O disco de estreia da Catarina Munhá, Animal de Domesticação, já está disponível nas plataformas digitais e nas lojas em Portugal podes encontrar “uma versão-que-se-agarra-com-as-mãos, para quem quiser ter uma planta da minha casa e descobrir em que divisão nasceu cada canção”, tal como diz a cantautora. Mas as surpresas do dia não ficam por aqui, pois hoje foi também lançado o videoclipe de “Águas-Furtadas”, a primeira canção do disco.

Catarina Munhá, para além de ser médica e fazer investigação, sempre teve o bichinho da música e confessa que sempre lhe foi natural escrever canções, embora as guardasse na gaveta. Não é difícil encontrá-la a cantar acompanhada pelo ukulele, piano, guitarra, sintetizador, violino ou até pela pandeireta. Tudo mudou ao alugar um rés-do-chão em Lisboa e ao decidir mobilar esse apartamento com canções que, respondendo ao desafio de amigos, saltaram da gaveta da cantautora para o YouTube. Com pelo menos uma canção por divisão e os vários espaços que a habitam, Catarina lança agora o seu primeiro disco.

Catarina Munhá em modo “Animal de Domesticação”, em que a fotógrafa Matilde Cunha lhe pediu para fazer algo que faria se estivesse ali sozinha. O resultado foi trepar árvores.

Em Animal de Domesticação moram canções bem-humoradas e inquietas, que tanto podem surgir acompanhadas pelas teclas melancólicas de um piano, pelo som tropical do ukulele, ou até do violino insólito. Se para ela, fazer canções é uma forma de se sentir em casa, uma presença constante, essa é a proposta que nos traz neste disco ao mobilar a sua casa com canções. Se inicialmente tinha pensado chamar Rés-do-Meu-Chão ao disco, foi com o lançamento do single “Animal de Domesticação” que se apercebeu que esse seria o título para o seu disco de estreia. “Realmente Animal de Domesticação faz referência à casa pela domesticação, não mudando a vibe que eu quero e se calhar representa muito melhor aquilo que as canções dizem. Quando digo Animal de Domesticação sinto que faz muito mais sentido. Tem logo uma piada no nome, o que gosto. É mais bem-humorada e leve”, revelou Catarina em entrevista ao Gerador.

“Animal de Domesticação”, o primeiro single do disco em que a cantautora fala da sua falta de resignação face aos papéis que, por vezes, nos são atribuídos e no seu gosto em ser cavalheira.

Assim nasce um disco que nos leva numa viagem sonora e temática onde se sente o conforto do lar e o aconchego das letras que nos compreendem. É a cantautora que afirma estar muito de si neste disco, mas também de muita gente de quem gosta. Quem habita esta casa? Sérgio Nascimento habita a divisão da percussão; Makoto Yagyu a do baixo e guitarra acústica; André Rosinha no contrabaixo; Miguel Munhá no violoncelo e xícara de chá; Daniel Costa no clarinete e melódica; Fábio Jevelim na guitarra elétrica; André Henriques, Hélio Morais e Mariana Romão nos coros; Catarina Munhá, António Porém Pires, Fabio Jevelim, Makoto Yagyu e Sérgio Nascimento na produção; na voz, ukulele, piano, teclados, violino, música e letra (com exceção de António Porém Pires que a ela se junta na canção “Quem Me Dera Ser Magenta”) temos a Catarina Munhá. A gravação, mistura e masterização do disco ficou a cargo de Fábio Jevelim e Makoto Yagyu na HAUS. O design ficou nas mãos do Gerador e de Priscilla Ballarin e Hugo Henriques.

O disco abre com a canção “Águas-Furtadas”, que hoje ganha também uma vida audiovisual com um videoclipe inspirado no filme Bride of Frankenstein (1935) de James Whale, com realização, imagem, edição e pós-produção de Joana Linda.

Novo videoclipe de Catarina Munhá, “Águas-Furtadas”, que reflete alguém que sonha muito em pouca água e tem um coração teimoso.

Segue-se o já conhecido “Animal de Domesticação”, “Isto de Ser Mulher”, “Choveste”, “Quem Me Dera Ser Magenta”, “Sobre Leite Derramado”, “Canção-Receita”, “Narcisos Amarelos”, “Variável Independente”, “Guarda-Choro” e “Rés-do-Meu-Chão”. Assim se realiza, hoje, o sonho de uma jovem, que ainda não sabe bem quem é e não tem pressa de o descobrir, e nascem os sonhos de todos os que a ela se juntarem nesta incursão musical.

Texto de Andreia Monteiro
Fotografias de Matilde Cunha
O Gerador deu uma mãozinha neste projeto

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