As diferenças demográficas e socioeconómicas levaram o país a delimitar os territórios continentais menos povoados, mais envelhecidos e menos dinâmicos economicamente. São chamados territórios do interior, mas abrangem uma multiplicidade de regiões. O objetivo é serem alvo de uma «discriminação positiva», mas até que ponto esta é apenas uma questão administrativa?

Procurámos saber o que acarreta o termo «interior» e quais as narrativas a ele associadas. Do ponto de vista cultural, conceptual e identitário, o que perpetua esta ideia? E qual o verdadeiro significado da tão procurada coesão territorial?

Os dados preliminares dos Censos 2021 não deixam dúvidas. A tendência acentuou-se novamente na última década: o vasto território do interior continua a perder população, e a «linha» que o delimita do litoral é cada vez mais evidente. Mas, nesta matéria, não nos deixemos enganar por noções geográficas ou territoriais. O interior de Portugal, segundo os critérios oficiais, vai de Bragança à serra algarvia, inclui territórios raianos, mas também a quase totalidade da costa vicentina. De Serpa a Paredes de Coura, passando por Lamego e Vila do Bispo, bem no extremo sudoeste do território continental.

Por estes territórios, percorremos planícies, vales e montanhas. Avistamos Espanha, mas também o oceano Atlântico. Ao todo são 165 concelhos e 73 freguesias de norte a sul do país, tão diversificados quanto as caraterísticas da área geográfica onde se encontram, mas próximos no seu caráter demográfico e socioeconómico. No interior, faltam pessoas. Mas também diversidade de atividades económicas e emprego. A população é envelhecida, e faltam meios e infraestruturas. Mas, para além destes aspetos técnicos, será que há algo mais que defina a interioridade?

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