Australopiteco, a mais recente criação da companhia Universo Paralelo, tem estreia marcada para os dias 8 e 9 de maio, às 10h30, no Claustro do Museu da Marioneta. O espetáculo, destinado ao público infantil, conta com a interpretação em Língua Gestual Portuguesa e Audiodescrição. "Podem esperar um universo onde as diferenças são admiradas e elogiadas", contou a encenadora Adriana Melo ao Gerador.

Adriana Melo, atriz e encenadora, decidiu não criar apenas um espetáculo para a infância, mas um universo onde há espaço para elogiar a diferença e educar para a igualdade. Australopiteco, escrito e encenado por Adriana Melo, com curadoria de texto de Alice Vieira, é um espetáculo de teatro que procura promover a reflexão sobre as questões da diferença, com uma narrativa que intercala a realidade e a ficção, numa linguagem que se posiciona entre o quotidiano e o poético. O espetáculo, que explora artisticamente o tema da diferença, procura suscitar nos mais pequenos a compreensão do outro, a empatia e o altruísmo.

Beatriz Brito, Clara Franco, David Teixeira e Magnum Soares são os atores escolhidos a dedo para representar a diferença e explicar a normalidade aos mais pequenos - "Temos um intérprete com deficiência, o David Teixeira, uma atriz plus size, a Claro Franco, que nos evoca o tema da gordofobia, e o Magnum Soares, um bailarino afrodescendente e brasileiro que nos põe a pensar no tema do racismo", acrescenta a encenadora. Australopiteco tem esta mais valia: todos se incluem mutuamente, "não há ninguém inferior ou superior, a peça inclui atores que, dificilmente, encontram o seu lugar no mercado de trabalho por serem diferentes".

A escolha dos temas a abordar foi acompanhada por uma psicóloga e fruto de um estudo maior para evitar o entendimento contrário ao pretendido, como por exemplo, o tema de deficiência. Adriana reforçou ainda o objetivo desta peça na vida das crianças e famílias que vão assistir, explicando que querem "um efeito transformador, para que as crianças que têm preconceitos adquiram novas maneiras de lidar com eles, assim como aqueles que não têm possam ter ferramentas para o futuro".

O espetáculo vai ainda mais longe e, com vista a integrar o maior número possível de crianças, terá a interpretação da peça em Língua Gestual Portuguesa e Audiodescrição. Questionada sobre a importância de ter, cada vez mais, uma arte mais inclusiva, Adriana Melo explicou que "este é um investimento necessário e não tão grande, a nível monetário, como as companhias podem pensar".

"Podem esperar um universo onde as diferenças são admiradas e elogiadas, porque mais facilmente criticamos a diferença. Podem esperar um lugar onde crianças diferentes entre si, seja física ou psicologicamente, estão em constante esforço para encontrar um lugar comum de brincadeira e vivencia conjunta, numa tentativa de compreensão do outro, e da perceção não só do que o outro é, mas do que cada um é, e do mundo.". Adriana Melo desvendou ainda o cenário - "um parque infantil", que proporciona às crianças uma "empatia e relação íntima com o expositivo cénico".

Australopiteco, já projetada para, no futuro, integrar parques infantis de jardins e escolas, é destinada a famílias com crianças a partir dos 6 anos. Depois da estreia no dia no Museu da Marioneta, o espetáculo parte em digressão, com apresentações no Festival A Salto, em Elvas, a 29 de agosto, no Centro Cultural da Malaposta, em Odivelas, em datas ainda a anuncia, e no Teatro da Voz e na Sede da Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa, ambos em novembro de 2021.

Fotografia de Helena Melo

Esta é a segunda criação da companhia Universo Paralelo, uma estrutura multidisciplinar e multicultural fundada por Adriana Melo e Magnum Soares, dedicada à criação e difusão de obras originais de teatro e dança, destinadas a todos os públicos. A sua primeira criação, A Caravela Desconhecida, um espetáculo de teatro de marionetas e formas animadas para a infância, a partir d'O Conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago, estreou em agosto de 2020 e será agora apresentado na Fundação José Saramago, a 12 de junho.

Texto Patrícia Nogueira
Fotografia
de Monica Silvestre via Pexels
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