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Assim se faz a ponte entre os artistas e a criptoarte

Sediada no Beato, em Lisboa, a Arroz Estúdios é uma organização sem fins lucrativos que procura ajudar os artistas emergentes a criarem e promoverem as suas obras, posicionando-se também como uma ponte entre estes e a criptoarte.

Fotografia cortesia de Arroz Estúdios

Vai pagar em dinheiro ou criptomoeda? A pergunta pode parecer afastada da realidade mais comum, mas ouve-se com frequência na Arroz Estúdios, seja numa noite de concertos ou numa sessão de cinema ao ar livre, não tivesse esta associação cultural apostado na exploração desse mundo das criptomoedas, nos últimos anos, construindo, assim, uma ponte entre os artistas e essa tecnologia. Depois de ter lançado o primeiro festival de criptoarte da Europa, esta organização sem fins lucrativos tem promovido, por exemplo, um programa de residências, que encoraja a utilização deste tipo de tecnologia e que se dirige a artistas com baixos rendimentos.

Nascida há quatro anos, a Arroz Estúdios está sediada no Beato, em Lisboa, e oferece estúdios de trabalho a artistas emergentes e espaços para eventos culturais e musicais. “Esta organização sem fins lucrativos foi criada para ajudar os artistas a criarem e a promoverem a suas obras, bem como para receber concertos”, não tendo inicialmente qualquer relação com as criptomoedas, explica Gaylord Warner, web3 lead na Arroz Estúdios. Foi há “um par de anos” que tudo mudou, e a aposta nesse mundo começou. “Umas pessoas de Berlim vieram à Arroz Estúdios para uma festa, gostaram muito do espaço e sugeriram a aposta nas criptomoedas”, acrescenta o mesmo responsável.

Já com o mundo confinado por causa da pandemia, a Arroz Estúdios fez nascer o primeiro festival de non-fungible tokens (NFT) da Europa, o Rare Effects. A primeira experiência decorreu integralmente no metaverso – isto é, foi “totalmente virtual” – em fevereiro de 2021, tendo acontecido, depois, uma nova edição em maio do mesmo ano, já com um formato presencial. E os responsáveis adiantam que há mais edições a caminho. A próxima decorrerá no outono deste ano. “Estamos a trabalhar nela”, afirma Cátia Ciriaco, studio & residence manager na organização em questão, que adianta que o festival conta com o apoio da Direção-Geral das Artes (DGArtes), “o que é ótimo”.

Enquanto isso, e porque está focada em explicar aos artistas o que é o mundo das cripto e como lhes pode ser útil, a Arroz Estúdios lançou o Planting A.I.R, um programa de residências financiado pela empresa de blockchain NEAR. O objetivo? Explicar aos dois artistas selecionados o que é a blockchain e a criptoarte, bem como as oportunidades que encerram, nomeadamente em termos financeiros, uma vez que, conforme o Gerador já escreveu anteriormente, essa tecnologia tem sido vista por alguns artistas como uma boa forma de garantirem o seu sustento, através do sistema de royalties, que lhes paga uma fatia da receita gerada em cada transação que envolva uma das suas obras.

De resto, nem todos os artistas que têm espaços na Arroz Estúdios (são quase dezena e meia) têm explorado estas novas ferramentas (a maioria não apostou ainda nesse caminho), mas os responsáveis garantem que esta organização quer ser o ambiente propício para que, querendo, experimentem. Mas será a transição entre a arte tradicional e a criptoarte difícil? “Depende da curiosidade do artista”, salienta Cátia Ciriaco, sorrindo. “Há artistas que mostram maior resistência”, acrescenta, garantindo, contudo, que tecnologicamente não há grande dificuldade.

Além das residências e do festival de NFT, a Arroz Estúdios promove ainda uma série de iniciativas semanais, como o Black Cat Cinema. E, se quiser comprar uma fatia de piza para acompanhar essa sessão de cinema, poderá fazê-lo usando euros ou criptomoedas.

Black Cat Cinema estende-se até ao final de agosto. Fotografia cortesia de Arroz Estúdios

Um espaço inclusivo

À parte da inovação tecnológica, a Arroz Estúdios tem também, diz quem já por lá passou, uma forte pegada, no que diz respeito à inclusão. Foi, aliás, essa uma das razões que encantou a britânica Samantha Hill e a levou a tornar-se uma das artistas residentes.

Esta designer vivia e trabalhava em Londres, mas decidiu mudar-se para Lisboa, estando na capital portuguesa há seis anos. Desses, quatro passou-os na Arroz Estúdios, organização à qual elogia a abertura a pessoas “de vários contextos”. “É difícil encontrar comunidades como esta”, garante, destacando o “poder feminino” e a “igualdade” entre quem trabalha na Arroz Estúdios.

Inclusão é também uma das palavras usadas por Filipa Bossuet, uma das artistas selecionadas para o referido programa Planting A.I.R., para descrever esta organização. “A Arroz Estúdios é inclusiva: estão abertos a novos projetos, a perceber o que mercado necessita e o que podem dar. Acho que é incrível”, sublinha.

Para esta artista, a residência que terminou agora foi a sua primeira experiência no mundo da criptoarte e das criptomoedas. “Vi na residência uma oportunidade para perceber como funciona e se faria sentido para mim”, explica. E da Arroz Estúdios saiu com a visão da criptoarte enquanto “espaço onde pode partilhar a sua arte e vendê-la”, criando alguma autonomia, “num mercado tão precário”. “Tive mentoria de muitos artistas. A Arroz Estúdios é um espaço artístico com várias vertentes, como a música e as artes plásticas, e pessoas com muito sumo para dar”, elogia.

Arroz Estúdios está sediada no Beato. Fotografia cortesia de Arroz Estúdios

No que diz respeito à inclusão, convém explicar que o Planting A.I.R. dirigiu-se especificamente a artistas e criadores com baixos rendimentos ou limitações financeiras durante o seu percurso académico e profissional. “Como parte da residência, irão adquirir ferramentas para tornar a sua prática artística financeiramente sustentável”, anunciava a organização.

A blockchain é uma espécie livro de registos digitais não centralizado, que “anota” transações, como a emissão e troca de tokens. Ora, esses tokens podem ser fungíveis ou não. As criptomoedas, por exemplo, são fungible tokens, uma vez que, à semelhança de uma nota de cinco euros, são divisíveis e permitem trocas diretas com ativos semelhantes. Já a lógica subjacente aos non-funglible tokens (NFT) é a oposta: são como cartas colecionáveis, isto é, o seu valor não é objetivamente divisível.

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