Nasceu em fevereiro de 2020, é um calendário com receitas sazonais e chama-se Calimentário. Tem a chancela da editora independente VIRA, que desde 2018 lança livros que resultam de motivações pessoais, particulares e agarradas ao prazer de pensar e desenhar publicações sem confrangimentos.

“O Calimentário uma peça simples e prática que ajuda a fazer escolhas conscientes na preparação de cada refeição. Sendo o par artístico ideal para nos inspirar a cozinhar de acordo com a sazonalidade dos alimentos, o seu conteúdo inclui dicas e práticas, as famosas mezinhas, que acrescentam sabedoria ancestral ao senso comum generalizado”. É esta a descrição que se encontra no site do projeto. Joana, interessada pela alimentação saudável e sustentável, foi uma das pessoas responsáveis pela conceção do Calimentário.

“Apesar de já dar atenção ao tema há algum tempo, sentia que me faltava informação. Comecei a fazer alguma pesquisa, especialmente no sentido de aprender a tirar partido de determinados alimentos, e foi com este objetivo que participei num dos workshops do Food for a Change. Já conhecia a Maria João Caseiro, que me falava muito do mundo da macróbiotica, e os workshops fizeram sentido porque, para além de ensinarem a cozinhar, chamavam a atenção para a prática de uma alimentação natural e para um estilo de vida saudável e ecológico. Foi assim que surgiu a ideia de propor ao Food for a Change a participação neste projecto”, contextualizou Joana em entrevista ao Gerador.

E assim foi: o projeto Food for a Change fez a consultoria alimentar do Calimentário. A sazonalidade, a riqueza nutricional e a escolha consciente, três princípios da alimentação macrobiótica, estiveram na base das receitas e das mezinhas que se encontram neste calendário alimentar. “O Food for a Change tem como base a filosofia macrobiótica, um modo de vida que orienta escolhas conscientes que visam o equilíbrio em benefício do corpo, mente e planeta. Nesse sentido, o conteúdo do Calimentário estende-se naturalmente a dicas e práticas que acrescentam sabedoria ancestral (famosas mezinhas) ao senso comum, permitindo-nos tirar o máximo partido daquilo que a natureza tem para nos oferecer”, acrescentou Joana.

Há frutas para cada estação, algas e cereais mais ou menos adequados em função da época. Na nota do Food for a Change sobre o Calimentário, que pode ser lida no site, é destacada inclusivamente uma 5ª Estação: “Durante este espaço temporal, aproximadamente de dezoito dias de transição entre cada estação, as características de ambas as estações coabitam e mesclam-se. Acredita-se assim que este momento apela à necessidade de regressarmos ao nosso centro, de nos nutrirmos e de nos transformarmos. No fundo, uma preparação para uma vivência mais alinhada e sintonizada com a estação vindoura.”

Tanto clientes como profissionais da área da alimentação e da nutrição têm recebido bem o calendário e as receitas que nele habitam. “‘Que bela ideia!’ é uma frase que já ouvimos algumas vezes, a par da valorização do seu conteúdo, utilidade, beleza e facilidade de consulta”. A pandemia, que alterou a dinâmica das famílias e que as colocou em casa, também permitiu que o ato de cozinhar tivesse mais preponderância, portanto o momento da edição do Calimentário foi certeiro. “Notou-se que, na fase de confinamento, muitas pessoas estiveram mais disponíveis para novas descobertas, mesmo nas redes sociais, já que não podiam sair de casa, e uma delas foi sem dúvida o Calimentário. As partilhas dos nossos cozinhados com legumes da época, que nos chegavam do mercado ou de hortas de familiares e amigos, tiveram muito sucesso e, com frequência, tínhamos pessoas a pedirem-nos as receitas”, revelou Joana.

Se o objetivo for comer bem e em função do calendário, acompanhado pelos desenhos originais da ilustradora Marta Cores, o Calimentário responde. Encontra-se no site do VIRA, a custar 15,50€, num espaço comercial no Porto e na loja Ufalufa.

Texto de Rita Dias
Ilustração de Marta Cores

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