Inspirada pela música brasileira, a cantautora portuguesa Beatriz Pessoa prepara o lançamento do novo disco — Primaveras. Uma primavera de cariz “muito pessoal”, que a pandemia adiou.

Em jeito de antecipação e enquadramento ao novo disco, Beatriz Pessoa lança o desafio de quatro conversas, que incluem concertos, os "Serões de Primavera em Novembro”, no Teatro Maria Matos, em Lisboa (11 e 17 de novembro), e no Auditório do CCOP, no Porto (21 e 25 de novembro). O projeto contará com a presença de Salvador Sobral e Beatriz Gosta, em Lisboa, e Clara Não e Lena D'Água, no Porto.

Em entrevista ao Gerador, Beatriz Pessoa falou acerca do processo de lançamento do novo álbum, do perfecionismo de ser mulher, da ligação especial com o Brasil, dos projetos futuros e metas que gostava de alcançar.

Gerador (G.) — Em jeito de antecipação e enquadramento ao novo disco, Primaveras, preparaste um desafio de quatro conversas ao qual chamaste de “Serões de Primavera em Novembro”. Afinal, qual a importância desta conversa prévia antes da apresentação do álbum?

Beatriz Pessoa (B.P.) — Isto foi uma ideia que juntou várias parcelas. Primeiro, acho que com a minha primeira temporada no Brasil, quando comecei a gravar o disco, tive o privilégio de estar em contacto com um nicho artístico que não é a realidade total do Rio de Janeiro, de todo. O nicho artístico lá funciona de uma forma muito aberta para falar sobre certos assuntos. E eu, estando neste meio, se calhar tive acesso a conversas muito mais disponíveis e abertas para assuntos que eu já achava importantes, e que efetivamente já têm sido mais falados, e é importante serem falados. Exemplo disto é o caso da ansiedade, das pessoas fazerem terapia ou não, da sexualidade, do feminismo, do racismo, da desigualdade, seja social ou a nível de sexo. Esses assuntos, lá, são falados de uma maneira muito mais vivida, no sentido em que as pessoas falam e sentem, e isso transparece tanto no dia a dia, como na arte que fazem. Eu sinto que é um movimento que, se calhar, está a demorar mais tempo a chegar a Portugal do que chegou ao Rio de Janeiro, ou do que chegou a outras capitais.

Portanto, a  minha ideia quando eu fiz o Primaveras não tinha nada que ver com estas questões que podem ser associada à política, até porque não me considero uma pessoa política, mas depois desta situação da pandemia, que acho que só veio acentuar ainda mais as desigualdades sociais que vivemos, acho que na minha cabeça só faria sentido fazê-lo, já que ia fazer um pré-lançamento do disco, e já que não o pude apresentar quando queria. Eu queria fazer alguns concertos antes do lançamento do disco. E comecei a pensar — OK, como é que eu posso organizar isto de uma forma artística em que eu depois não perca público para o lançamento do disco, e é obvio que enquanto artistas temos de pensar nessas coisas, porque obviamente nós fazemos isto porque é o nosso trabalho, e é o que nos faz respirar, então estes fatores têm de ser tomados em consideração. A minha ideia foi que, para além da minha música, acho importante falar agora, e tive conversas muito interessantes sobre ouvir os outros, então juntei um pouco estes dois conceitos.

E, por um lado, senti que isso tornava a minha música e a minha posição enquanto artista muito mais interessante. Mesmo que não seja para os outros, é-o para mim. Eu fico orgulhosa do meu trabalho e de me associar a estas causas que eu acho tão fraturantes e importantes de serem faladas. E depois também me dá a oportunidade de trabalhar com artistas e pessoas incríveis que têm um trabalho nestas áreas muito importante. E é, de alguma maneira, já que tenho uma posição que consigo chegar a mais pessoas, usar isso para falar sobre temas importantes, já que acho importante abrir mentes. Não eu a falar, porque não me sinto nessa posição, mas se calhar dar um bocado do espaço do palco a quem acho que a tem.

 Agora, respondendo mais à tua pergunta, o que eu acho que o disco vai trazer é uma ideia da música muito mais geral. Acho que aquelas canções, com este empurrão, podem ter leituras muito mais interessantes e também dar-me a conhecer enquanto pessoa e artista, porque as canções são minhas. Acho que é sempre bonito as pessoas conhecerem um bocado mais quem as escreve, e isto são assuntos que são importantes.

Fotografia disponível via facebook Beatriz Pessoa

G. — No press dos "Serões de Primavera em Novembro" lê-se o seguinte: “pretendem remeter o público para a imagem de que cada recomeço pode ser sempre uma nova Primavera, em que tudo nasce e floresce. E onde colocamos a esperança de um recomeço positivo, na natureza e na vida.” Automaticamente ao ler esta pequena descrição associei à situação da Covid-19 que está a assombrar a maioria dos portugueses, faltando muitas vezes esta esperança de um novo “recomeçar”. Esta conversa teve alguma influência face à situação atual que estamos a enfrentar?

B.P. — Claro! Eu acho que todos os assuntos de que vamos falar nos serões, seja sobre o medo, e no medo eu e o Salvador [Sobral] vamo-nos tentar focar no medo do meio artístico, das incertezas que existem. Portanto, esse medo e tudo o que ele gera. Mas, seja qual for o assunto, foi altamente afetado com a Covid, porque houve uma distância social gigante que agora está a voltar. Acho que há uma instabilidade geral, seja social ou económica. Eu, quando escrevi o Primaveras, estava longe de imaginar uma pandemia mundial, como tu também, como todos nós. A minha ideia de renascer, de recomeçar, e de olhar para as coisas de maneira diferente como tudo sendo um recomeço. Não me passou pela cabeça estar nesta situação. Mas, a verdade é que faz todo o sentido.

Portanto, eu espero que isto algum dia volte ao normal, e espero que essa Primavera aconteça, e enquanto essa Primavera não acontece podemos tentar melhorar todas as outras.

G. — Durante as conversas e o concerto serão abordados temas que têm despertado interesse de debate, nomeadamente, "Uma Primavera sobre o medo", "... sobre a Sexualidade sem Tabus", "... sobre o Feminismo em Portugal" ou "... sobre a Carreira da Mulher Artista”. Porquê a escolha destes temas?

B.P. — Eu acho que continuam a ser assuntos, em que basta saíres um bocadinho da tua bolha, que vão estar altamente desconfortáveis, não há espaço, não há empatia pelo outro, não há uma vontade de ver para além do que sentimos, e acho que era um bocado por aí. Estes assuntos, especialmente direcionados para a mulher, terão como temas o o medo com o Salvador Sobral, depois tenho a sexualidade sem tabus com a Beatriz Gosta, o feminismo com a Clara Não, e a carreira da mulher artista com a Lena D´Água. Estes três últimos serões estão mais focados na questão feminina.

Eu sou mulher, eu sinto isto todos os dias. Cada vez mais são assuntos de que se fala mais, há coisas importantes a ser revisitadas, há coisas importantes a serem faladas e melhoradas. A mim, às vezes, chateia-me aquela generalização que as pessoas fazem do — ‘Ahh agora toda a gente fala disso, parece que é uma moda, e que se estão a aproveitar da situação’. As pessoas que têm esse tipo de discurso acho que vêm sempre de um sítio de um privilégio gigante, porque um assunto destes aborrecer-te ou ser demasiado quando ainda não estamos nem a meio do caminho para uma mudança palpável, é muito injusto, e um bocadinho ignorante. Eu acho que o que torna alguém ignorante é o facto de não querermos sequer ouvir os outros, então eu só quero que as pessoas ouçam estas pessoas a falar sobre coisas que elas sabem, que elas estudaram, que viveram. Basta olhar para o histórico da música portuguesa e perceber que se contam pelos dedos das mãos as mulheres que conseguiram fazer carreira sem serem objetificadas, sem serem sexualizadas. Isto são assuntos que continuam a existir.

Fotografia disponível via facebook Beatriz Pessoa

G. — Em entrevista ao Gerador afirmaste o seguinte: “Na área artística, como eu estava a dizer, é mais difícil só porque, para além de tudo o que acontece já em mil e uma áreas, ainda temos de ser bonitas, falar bem, ser sexys, mas não ser muito sexy, porque se não somos outra coisa.” Já sentiste esta pressão do perfecionismo por seres mulher?

B.P. — Já, e acho que tu também! Acho que todas nós já sentimos, tenha sido consciente, ou não. Eu acho que, se calhar, tive a sorte de trabalhar com boas pessoas, portanto nunca senti isso de uma maneira muito forte em relação a mim. Agora, em relação ao meio, claro que sim! Há um estereótipo, há certas coisas em que os acessos são mais fáceis, o que é exigido às mulheres é muito superior.

Acho que em Portugal temos as vantagens de ter um meio muito pequenino, e as desvantagens de ter um meio muito pequenino. Portanto, não considero que o meio artístico português seja um horror no que toca ao sexismo comparando com outros meios que eu conheço. Mas no Rio de Janeiro, por exemplo, nessa comunidade musical que há de ser um nicho, senti-me muito mais confortável lá enquanto mulher, compositora, e produtora do que alguma vez me senti cá em Portugal. A facilidade com que eu falava com os músicos, e havia essa gestão fosse de banda, fosse o que fosse, o contexto artístico a maneira como eu olhava para uma canção eu sentia que era valorizada da mesma forma, fosse o que fosse. Aqui em Portugal sinto que ainda há um bocadinho esse preconceito. Muitas vezes, lembro-me de ouvir esta pergunta: “Mas esta música foste tu que fizeste? Mas fizeste a música toda?” E, pronto, eu digo isto, e se calhar estou a ser injusta com as pessoas que me fizeram essas perguntas, mas eu tenho quase a certeza de que nunca perguntariam a um homem da mesma maneira como mo fizeram, como se fosse quase impossível ter sido eu a fazer aquilo, como se não fosse normal.

Portanto, eu já senti isso, e fui educada de uma maneira em que ganhei uma confiança que me permitiu não ligar tanto ou ficar tão incomodada com esse tipo inputs, mas há muita gente que não tem isso, e mesmo assim, para mim, e para todos os tipos de mulheres, e para todos os homens, a insegurança faz parte. Toda a gente é insegura. E, eu sei que sendo mulher vou levar com mais inputs negativos só porque sou mulher. Aconteceu no festival da canção. Ninguém quase comentava as roupas que os homens estavam a usar e comentavam a das mulheres. Se fores ver os comentários do YouTube, os comentários são maldosos. Lembro-me de falar com a minha antiga professora e amiga Joana Espadinha, e os comentários que faziam aos trabalhos dela, nessa altura, eram horríveis, as pessoas são más. Uma vez fiz um videoclipe para uma música em que a ideia da imagem era bonita esteticamente, em que o fiz dentro de uma banheira a imitar leite, aquilo não era leite era água com Cerelac, ou lá o que era aquilo. A estética era superbonita, a fotografia do videoclipe estava superbonita, foi a Joana Linda que o fez, e eu lembro-me, nessa altura, de ver comentários, e amigos meus também comentarem — “epá mas o vídeo está um bocado…”, é sempre tudo virado para esse lado. E, às vezes, é um bocado frustrante, porque é um bocado infantil, é um bocado aquela brincadeira dos putos quando dizem cocó e riem-se todos. E nós continuamos a viver o mesmo com a sexualização, tudo é tudo, tudo é julgável, e isso é frustrante.

G. — Tive a oportunidade de ler várias entrevistas em que afirmavas que desde tenra idade que ouves todo o tipo de música. Porém, é na música brasileira que denotas um papel crucial no teu crescimento, ao ponto de inspirar o teu primeiro disco. Podes explicar um pouco esta ligação especial com o Brasil?

B.P. — Sim! Eu sempre ouvi música brasileira em casa. A minha avó é professora de literatura, e estudou literatura brasileira, então ela também me trouxe um bocado essa cultura, essa riqueza toda. Então, não sei, acho que tem que ver com o português deles que musicalmente acaba por se tornar mais doce e mais leve. Acho que a cultura musical no Brasil é muito mais fundamentada do que em Portugal, também é muito maior, não dá para comparar. Mas eu sempre ouvi todos os tipos de música brasileira. Depois, quando comecei a estudar jazz acabei por começar a ouvir muito mais jazz, mas a música brasileira foi a única que seguiu nesse contexto porque também faz parte. O jazz também foi buscar muita coisa à música brasileira e vice-versa. A música que acompanhou o meu percurso de uma maneira muito sólida, e eu sempre tive muita curiosidade em ir lá, e passear pelas ruas em que o Tom Jobim escrevia e o Vinicius também. Lembro-me de fazer o caminho com a música do Tom Jobim, “Lígia”, e aquilo ser uma sensação incrível porque estás a viver aquilo que os teus ídolos viveram. É a mesma sensação que, se calhar, ir a Nova York, onde também já tive a oportunidade de ir, e estar no Central Park e, de repente, estares num sítio em que muita da cultura que já viste aconteceu ali. As pessoas descrevem aqueles sítios. E, de repente, tu sentes-te muito mais próxima dos teus ídolos. Eu tinha essa curiosidade com o Brasil e, realmente, a cidade do Rio de Janeiro é uma cidade fabulosa, que tem imensas luzes nesse sentido. Então, para mim, estar lá e tendo em conta que essas músicas acompanharam o meu crescimento, foi brutal. A música brasileira é mesmo uma bússola para mim.

Fotografia disponível via facebook Beatriz Pessoa

G. — Mesmo que ainda não tenhas revelado todas as músicas que compõem o novo álbum, há alguma que te marque de uma forma mais especial? Se sim, podes falar um pouco dela?

B.P. — Eu acho que as músicas mais especiais de um disco vão mudando conforme a passagem do tempo, até porque o processo de escrever canções é gigante até ao dia em que, de repente, vais gravá-la, depois levamo-la para um ensaio de banda, de repente vamos levá-las para estúdio, vamos gravá-las. Depois, voltei sendo que fiz isto tudo no Rio de Janeiro. Então, as músicas vão tocando em nós de forma diferente.

Mas deixa-me pensar… Há uma música que ainda não saiu, nem sei quando sairá na verdade, que se chama “Fundo Azul”, porque é uma música que tem uma característica, e vou inventar uma palavra, é um nostálgico dançante, em que quando a ouço, além de ficar orgulhosa, acho que consegui chegar a um sítio com a letra da música, com o poema que escrevi, interessante, e acho que a letra da música dá uma música bonita, e a história é importante para mim, e isso faz toda a diferença.

Depois, outra música de que gosto muito do disco, e essa já tem um significado mais fofinho, vá, que foi uma música que escrevi para a minha melhor amiga que se chama “Laura”, que é o nome dela. Escrevi-a quando ela fez 23/24 anos e dei-lhe a música como prenda, e ela mostrou a amigos. E, de repente, comecei a receber mensagens da malta a dizer que a música da Laura estava muita gira, e que devia estar no disco. E aquilo, na altura, fez todo o sentido ter um bocadinho dela no meu disco, e ela é uma Primavera para mim também. Eu gosto de trazer as minhas pessoas para os meus trabalhos, então é importante que ela faça parte do meu primeiro disco. Na verdade, a música foi escrita para ela e a pensar nela, e tem o nome dela, mas é representativa de todos os meus amigos que são uma grande base, e uma grande força, e eu tenho os melhores amigos do mundo. É uma vantagem.

G. — De momento, apenas está disponível, do teu novo álbum, publicamente, a música “Elefante da Sorte”, em que se ouve o seguinte nos dois primeiros versos: “A Saudade passa, tudo passa, quando o amor desgasta e se perde no ar”. Isto leva-me a crer que a canção fala da partida de uma pessoa especial. O que é que o processo de composição desta música te deu e o que te fez escolhê-la como single do teu primeiro disco?

B.P. — Eu acho que neste meu primeiro disco todas as músicas têm uma forte ligação com um momento específico da minha vida, e todas têm um cariz muito pessoal. Esta canção, na verdade, foi uma das canções mais libertadoras. Foi numa altura da minha vida em que estava meia confusa e meio perdida, e, às vezes, a arte, pelo menos a mim, e para a maior parte dos artistas, funciona muito como uma terapia e libertação. Às vezes, para mim, é muito mais fácil escrever uma canção e um poema e pôr lá o que estou a sentir, do que falar com alguém. E, então, para mim, escrever essa música foi muito representativo desse processo. E, depois, todo o processo musical de construção da música. Foi uma música construída meia que aos bocados, e esta música foi meio feita aos trambolhões e foi muito modificada, não só a letra como a estrutura. E, na verdade, acho que ela só ganhou forma no Rio quando comecei a tocá-la com a banda que acabou a gravar o disco. E, depois, acabou por se tornar a música que nos dava mais pica a tocar em estúdio, nas gravações. Então, acho que foi isso que a fez single, porque se calhar foi das primeiras músicas que escrevi a pensar que seria para o disco, e das últimas a serem completas. Então, acho que foi a música que acompanhou o processo todo.

Fotografia disponível via facebook Beatriz Pessoa

G. — O que ambicionas para o futuro?

B.P. — Ui, então… Eu adorava conseguir fazer uma tour pelo Brasil, que era o que estava já meio alinhado, mas agora com a Covid não sei se vai dar. Digo isto, depois, obviamente, de fazer uma tour por Portugal, mas é assim um sonho que tenho. Mas acho que o grande sonho que tenho é fazer uma tour mundial. Levar a minha música para vários países. Eu adoro viajar, então poder fazer isso a trabalhar com o que eu gosto, era o meu sonho. Espero que seja possível.

Confesso que já estive mais confiante disto, agora com o mundo assim não tenho grandes expectativas. Mas sonhar não faz mal. Eu acho que é ter uma carreira sólida, dar o máximo que possa dar, trabalhar com vários artistas. Não tenho qualquer tipo de aspiração com a fama, o que quero é ser feliz e conseguir trabalhar no que gosto, e dar o melhor de mim. Acho que é isso, na verdade acho que sou bastante ambiciosa, mas é uma ambição simples. Tudo isto acho que pode ser possível com trabalho, e ambição, e para mim isso já me bastaria fazer a minha música, sem estereótipos.

G. — Para as pessoas que querem iniciar, tal como tu, uma carreira musical em Portugal que conselhos lhe deixas?

B.P. — Primeiro, acho que é muito importante ir aos sítios onde se toca música, conhecer outros artistas, criar essa ligação com as pessoas que já fazem aquilo que queres fazer. Acho que não é importante ires para uma escola e estudar música. Acho que é possível ser autodidata. Eu acho é que é importante, sim, estudar música com as pessoas que gostam tanto de música como essa pessoa em questão. Portanto, é muito importante essa parceria musical. A música é uma linguagem entre dois, três, quatro, e claro que é importante também aperfeiçoarmos a técnica em casa, é importante estudar. É uma arte muito trabalhosa, não há nenhum músico que conheça que não passe horas e horas a estudar, e as pessoas acho que têm de ter consciência disso, mas também é muito importante essa interação, muito importante ouvir música diferente.

E isto tudo é para te tornares um bom músico, que é uma pessoa que o faz por amor, e porque o sabe fazer, e porque quer dar qualquer coisa aos outros. E acho que a partir daí é tentar chegar aos sítios onde achas que faz sentido a música chegar, e dá muito trabalho, e levas muitos nãos, e a maior parte das vezes as pessoas não ouvem as tuas músicas da forma que tu gostavas que ouvissem, mas é um bocado aceitar que é a vida que escolheste, mas tem a maior vantagem de todas em que fazes uma coisa que efetivamente te apaixona.

Fotografia disponível via facebook Beatriz Pessoa

G.— Há algum projeto futuro que ainda gostasses de destacar ou revelar?

B.P. — Eu tenho sempre uma data de projetos. Durante a quarentena, escrevi uma peça de teatro, que me entusiasmou imenso fazer, não sei se algum dia a vou fazer ou não, mas gostava imenso de um dia me mandar para isso, para experimentar. E, depois, já estou a escrever músicas novas, tenho 1000 ideias. Sabes, eu tenho um caderno com ideias de discos futuros que quero fazer e de projetos que ia fazer, acho que ficava aqui o dia inteiro a falar-te de ideias. Portanto, à medida que eles forem saindo, acho que faz sentido falar sobre eles. Até lá, prefiro melhorar as coisas, e só depois revelar.

Texto de Isabel Marques
Fotografia disponível via facebook Beatriz Pessoa