

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