O Pavilhão Mozart, um centro de artes performativas criado no âmbito do projeto “Ópera na Prisão”, começou a ser construído, no passado dia 13 de Julho, no Estabelecimento Prisional de Leiria – Jovens.

Esta obra foi desejada pela Sociedade Artística e Musical dos Pousos (SAMP) desde 2015. Esta instituição, para além da orquestra Filarmónica, da Escola de Artes com ensino oficial de Música, e de apresentar várias formações corais e instrumentais, o seu trabalho passa pela musicoterapia, das terapias expressivas e da inclusão através da arte. É neste último aspecto, mais concretamente, que surge o Pavilhão Mozart, apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, através da iniciativa PARTIS, ao longo de três edições. A última, que se realizou em Janeiro de 2020, tratou-se de uma peça, intitulada “Estamos todos no mesmo barco”, que deu origem à reportagem “Ópera na Prisão: Chegamos? Não chegamos? – Partimos. Vamos. Somos”, publicada no Gerador.

Como forma de continuar o projecto da SAMP, este espaço em construção, num dos pavilhões do estabelecimento, viverá da procura por um encontro maior que as grades. Assim, “pretende receber espetáculos abertos ‘aos jovens reclusos intramuros’, mas também à própria comunidade. Através de ferramentas tecnológicas, “Ópera na Prisão” conta ligar dentro do estabelecimento prisional reclusos, ex-reclusos, familiares, amigos, agentes culturais e outros elementos, utilizando realidade virtual aumentada a 360º”, lê-se na agência Lusa. A SAMP pretende que este espaço seja visto como “mais uma sala de espectáculos da cidade de Leiria”, cita a agência.

A SAMP vê este espaço como “mais uma sala de espectáculos da cidade de Leiria”, a qual será dinamizada e gerida pelos reclusos, pronta a colher outras iniciativas de entidades culturais e artísticas, cujo trabalho tens os mesmos fins de inclusão social.

Neste momento, “Ópera na Prisão” está a investir num novo projecto “Traction”, financiado pelo programa HORIZONTE 2020, que envolve até 2022 parceiros internacionais na área tecnológica e artística, ganhando “duas novas dimensões: vai internacionalizar-se e passará a integrar as mais avançadas tecnologias de realidade virtual aumentada”, lê-se na Rede Cultura 2027. “(…) Para além das 3 instituições musicais (Escola de Artes SAMP leiriense, o Grande Teatro EL LICEO de Barcelona e a Irish Nacional Opera), integra algumas das mais prestigiadas universidades e institutos de investigação europeus, sendo liderado pela empresa tecnológica basca VICOMTECH, e conta com o expert François Matarasso como seu membro efetivo”, continua.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues

Fotografia disponível na página de Facebook da SAMP